Activar modo escuro pode ajudar a poupar bateria no telemóvel

Huawei, Samsung e Google já adoptaram o 'dark mode' nos seus sistemas operativos. Algumas apps também têm a opção escurecida. Em telemóveis OLED, o chamado modo escuro significa mais bateria.

Foto de Anton Ljungberg via Unsplash
 

Este ano, a Apple introduziu um modo escuro no macOS: não só é possível escurecer o sistema operativo, como os programadores que desenvolvem apps para o Mac podem dar essa opção aos utilizadores nas suas interfaces. Se no computador o modo escuro pode sobretudo ser mais agradável à vista em ambientes nocturnos, nos smartphones com ecrã OLED, como o são os de gama média e alta, existem vantagens ao nível da bateria: o modo escuro (ou ‘dark mode’) pode significar uma poupança.

Espera-se que uma das novidades do iOS 13, em 2019, seja um modo escuro – numa altura em que o OLED começa a ser padrão no iPhone, desde o lançamento do iPhone X no ano passado. Os iPhones XS são OLED, a excepção é feita para o iPhone XR, o modelo mais barato, que tem um LCD. A Huawei, por seu lado, introduziu um modo escuro este ano na versão mais recente do seu sistema operativo, o EMUI 9, anunciado com a série Mate 20; e a Samsung, líder no segmento dos smartphones, já revelou a próxima geração do seu sistema operativo também, o One UI, que está disponível para os equipamentos que lançou este ano em versão beta e que também traz uma opção de modo escuro. Tanto o EMUI 9 como o One UI são baseados no Android 9 Pie, apresentado este ano pela Google e que por defeito inclui já o modo escuro, permitindo a fabricantes como a Huawei e a Samsung facilmente introduzir essa opção no seu software.

À direita um ecrã LCD ao microscópio, à esquerda um OLED (fotos de Dennis Holzberg via Flickr; e de Matthew Rollings via Wikimedia)

Para perceber o impacto que o modo escuro pode ter na poupança da bateria é preciso perceber a diferença entre um ecrã LCD e um OLED. Num LCD, cada pixel é composto por cristais líquidos que não iluminam os pixeis; em vez disso, é necessária uma luz de fundo que, atravessando os cristais, dá as cores. Já num OLED, cada pixel é feito de LEDs, ou seja, por diodos emissores de luz (LED = Light Emitting Diode); assim, não existe necessidade de uma luz de fundo, cada pixel/LED funciona de forma isolada. Enquanto que num LCD a energia consumida pelo ecrã é para alimentar a luz de fundo, num OLED cada pixel pode ser ligado e desligado; e a energia é direccionada para cada pixel. Num OLED, para obter preto numa dada parte do ecrã basta desligar os LED correspondentes; é por isso que no OLED é possível obter preto verdadeiro e não uma versão aproximada como num LCD.

Os testes da Google

Num encontro recente com programadores Android, a Google apresentou dados que evidenciam poupanças na bateria quando é usado o modo escuro. Num dos slides da apresentação, comparou o consumo entre um Pixel (que teve ecrãs OLED desde a primeira geração) e um iPhone 7, cujo ecrã é um LCD. Mostrou também a economia energética que é possível em apps como o YouTube ou o Google Maps, que têm modo escuro; e até com o teclado GBoard, que qualquer utilizador pode instalar no seu equipamento Android e activar um tema escuro.

De notar que, apesar de o Android 9 Pie trazer a opção de modo escuro, grande parte das apps da Google, desenhadas com a linguagem Material Design, têm o branco como padrão, mas a tecnológica tem introduzido o ‘dark mode’ em várias das suas aplicações. O Android Messages, o YouTube, o Google Clock e o Google News são exemplos disso; também o Google Phone (exclusivo dos equipamentos Pixel mas disponível para todos graças ao trabalho de um programador) irá receber o modo escuro. Apps como o Twitter, o Pocket, o Feedly, o Telegram, o Reddit ou o Spotify têm os seus próprios temas escurecidos; o Facebook irá dar essa opção no seu Messenger e no seu WhatsApp.

E no iOS?

No iOS, apesar de não existir um ‘dark mode’ oficial, é possível emular uma alternativa através da funcionalidade Accessibility, colocando todo o smartphone a preto-e-branco. Um “teste extremo” realizado pelo site AppleInsider com um iPhone X verificou uma poupança de 60% da bateria durante três horas com alguns destes truques.

Foto de Mnm All via Unsplash

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