Porquê Abrantes? – a comunidade do 180 Creative Camp

Abrantes pode ser uma cidade pequena, mas consegue criar todo um mundo novo para aqueles que se deixam levar pela experiência.

Foto de Sofia Borba

Durante uma semana por ano, no contexto do 180 Creative Camp, Abrantes recebe mais de uma centena de visitantes ansiosos por trazer inspiração e novas ideias para refrescar a cidade. Com o fecho da sétima edição do 180 Creative Camp, quisemos reflectir sobre a relação que se foi criando entre os nossos participantes, artistas e a cidade, pensar na identidade de Abrantes e ver como as gerações mais velhas podem ser uma fonte de inspiração para as mais novas.

Assim, Porquê Abrantes? é uma série de artigos que te vai convidar a pensar sobre estes tópicos, dando início com o primeiro capítulo sobre a comunidade do 180 Creative Camp.


 

As sinuosas e estreitas ruas de Abrantes retratam a beleza da arquitectura regional. Aqueles que acabaram de chegar a Abrantes não demoraram a perceber que o amarelo faz parte da sua identidade, combinado com outros tons de branco, verde e azul nas fachadas e muralhas da cidade. Abrantes é conhecida pelas suas flores e pelo miradouro com uma vista única a partir da torre do castelo. “Quem me dera que a minha cidade fosse assim”, podia ouvir-se do grupo de participantes durante o seu primeiro passeio pela cidade.

Foto de Sofia Borba

Para além do charme da cidade, o seu silêncio e tranquilidade foram recebidos com curiosidade. Porque é que fecha tudo tão cedo? Não há outdoors na cidade? Onde é que estão todos?

Mal eles sabiam que em Abrantes, tal como em várias cidades portuguesas, o estilo de vida é bastante calmo e relaxado. Não há pressa e então com o calor de verão, por vezes, é mesmo difícil encontrar alguém pela cidade. O centro histórico, onde a maioria das actividades do 180 Creative Camp acontece, tem sido pouco frequentado pelos abrantinos. Muitos dos locais vivem fora do centro, pelo que as ruas têm por norma pouco movimento.

Para muitos participantes e artistas, esta foi a sua primeira vez em Portugal. Para outros, Abrantes foi o primeiro sítio que visitaram na Europa. Como será que se sentiram ao chegarem a Abrantes, vindos de Nova Iorque, Londres ou Singapura? O que podem encontrar aqui? O que podem cá deixar?

Foto de Viktoriya Hrynevych

Ioana Lupascu, uma participante romena que vive actualmente em Londres.

Eu já tinha ido a workshops especializados em design ou arquitectura em cidades maiores, em capitais. Inicialmente, não sabia como seria fazer isso numa cidade pequena, mas agora, percebo que é bem mais agradável. É uma experiência completamente diferente por ser num sítio onde facilmente te sentes em casa. Não te sentes perdido, onde quer que vás encontras sempre outros participantes. Não te distrais tanto com o que acontece à tua volta, estás muito mais inclinado a ter uma conversa com as pessoas… Podes fazer as coisas com calma.

Foto de Sofia Borba

Jordy Van Den Nieuwendijk é um ilustrador holandês, pintor e Professor de Desenho na Royal Academy of Art, em Haia. Durante o 180 Creative Camp, liderou um workshop com o objectivo de criar uma identidade para uma micro-nação com recurso a pincéis e tinta.

Eu gosto muito de passear pelas ruas da cidade e apreciar a sua tranquilidade, conhecendo assim os abrantinos, na maioria os mais velhos. Foi muito bom ter tempo livre para pensar um pouco. Tu podes ler, sentar-te lá fora e pensar sobre o que gostarias de fazer.

Foto de José Guilherme Marques

Charissa Kow, criadora de conteúdos para redes sociais, voou de Singapura até Portugal apenas para participar no 180 Creative Camp.

É uma cidade muito bonita. É muito calma. E chegámos a um domingo. Eu acho que todas as lojas estavam fechadas e não havia ninguém… É uma experiência muito interessante passear pela cidade onde não há mesmo ninguém. E eu pensei: será que eles fecharam a cidade só por causa do Camp? É muito agradável estar numa cidade tão pequena porque em pouco tempo começas a reconhecer as pessoas, principalmente as pessoas mais velhas que saem para dar uma volta com o seu cão. É muito querido.

Foto de Viktoriya Hrynevych

Lorena Cao, uma participante espanhola que vive em Berlim.

Durante este tipo de campos… é algo que te lembras de fazer em criança. Eu acho que é importante fazer-se isto também enquanto adulto. É importante aprender com as pessoas, principalmente na nossa idade. É muito interessante ver como evoluímos ao estarmos a viver todos juntos. Eu acho que é algo muito bom e que devíamos fazer mais vezes, principalmente em cidades pequenas como esta e com todas estas pessoas criativas que conhecemos.

A semana de criatividade em Abrantes é também uma semana de lazer e inspiração, conhecimento e networking. Temos a certeza de que as ligações que se fizeram durante o 180 Creative Camp resultaram em projectos bonitos e amizades memoráveis. Acreditamos que estas oportunidades de se “conectarem” através do offline, trocarem ideias e conversarem enquanto partilham o almoço ou passeiam pela cidade, são uma importante fonte de inspiração para os jovens criadores. Abrantes pode ser uma cidade pequena, mas consegue criar todo um mundo novo para aqueles que se deixam levar pela experiência.

Foto de Viktoriya Hrynevych