A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério. Uma exposição para descobrir Tóssan

São ilustrações, caricaturas, desenhos, rascunhos e processos de António Fernando dos Santos, também conhecido por Tóssan, que não queria mais do que descobrir a própria identidade.

Solidão Ai Dão, Ai Dão (1959)

O nome de António Fernando dos Santos não dirá muito a quase ninguém. Já o do ilustrador Tóssan, seu alter-ego, corresponde a um “humorista total” e a um “poeta do absurdo”, conforme o define Jorge Silva, comissário da exposição Tóssan: A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério, que será inaugurada esta quarta-feira, 3 de Outubro, pelas 17 horas, na Casa do Design de Matosinhos.

Organizada pelas Câmaras Municipais de Matosinhos e de Setúbal e pela escola ESAD, a exposição estará patente na Casa do Design Matosinhos até 2 de Março de 2019, reunindo o espólio do multifacetado artista, designer, ilustrador, humorista e poeta, objecto de homenagem na última edição da Festa da Ilustração 2018, que decorreu na cidade do choco frito durante o mês de Junho.

“Não há melhores palavras para definir o artista do que as proferidas pelo historiador e ensaísta brasileiro, embaixador Alberto da Costa e Silva: ‘não queria ser um grande artista, nem um grande actor, escritor ou pintor. Ele queria ser o Tóssan e o Tóssan ele foi plenamente'”, considera o comissário da exposição, Jorge Silva, designer e fundador do atelier Silvadesigners.

Nascido em Vila Real de Santo António, em 1918, António Fernando dos Santos faleceu em 1991, em Lisboa, depois de uma vida artística multifacetada que o levou a passar pelo jornal Diário de Lisboa ou pela editora Terra Livre.

Tóssan: A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério reúne ilustrações, caricaturas, desenhos e rascunhos de um artista que não queria mais do que descobrir a própria identidade. “Era o humorista total, o poeta do absurdo, o declamador de memória prodigiosa, o incrível conviva que reinava em jantares e festas, desfiando ininterruptamente histórias fantásticas que muitas vezes eram apenas episódios da sua vida real, o eterno apaixonado pela infância, que brindava as crianças que não teve com jogos desenhados e papéis recortados. Tóssan era o vulcão explosivo que contagiava tudo o que tocava”, recorda Jorge Silva.

“Escrevia para a gaveta, em centenas de papéis rabiscados com ideias, esboços e poemas completos, de um non-sense e humor irresistíveis, a dar um sentido à vida, que Tóssan acreditava absurda. A célebre ‘Ode ao Futebol’, escrita em 1945, só veio a público em 1969, declamada no programa Zip Zip e impressa no jornal A Bola. Raul Solnado e Mário Viegas apreciavam-no e vaticinavam-lhe glórias que Tóssan nunca quis cumprir. […] Designer e ilustrador, foi tão bom como os melhores, sempre a favor dos ventos, mesclando nas páginas impressas as influências dos grandes artistas seus contemporâneos”, descreve ainda o coordenador da exposição.

Tóssan: A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério sucede à exposição Portugal Imaginário na galeria secundária da Casa do Design de Matosinhos, onde, recorde-se, continua a exposição Imprimere: Arte e Processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional, que assinala os 250 anos da fundação da Impressão Régia, precursora da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Rã no Pântano (1959)
Carneiro (1983)
Cão Pêndio (1959)
Gato (sem data)
Neorealista (1948)