O Web Summit é ‘super-mega-tech’. E também humano

Nem só de tecnologia, de gadgets ou de robôs vive o Web Summit.

Foto de Diarmuid Greene/Web Summit

Fala-se de inovação, de criatividade, de jornalismo, de música, de publicidade, de política, de sustentabilidade – e tantos outros temas no Web Summit. Também se falou muito de ética, de confiança e de responsabilidade, no que diz respeito à relação dos cidadãos com a World Wide Web.

O que é que cada um de nós pode fazer para tornar a Web num mundo melhor?

Tim Berners-Lee – ou como prefiro chamar-lhe, o “senhor WWW” – esteve no Web Summit e, tal como refere o Mário Rui, tendo em conta que as suas aparições públicas são raras podemos dizer que foi um daqueles momentos que talvez não se repita. Em palco, Tim apresentou um contrato, o #ForTheWeb.

Vinte e cinco anos depois de termos começado a navegar na Web, o deslumbre deu lugar a uma série de questões sobre as quais urge pensar. A desinformação e as fake news, o discurso de ódio, o cyberbullying e as questões de segurança e privacidade – são alguns dos aspectos negativos da Web e com os quais já todos fomos confrontados. A este propósito, Dima Khatib, managing director da AJ+, falou-nos da responsabilidade dos jornalistas no que respeita à procura da verdade.

Voltemos ao contrato. #ForTheWeb pretende que governos, empresas e cidadãos se comprometam e se responsabilizem e contribuam para fazer da Web um mundo melhor. Isso exige esforço, disponibilidade e consciência, por parte de cada um de nós. “What happens in the web, stays in the web forever”e se é para ficar para sempre, que tal escolhermos melhor as palavras, as imagens, as acusações e as partilhas que fazemos? Pensar antes de publicar: eis algo completamente novo para muitos.

Brett Solomon (Access Now), Peggy Hicks (UN Office of High Commissioner for Human Rights) e Adrian Lovett (World Wide Web Foundation) à conversa com Belinda Goldsmith, editora chefe da Thomson Reuters Foundation (foto de Eóin Noonan/Web Summit)

Precisamos de uma nova declaração dos direitos humanos digitais?

Peggy Hicks (Nações Unidas) diz-nos que devemos pegar no que já temos, ou seja na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e fazer a leitura da realidade a partir daí. Há que ler e interpretar as palavras que constam da Declaração, que data de 1948, e aplicá-la às perguntas que temos, hoje, no nosso quotidiano.

Acontece que, quando a Declaração foi redigida, o acesso à internet não se apresentava como um direito humano. E será que é? Sim. É um direito novo e emergente e tem fins que vão além do divertimento ou do marketing: pode ser uma forma de nos mantermos vivos ou de permitir que outros se salvem.

No debate cuja pergunta orientadora era se seria necessária ou não uma nova declaração dos direitos humanos digitais, Adrian Lovett (Web Foundation) sublinhou que é necessário fazer esforços para que a internet esteja acessível a todos, e não somente a metade dos humanos que vagueiam pelo planeta Terra.

“Levem toda a vossa humanidade para o trabalho”, disse Lovett, que sublinhou a importância de espaços como a Web Summit onde os engenheiros podem encontrar-se com quem estuda a ética, por exemplo; dialogando e procurando soluções para os problemas que todos os dias invadem a Web. Problemas que afectam os seus utilizadores e também os outros, que ainda não utilizam não por opção, mas por não lhes ser disponibilizado o acesso.

Foto de Seb Daly/Web Summit

Ligar ou desligar?

O equilíbrio entre o online e o offline é possível, sendo até um dos objectivos de pessoas como de Ben Silbermann, CEO da rede social Pinterest. Dá trabalho e até pode exigir alguma disciplina. Como tudo na vida, não?