Os Pontos Negros voltam a palco para celebrar 10 anos de Magnífico Material Inútil

Concerto acontece dia 15 de Dezembro no Musicbox, em Lisboa, com o apoio do Shifter.

Foto de Vera Marmelo/DR

Duraram pouco mais de cinco anos mas o tempo de actividade foi mais do que suficiente para deixar marcas na música portuguesa. Os Pontos Negros foram entre 2007 e 2011 um dos grupos mais activos do rock português e para a história deixaram quatro discos: um homónimo, Magnífico Material Inútil, Pequeno Almoço Continental e Soba Lobi.

De todos, foi o segundo que teve uma melhor aceitação, tornando-se numa espécie de bandeira da banda saída do seio da FlorCaveira, cave da Igreja Baptista de Queluz e que chegou a gravar nos famosos estúdios de Abbey Road.

Em 2015 deram um ar da sua graça e juntaram-se n’A Noite do Crime Eléctrico a’Os Velhos e o Cão da Morte para uma noite nostálgica, mas a aparição não chegou para matar saudades de um grupo cujo final nunca foi bem compreendido — um sintoma típico da habitual negação dos fãs.

Em 2018, uma década depois do lançamento do disco Magnífico Material Inútil e, porque 10 Anos é Muito Tempo, Os Pontos Negros voltam a marcar encontro com quem quiser recordar a sua música e sobretudo a sua atitude, singular no panorama musical. O concerto é uma produção Aquário Clube, em parceria com a rubrica que também vive no Shifter e terá ainda Pedro Ramos a passar música dançante.

O palco escolhido para o regresso foi o do Musicbox, por onde passa muito da nova música portuguesa, o dia 15 de Dezembro e o preço dos bilhetes é de 8 euros.

Se não estás de memória fresca, recorda de seguida o que escrevemos – ou melhor, o que o Pedro Arnaut escreveu no 10 Anos é Muito Tempo – sobre o disco “destes miúdos”, 10 anos depois da FlorCaveira.

Nos fóruns e webzines melómenas, as comparações seguiam inevitavelmente para os Strokes. Mas oiça-se “Tempos de Glória” e destaque-se “eu só quero ver-me livre / Das tendências dos anos zero / Registar na minha memória / Tempos idos de glória”, e perceba-se que há uma relativa angústia em relação às comparações inerentes a um tempo em que já nada soa a novo e os Pontos Negros até soavam a novo no Portugal pós-2007.

São a única banda aqui representada e, na medida em que os Strokes se tornaram na melhor nova banda do mundo em 2001, os Pontos Negros também poderão dizer que foram a melhor nova banda de Portugal em 2008. Deve ser só a mim que o vídeo de “Magnífico Material Inútil” lembra o de “Sliver” dos Nirvana, mas sem tanto caos. Há comparações mais forçadas como poderão espreitar no resto do parágrafo. Tocaram em festivais, editaram por uma major, gravaram em Abbey Road. Hoje tocam de muito em muito tempo. À sua maneira também foram um motim. Reeditaram o disco em vinil.