Carros autónomos poderão mudar indústrias, negócios e até o sexo

Se não é preciso condutor, "podemos fazê-lo" no banco de trás... e no banco da frente, sob rodas.

Foto via Volvo/DR

A automação dos automóveis promete mudar o paradigma de mobilidade das cidades, a forma como viajamos e trabalhamos. Na verdade, ao não ser necessário uma pessoa a conduzir o veículo, o dispensável condutor e restantes passageiros poderão aproveitar o tempo da viagem para relaxar a caminho de casa ou ultimar uma apresentação para a reunião que se segue. Existem já alguns conceitos que apresentam os carros do futuro como pequenas salas de trabalho sob rodas ou sofisticadas salas de estar com televisão e mesa para café. Novos negócios poderão surgir, inclusive no mundo do sexo.

Um estudo intitulado “Veículos Autónomos e o Futuro do Turismo Urbano” prevê uma série de mudanças que os carros autónomos irão trazer e sugere que uma nova indústria do sexo irá surgir. Na verdade, hotéis que alugam quartos à hora para sexo poderão ser substituídos por veículos sem condutor para o mesmo propósito. “Particularmente em cidades onde existe regulamentação, a prostituição é legal e as leis permitem que os carros autónomos se desenvolvam rapidamente e cheguem às ruas rapidamente, podemos ver tudo isto junto rapidamente. A Europa é um desses sítios”, disse ao Fast Company o líder deste estudo, Scott Cohen, director de investigação na School of Hospitality and Tourism Management da Universidade de Surrey, no Reino Unido. Estamos a falar, por exemplo, de cidades na Holanda, mas também na Nova Zelândia ou no estado norte-americano de Nevada, onde o sexo é um trabalho legal. “Não é impossível nem assim tão difícil imaginarmos um ‘red light district’ sob rodas. A prostituição não precisa de ser legal para que isso aconteça. Muitas actividades ilegais acontecem no interior de carros.”

Estima-se que cerca de 60% dos norte-americanos já tenham feito sexo num carro, o que actualmente acontece quando estes estão parados num parque de estacionamento ou no meio de uma floresta – um cenário que é comum vermos representado no cinema. No entanto, apesar de os veículos autónomos já existirem e estarem a ser testados nas estradas (incluindo em Portugal), ainda não se sabe ao certo que medidas de segurança serão introduzidas para evitar que sejam utilizados para actividades ilícitas como tráfego de droga ou mesmo terrorismo na forma de bombas controladas remotamente.

Tal poderá passar pela introdução de sistemas tecnológicos sofisticados e de câmaras que permitiam vigiar o interior dos veículos e impedir esses problemas. “Apesar de [os carros autónomos] virem a ser provavelmente monitorizados para impedir os passageiros de fazer sexo ou usar drogas neles, essa vigilância poderá ser rapidamente ultrapassada, desactivada ou removida”, escreve Scott no estudo.

De resto, os investigadores acreditam que a automação automóvel irá mudar outras áreas de negócio, como os hotéis e os restaurantes. “As pessoas irão dormir nos seus veículos, o que terá implicações para a hotelaria à beira da estrada. E as pessoas irão também comer nos seus carros que passam a funcionar como restaurantes”, disse Scott ao Fast Company. Mas os carros autónomos poderão apenas mudar esses negócios: se calhar, em vez de oferecer um quarto ou uma mesa, os hotéis e restaurantes poderão disponibilizar serviços de quarto ou refeições em modo drive-in.

No final de contas, os automóveis sem condutor poderão alterar indústrias e criar novas formas de fazer negócio, mas o caminho até esses veículos chegarem às ruas ainda é longo. Os testes continuam para aperfeiçoar a tecnologia, o software e os sensores, e tornar estes carros capazes de prever a imprevisibilidade de uma estrada.