3 exercícios filosóficos para não filósofos

Hoje, dia 15 de Novembro, comemora-se o Dia Mundial da Filosofia, que é fruto de uma iniciativa da UNESCO. Celebra-se, anualmente, na terceira quinta-feira do mês de Novembro.

Foto de Ben White via Unsplash

Filosofia para não filósofos – ou melhor, filosofia para todos. Até os filósofos precisam de praticar estes (e outros exercícios) diariamente. Caso contrário, o pensamento pode enferrujar ou tornar-se rígido, com preconceitos a toldar a visão ou demasiada areia na engrenagem.

1 – desafio: ler um livro de um filósofo

Uma das práticas diárias de alguém que se dedica à filosofia ou que a estuda, passa pela leitura. Ler um livro de um filósofo permite-nos dialogar com o seu pensamento e ampliar o nosso.

Vais ler coisas com as quais concordas, outras das quais duvidas e ainda outras com as quais discordas. Podem acontecer muitas coisas quando nos colocamos no lugar do filósofo e tentamos ver o mundo pelos seus olhos.

Podes vir a gostar ou não do filósofo – ou melhor, daquilo que te chega do seu pensamento, nos textos.

E como escolher o livro? Sugiro que comeces por um filósofo que te suscite alguma curiosidade. Experimenta a leitura de um dos diálogos de Platão, por exemplo. A regra deste desafio é simples: se o livro se mostrar difícil, assume que o vais tentar ler, pelo menos durante um mês. Intercala uma leitura filosófica com uma leitura não filosófica, para que o teu pensamento ganhe distância face à filosofia e depois possa mergulhar nela com dedicação.

2 – anunciar o que vamos dizer

Esta é uma regra de diálogo que aprendi com o professor Oscar Brenifier. Trata-se de uma regra simples e que pode ser levada para qualquer tipo de diálogo, não necessariamente filosófico. Pode ser útil, por exemplo, em reuniões de trabalho. Antes de falares, anuncia o que vais fazer: vou acrescentar uma ideia, vou contradizer, vou fazer uma pergunta, vou contar uma anedota, vou reforçar o que disseste, entre outros.

Isto exige que pensemos no que vamos dizer e na sua relação com o diálogo em curso. Além disso, tem como efeito a clarificação do discurso. Permite aos outros que analisem as tuas palavras com base no teu anúncio prévio.

O exercício, que é bastante simples, abre espaço para que se identificam momentos de mudança de ideias; algo que praticamos amiúde, mas do qual nem sempre temos consciência de quando ou como aconteceu.

Sim, pensar exige tempo e este exercício combate outro mal dos dias de hoje: temos todos muita pressa para dizer coisas e temos medo do silêncio.

3 – fazer perguntas à pergunta

Compra um caderno com o qual possas andar, para todo o lado. O desafio passa por registar uma pergunta por dia. Podes fazer esse exercício a qualquer hora do dia: o importante é que registes uma pergunta, todos os dias, durante um mês. No mês seguinte, pega na pergunta do dia um do mês passado e faz pelo menos três perguntas a essa pergunta: e por aí fora.

Desta maneira amplias o exercício do perguntar, a partir de uma interrogação. No final desse mês terás as 30 perguntas iniciais e ainda 90 que surgiram a partir dessas.

No mês seguinte, o desafio passa por responder a uma pergunta por dia. “Mas respondo a qual delas, Joana?” Sugiro que abras o caderno de forma aleatória e comeces a responder. Por escrito, sim. Tenho para mim que ler e escrever, usando o suporte papel e a caneta para o efeito, permite-nos um diálogo mais próximo com o nosso pensamento.

E isto é baseado numa história verídica – a minha.