Touradas. Tradição ou abolição, para onde é que os números apontam?

A possibilidade de descida do IVA para os espectáculos tauromáquicos decide-se dia 29. Os dados mais recentes apontam para uma descida contínua do número de espectáculos deste tipo e do número de espectadores que acorrem às arenas.

Foto de J Carlo Di Baldaciara via Flickr

Pela mão do PS, as touradas voltaram, nas últimas semanas, a discussão no Parlamento. O tema gerou controvérsia entre políticos e até dentro do próprio PS, ala parlamentar e Governo.

Para a ministra da Cultura, Graça Fonseca, este assunto “faz parte da forma como as polémicas se geram hoje em dia nas sociedades modernas. Olho para isso com pouca angústia. Não é um tema que me angustie, na perspectiva de hoje em dia vivermos todos muito das polémicas que duram uma semana, duas semanas, três semanas. Vamos ver.”

A possibilidade de descida do IVA para os espectáculos de tauromaquia de 13% para 6% fica decidida no próximo dia 29 pelo voto dos deputados. Tendo em conta esta proposta, apresentada pelo grupo parlamentar do PS, vejamos para onde é que os dados apontam.

Os números mais recentes, divulgados pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), revelam que, em 2017, foram realizados 181 espectáculos tauromáquicos, de um total de 184 aprovados. Albufeira e Lisboa mantiveram-se os dois concelhos com o maior número de espectáculos realizados nesse mesmo ano, com 26 e 13, respectivamente.

Uma análise por tipologia de praças mostra que o número de espectáculos tauromáquicos em praças fixas é muito superior ao número de espectáculos que se realizaram em praças ambulantes. Um total de 154 contra 27, respectivamente.

Ainda tendo em conta esta tipologia, as praças fixas são aquelas que mais público agrega, tendo levado às arenas 350 841 espectadores. Já as praças ambulantes agregaram 27 111 visitantes. Assim sendo, as percentagens de ocupação das praças fixas e ambulantes são de 93% e 7%. Para além disso, a IGAC avança que foram realizados espectáculos tauromáquicos em oito novos concelhos do país.

O mês de Agosto voltou a ser aquele que registou maior incidência de espectáculos tauromáquicos, um total de 49 eventos. Segue-se o mês de Setembro, com 34 espectáculos. Estes dois valores representam 27,07% e 18,78% da totalidade de espectáculos realizados.

Uma análise entre 2008 e 2017 mostra que, apesar de ter havido uma aumento do número de espectáculos desta natureza entre 2008 e 2009, a tendência mantém-se desde então numa descida permanente. Mais pormenorizadamente, em 2008 realizaram-se 307 eventos tauromáquicos. Em contrapartida, 2017 ficou-se pelos 181. O mesmo acontece para as “corridas de toiros” e, sobretudo, em relação ao número de espectadores que assistem a estes eventos, que passou dos 698 142, em 2008, para os 377 952, em 2017.

Já em Julho deste ano, o Parlamento tinha chumbado o projecto do PAN, que previa a abolição das corridas de touros. Nessa altura, registou-se também divisão entre os membros dos diferentes partidos. Contudo, o PS firmou a sua posição de que a tauromaquia se trata de uma “parte da cultura popular portuguesa e é “dever do Estado” proteger as manifestações culturais.

Em forte oposição continua o PAN que, na semana passada, assegurou no Fórum da TSF reponderar o voto no Orçamento tendo em conta a decisão final do IVA para as touradas, pois “torturar animais para divertimento não é cultura”, disse o deputado André Silva.