Os habitantes de cada cidade numa notável visualização 3D

Um trabalho para quem gosta de visualização de dados.

Os dados podem ser demasiado abstratos para a compreensão daquilo que nos querem dizer. Por melhores que sejamos com números, um gráfico interactivo ou um vídeo animado conseguem dar-nos uma perspectiva diferente de informação que, de outra forma, estaria condensada, por exemplo, numa aborrecida tabela. A tecnologia tem proporcionado muita coisa, incluindo uma nova disciplina – a da visualização de dados.

Matt Daniels é um cientista de dados. É um engenheiro informático e também um jornalista, fundador do The Pudding, um media que promete “explicar ideias debatidas culturalmente com ensaios visuais”. Matt, tal como o seu Pudding, são provas vivas de que o jornalismo e a tecnologia podem andar de mãos dadas e que os resultados desse casamento podem ser muito interessantes.

Um dos trabalhos apresentados por Matt é o “Human Terrain”, uma visualização de dados da população de cada cidade, vila e aldeia pelo mundo fora. O projecto recorre a informação disponível online de forma gratuita e aberta, nomeadamente do Global Human Settlement Layer, que reúne imagens de satélite, dados de censos e informação geográfica prestada por voluntários, para criar mapas da densidade populacional a nível global. Para processar os dados, Matt recorreu ao Google Earth Engine, mas para montar o mapa em si recorreu ao Mapbox.

Matt esclarece que em algumas partes do mundo, como a Índia e a China, a informação dos censos não é totalmente de fiar e remete para um artigo científico para explicar que existem advertências quanto ao uso do Global Human Settlement Layer para fins de investigação. Neste Google Doc, o autor do projecto detalha em maior profundidade a parte técnica do mesmo.

De resto, o “Human Terrain” é pornografia para quem gosta de visualização de dados. Permite, por exemplo, descobrir que Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, é maior que Paris, que Guangzhou, Hong Kong e Shenzhen formam uma super-cidade de 40 milhões de pessoas. Ou como evoluíram as nossas cidades de Lisboa e do Porto, isto porque além de permitir ver a população actual, este projecto digital dá uma perspectiva de como a população evoluiu de 1990 até 2015 e mostra mesmo quantos éramos em 1975.