Como são os bastidores de um grande evento de tecnologia

Neste artigo queremos desvendar como se desenrola um grande evento de tecnologia, como o de um lançamento de um smartphone, para que possas perceber melhor o que são aquelas referências estilo “jornal A viajou a convite da marca X” no final de alguns artigos e porque é que, de repente, todas os órgãos de comunicação, blogues de tecnologia e youtubers estão a falar de um novo telemóvel.

Um dos momentos mais aguardados: o hands-on nos novos equipamentos

Fui a Londres. Duas noites no hotel, tudo pago incluindo as refeições, janto num óptimo restaurante francês no centro empresarial da cidade, tive transporte assegurado para todos os locais previstos na agenda que previamente nos fizeram, e no final ainda me oferecem um smartphone. Esta é a parte bonita da história que provavelmente vamos contar aos amigos, mas, apesar de haver um lado divertido, esta foi uma viagem de trabalho. Não viajei sozinho, mas com mais quatro dezenas de pessoas, entre jornalistas, bloggers e youtubers de tecnologia. O que fui lá fazer? Assistir ao lançamento mundial do novo topo-de-gama da Huawei.

À espera de conhecer a nova série Mate 20 da Huawei

Todos os anos são lançados novos smartphones e, para as tecnológicas, são momentos importantes no seu calendário. Principalmente se estivermos a falar de equipamentos topo-de-gama, as marcas montam grandes aparatos para revelar os seus novos produtos a uma plateia composta sobretudo por jornalistas, mas também por bloggers, youtubers e muitas vezes figuras públicas do mundo do entretenimento televisivo. O intuito é colocar todos a falar do novo ou dos novos produtos e mediatizar o anúncio o máximo possível. A Apple foi a primeira a fazer dos lançamentos de novos produtos um ‘big deal’ com keynotes seguidas religiosamente por uma legião de fãs. Outras tecnológicas têm conseguido pegar nesse ‘molho secreto’ e também elas criar as suas conferências. Samsung, Huawei, Microsoft, Adobe, Facebook, Google… todas elas fazem hoje keynotes para contar à imprensa, blogosfera e agora também a “youtubosfera” sobre as suas novidades.

Se cabe à Huawei — a marca que nos convidou – proporcionar todas as condições para que nós possamos cobrir o seu evento, cabe a nós fazê-lo com a isenção e o rigor de sempre, abstraindo-nos de tudo aquilo que poderá ser interpretado como influência da marca. Neste artigo queremos desvendar como se desenrola um grande evento de tecnologia, como o de um lançamento de um smartphone, para que possas perceber melhor o que são aquelas referências estilo “jornal A viajou a convite da marca X” no final de alguns artigos e porque é que, de repente, todas os órgãos de comunicação, blogues de tecnologia e youtubers estão a falar de um novo telemóvel. É comum marcas pagarem viagens, alojamento e alimentação a jornalistas para estes cobrirem as suas iniciativas. Sem esse apoio financeiro, os custos teriam de ser suportados pelas redacções, pelos bloggers ou pelos youtubers que simplesmente não iriam aos eventos. É que, afinal de contas, o interesse é da marca, que consegue também assim criar uma relação próxima com os jornalistas e os órgãos.

A viagem começa numa zona sossegada do Aeroporto de Lisboa, adiantando algum trabalho
Apenas uma vista do avião

Chegámos a Londres na terça-feira, já cansados. O voo tinha atrasado e entre Heathrow e o nosso hotel ainda era a uma hora de viagem num autocarro que nos foi buscar à saída do aeroporto. No hotel, localizado junto numa zona periférica da cidade, o jantar esperava-nos. Posta a refeição, parte do grupo seguiu para os respectivos quartos; outros, como eu, continuaram a noite no bar do hotel. Entre uma ou duas cervejas, só fomos dormir perto das três da manhã – afinal de contas, não é todos os dias que temos a oportunidade de estar com colegas que já conhecemos ou conhecer novos colegas.

O jantar no hotel, oferta da Huawei

No dia seguinte, acordo cedo. Depois do pequeno-almoço, no hotel, tento perceber se dava para dar um passeio muito curto ao centro de Londres. Neste tipo de viagens, existe geralmente uma agenda feita pela marca, com horas e pontos de encontros que convém cumprir para não perdermos transportes ou filas. Apesar de termos a manhã livre e de existir estação próxima, estava a uns 45 minutos do centro de metro – ir e voltar seriam perto duas horas. Nisto decido dar um breve passeio pelas redondezas. perto de um aeroporto, o City Airport, um dos cinco de Londres. Algumas pessoas aproveitaram para trabalhar durante a manhã, adiantando o artigo sobre o telemóvel que seria lançado horas mais tarde ou gravando alguns pivôs (televisão) para depois. Havia quem já tivesse tido acesso ao smartphone previamente, tendo já o artigo ou o vídeo pronto para lançar à hora em que terminava o embargo.

Vista do quarto do hotel
Aeroporto por perto
Pontos de referência
A paisagem mais bonita na localização do hotel

O evento da Huawei estava marcado para começar às 14h00. Era ali ao lado, no ExCel London, um centro comercial que também serve de centro de conferências. Fomos a pé e lá esperamos numa fila para entrar. Como íamos a convite da da Huawei Portugal, não foi preciso fazer registo no local. Recebi uma pulseira, mostrei-a à entrada e tentei encontrar um lugar vago ainda na plateia. A confusão, como é natural nestes eventos, é muita. São muitas pessoas de diferentes países para este lançamento global. São sobretudo jornalistas, bloggers e youtubers, mas há também os chamados influenciadores. No caso português, uma dupla de actores dinamizou o Instagram da @huaweimobilept com publicações e Stories, o que para a marca é uma forma de sair do mundo dos “geeks” e posicionar-se junto das “pessoas comuns”.

Equipamento de vídeo de colegas
A caminho do ExCel London
A apresentação arrancou com um concerto de uma banda dinamarquesa
Houve, claro, ‘demos’ em palco

Foi uma conferência de mais de uma hora, bastante pormenorizada, durante a qual a Huawei mostrou quatro smartphones, um relógio e uma pulseira. Não havia bom wi-fi e, dado estar ali tanta gente, a rede móvel era fraca, deixando muitos que esperavam fazer um acompanhamento em directo do evento apeados. Anunciados os preços e a disponibilidade dos produtos – momento que geralmente encerra as apresentações deste tipo –, e quando já se ouviam alguns suspiros de cansaço, foi aberta a área de demonstração para a imprensa. Jornalistas e todos os acreditados como ‘media’ puderam aí tocar nos novos produtos e, com a ajuda dos assistentes e de ambientes criados pela marca, experimentar algumas das funcionalidades anunciados. Havia também comida e uma zona de mesas para quem quisesse adiantar ou finalizar um artigo.

O cobiçado hands-on
Os expositores ao redor dos quais várias pessoas se acumulam

Cada elemento de ‘media’ recebeu, no final, um dos smartphones anunciados, o Mate 20 Pro, que no mercado português custa 1049 euros. É comum a Huawei oferecer aos jornalistas que vão cobrir os seus eventos o equipamento ou um dos equipamentos anunciados. Mas antes, uma longa fila de espera até receber o telemóvel que fica associado ao nosso nome e não poderá ser vendido. É geralmente entregue um por órgão de comunicação social com o intuito de este poder fazer uma análise técnica. Mas a oferta dos smartphones é também uma forma de fazer dos próprios jornalistas, bloggers e youtubers influenciadores ou embaixadores da marca, mesmo que – no caso dos primeiros – seja junto do seu círculo de amigos, dado o código deontológico a que obrigatoriamente se sujeitam.

A fila que aguarda receber o novo Mate 20 Pro
De saída do ExCel London, um edifício que saltou à vista

O evento terminou pelas 16h30. Houve uma festa no local da conferência à qual faltei porque preferi adiantar o artigo e configurar o Mate 20 Pro. À noite fomos jantar no centro empresarial de Londres, onde deu para testar rapidamente a capacidade de fotografia nocturna do telemóvel e provar um belíssimo naco de carne. Tudo oferta da Huawei. O dia terminou novamente no bar do hotel, num ambiente informal, onde pude trocar algumas impressões com o responsável português da Huawei Portugal. Não foi uma acção planeada da marca, mas calhou, e bem.

O jantar

O dia seguinte foi o do regresso, bem cedo. A viagem do hotel para o aeroporto demorou duas horas porque foi feita a atravessar Londres – parece que pela auto-estrada iria demorar mais dado o trânsito, o que acabou por proporcionar uma visita geral à cidade, apesar do sono.

O regresso