Google disponibiliza endereço Duck.com ao seu concorrente, DuckDuckGo

“Estamos agradecidos à Google por ter transferido o proprietário do Duck.com para o DuckDuckGo. Ter o Duck.com vai tornar mais fácil para as pessoas usarem o DuckDuckGo”

Existem mais motores de busca para além do Google. O Bing, o Qwant e o DuckDuckGo são dois bons exemplos. O primeiro pertence à Microsoft e está presente, por exemplo, por defeito no Windows e nos outros produtos da empresa. Já o DuckDuckGo — tal como o Qwant — distingue-se como um motor de busca que promete não monitorizar os seus utilizadores, nem vender os respectivos dados.

Até há bem pouco tempo, o endereço para usar o DuckDuckGo era o duckduckgo.com – e, para que não restem dúvidas, vai continuar a sê-lo. Contudo, a partir de agora é possível digitar apenas duck.com para chegar até ao destino final. Isto porque a Google decidiu “desprender-se” do domínio duck.com que detinha.

Além do google.com, a Google tem uma série de domínios registados por uma variedade de razões: por exemplo, googel.com e gogole.com pertencem à Google e direccionam os utilizadores para a homepage certa evitando a exploração em esquemas de phishing; a tecnológica californiana terá adquirido estes domínios para, por um lado, levar os internautas que se enganem com uma ou duas letras para o URL certo e, por outro, para evitar que terceiros registem esses domínios para direccionar os mais desatentos para páginas fraudulentas.

A Google ficou com o duck.com quando adquiriu em 2010 a empresa On2 Technologies, anteriormente conhecida como Duck Corporation e dedicada ao desenvolvimento de codecs de vídeo. Desde então, o endereço duck.com passou a redireccionar para a homepage de pesquisa da Google, apesar de poder ser útil a um dos seus principais rivais, o DuckDuckGo.

Criado em 2008 pelo norte-americano Gabriel Weinberg, este é especialmente popular entre os internautas mais preocupados com a sua privacidade online.

A homepage do DuckDuckGo

Na homepage do serviço de pesquisa, é possível ler as suas promessas: não recolhe nem partilha dados pessoais dos utilizadores, não guarda o histórico das pesquisas, não monitoriza a actividade online dos internautas, tanto no browser em modo ‘normal’ como em janelas privadas. “Outros motores de busca monitorizam as suas pesquisas mesmo em modo privado. Nós não monitorizamos – ponto”, lê-se. Com mais de 30 milhões de pesquisas por dia, o DuckDuckGo pode ser definido nos browsers Safari e Firefox como o motor de busca padrão. Parte do código do motor de busca está disponível em modo aberto no GitHub, apesar de o código base da plataforma ser proprietário.

Concorrência desleal?

“Estamos agradecidos à Google por ter transferido o proprietário do Duck.com para o DuckDuckGo. Ter o Duck.com vai tornar mais fácil para as pessoas usarem o DuckDuckGo”, disse Gabriel Weinberg em comunicado. Pelas palavras do fundador e director executivo do DuckDuckGo, a Google terá simplesmente transferido o domínio, não tendo existido qualquer negócio monetário envolvido.

Em Julho passado, aquando da volumosa multa da União Europeia à Google por atitudes de concorrência desleal, o DuckDuckGo disse num conjunto de tweets que o facto de o duck.com pertencer à Google e apontar para a homepage desta “confundia constantemente os utilizadores do DuckDuckGo”. Na thread de tweets, a empresa de Gabriel Weinberg escreveu também que “até ao ano passado era impossível adicionar o DuckDuckGo ao Chrome no Android” e que “durante muito tempo foi também impossível remover o widget [do Google Search no Android] sem instalar um launcher que efectivamente mudasse por completo a forma do OS funcionar”. Mas – continua – o Android não é o único problema: “Sempre que actualizamos a nossa extensão para o browser Chrome, todos os utilizadores são confrontados com uma janela oficial a perguntar-lhes se não querem reverter as suas definições de pesquisa e desactivar toda a extensão.”