Não é só no Facebook e WhatsApp. Desinformação também corre no Instagram

Este artigo é importante para nos lembrar de que o Instagram, rede social com popularidade crescente, principalmente entre os públicos mais novos, também pode ser um veículo de desinformação.

Foto de Katka Pavlickova via Unsplash

No império do Facebook reinam as notícias falsas e a desinformação, que a empresa de Mark Zuckerberg tenta combater em colaboração com as autoridades e outras entidades a nível mundial mas sem sucesso até agora. Ao longo dos últimos meses, o Facebook tem vindo a identificar e bloquear contas com o propósito de desinformar e quebrar sociedades no contexto de eleições. No final de Outubro, a tecnológica anunciou ter removido 82 páginas, grupos e perfis de Facebook e Instagram criados no Irão para mexer com questões políticas, raciais e de imigração tanto no Reino Unido como nos EUA. Uma das contas de Instagram eliminadas na altura reunia mais de 28 mil seguidores; já uma das páginas de Facebook bloqueadas tinha mais de um milhão de seguidores.

O que o Facebook intersectou no final do mês passado foi apenas a ponta de um icebergue. No início de Novembro, após uma notificação do FBI, a empresa de Mark Zuckerberg actuou em 36 contas de Facebook, 6 páginas nesta plataforma e 99 contas de Instagram. Uma destas contas de Instagram tinha cerca de 1,25 milhões de seguidores, dos quais 600 mil localizados nos EUA. Já em Junho haviam sido eliminadas múltiplas páginas, grupos e contas de Facebook e Instagram com actividade no Irão e na Rússia. O Facebook suspeita – sem avançar certezas – que parte ou a totalidade dos perfis e páginas bloqueados agora em Novembro também estejam associados à Rússia através do Internet Research Agency (IRA), uma empresa de São Petersburgo descrita como uma “quinta de trolls” e cujas eventuais ligações ao Governo russo são dúbias. O Irão e a Rússia, em particular a IRA, foram também apontados pelo Twitter como promotores de desinformação política e social na sua plataforma.

Ao longo dos esforços do Facebook para combater aquilo que apelida de “maus actores”, a firma detectou ainda milhares de euros gastos em anúncios no Facebook e Instagram, eventos divulgados no Facebook. A actividade detectada decorreu sobretudo a partir de 2016, o ano do Brexit e da eleição de Trump – actividade essa que se estendeu a 2018 e que em alguns casos começou bem cedo: em 2012.

Exemplos de posts feitos pelas contas já removidas e partilhados pelo Facebook mostram referências evidentes ao actual Presidente norte-americano ou a Theresa May, a Primeira-Ministra britânica; são sobretudo memes com imagem e texto, mas também links para notícias falsas. Algumas dessas publicações surgem em inglês mas também noutras línguas, como árabe ou francês.

A temática das notícias falsas e da desinformação tem estado cada vez mais presente na agenda portuguesa, com um ano de três eleições à porta e com o caso do Brasil e do WhatsApp a ter tido por cá uma ampla cobertura mediática. O Diário de Notícias tem divulgado semanalmente casos e exemplos de desinformação a correr as redes sociais portuguesas, tendo obtido o eco de outros órgãos de comunicação de massas como a TVI. Se o assunto não deverá ser novidade para os leitores do Shifter, este artigo é importante para nos lembrar de que o Instagram, rede social com popularidade crescente, principalmente entre os públicos mais novos, também pode ser um veículo de desinformação. Não são só o Facebook e o WhatsApp.