Quando o botão de “gosto” é norma na internet, o Twitter pode remover o seu

Gostamos no Facebook, no Instagram e por aí fora. Também gostamos no Twitter, mas se calhar não por muito mais tempo...

No Twitter se ninguém responder, comentar ou clicar no “gosto” não significa que determinado tweet “não possa” existir. O mesmo não acontece em redes como o Facebook ou o Instagram, em que uma publicação sem “gosto” ou o “like” é entendido como uma publicação desinteressante – por nós, humanos, e pelos algoritmos também.

No Twitter, as interacções com o conteúdo partilhado têm algum peso e, à semelhança de outras plataformas, o “gosto” (anteriormente conhecido como “favorito”) tornou-se uma forma preguiçosa de manifestar uma posição. É por isso que o Twitter quer remover esse botão. Jack Dorsey, CEO da plataforma, admitiu na semana passada não ser fã dessa funcionalidade e que a empresa poderia removê-la “brevemente”. O objectivo? “Incentivar conversas mais saudáveis”, refere fonte oficial do Twitter.

Nos últimos tempos, o Twitter tem vindo a repensar algumas partes da sua rede social com esse propósito. Além da possibilidade de edição de tweets poder estar a caminho, permitindo aos utilizadores rectificar pequenas gralhas no momento imediato à publicação dos tweets, a empresa está a experimentar uma nova interface que incentiva as pessoas a responder a tweets e criar discussões, bem como uma nova opção que permite aos utilizadores colocarem um estado, indicando, por exemplo, que estão a assistir a uma conferência ou atentos a um determinado tópico – algo que poderá também incentivar o debate. Além disso, a empresa também mostrou um teste que reorganiza a forma como as respostas a um tweet aparecem.

Uma das experiências do Twitter: uma nova interface que incentiva às discussões (imagem via Twitter)

Em Junho, Jack anunciou uma profunda reorganização da estrutura empresarial do Twitter com vista a “tomar decisões mais claras”, a “fortalecer uma cultura mais forte”, a “ser mais ágil a fazer escolhas de engenharia” e, “mais importante, aumentar o nível de criatividade e inovação, que é uma fase na qual temos de entrar agora para continuarmos a ser relevantes e importantes para o mundo”.

A remoção do botão de “gosto” é uma decisão arriscada, principalmente se olharmos para o funcionamento de todas as outras plataformas sociais e à mecânica de gratificação social que existe associada a uma publicação ter sido “gostada” por X pessoas. O Twitter parece empenhado em fomentar diálogos positivos e construtivos, mais do que ser uma rede social onde as pessoas partilhem unidireccionalmente e a favor do seu ego.

O foco nas conversas saudáveis pode ser benéfico para o Twitter e ajudá-lo a posicionar-se como uma alternativa ao Facebook, por exemplo, que tem sido violentamente abalado por escândalos desde a Cambridge Analytica às “fake news” ou até a roubos de dados. O Twitter também tem tido os seus problemas com desinformação, interferências negativas em eleições, trolls, contas falsas, mas a agilidade de Jack Dorsey parece contrastar com as certezas de Mark Zuckerberg.