Portugal não vai cumprir as metas de reciclagem para 2020

No ano passado, os portugueses aumentaram a produção de lixo em 2%, tendo gerado cinco milhões de toneladas, e passaram a separá-lo menos.

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Portugal está tão mal posicionado em relação às metas de reciclagem de resíduos urbanos impostas pela União Europeia para 2020 que, não só faz parte da lista negra da Comissão Europeia, como, no próximo ano, terá o acompanhamento técnico da mesma para assegurar o cumprimento desta legislação.

O Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2017 indica que, nesse ano, 57,4% de todo o lixo foi parar a um aterro e apenas 22% dos resíduos geridos pelos sistemas foram reciclados ou compostados. No ano passado, os portugueses aumentaram a produção de lixo em 2%, tendo gerado cinco milhões de toneladas, efeito da atenuação da crise económica e consequente aumento do consumo; por outro lado, reduziram a separação do lixo e o respectivo envio para reciclagem.

Assim “é impossível cumprirmos as metas para 2020 e muito difícil cumprir as de 2025 que nos exigem mais do dobro do que é a realidade dos nossos números”, diz Rui Berkemeier da associação ambientalista Zero. A Comissão Europeia tem estipulado que 55% dos resíduos terão de ser reciclados em 2025, 60% em 2030 e 65% em 2035.

Portugal está, desde Setembro, na lista negra dos países que não estão a fazer o suficiente para que as suas populações e economias beneficiem da economia circular, pelo que o acompanhamento de Bruxelas, a partir de 2019, pretende assegurar o cumprimento dos objectivos de gestão de resíduos e inclui assistência técnica, apoio de fundos estruturais e auxílio na partilha de melhores práticas.

Para começar a definir como chegar a estas metas, Portugal deveria já ter apresentado um Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) em Setembro, plano este que o Ministério do Ambiente diz que entrará em consulta pública até final de Novembro.

Carmen Lima, da Quercus, não se admira ao saber que as metas não são atingidas, referindo que a privatização da EGF (Environment Global Facilities, empresa europeia de referência do sector ambiental e líder no tratamento e valorização de resíduos em Portugal) levou a um maior controlo de custos e que “é preciso mudar a estratégia e tornar os resíduos recolhidos mais competitivos para serem valorizados”.

Para a ambientalista é importante a realização de “campanhas de sensibilização sobre a recolha selectiva junto das pessoas e não só nas escolas, pois há pessoas sem filhos e jovens que já não estão no sistema escolar e a quem é preciso chegar”.