“Nunca se é demasiado pequeno para fazer a diferença” ou o interesse especial de Greta Thunberg

A jovem sueca de 15 anos não entrou em discursos complexos nem se fez valer de qualquer tipo de jargão técnico para que lhe pudesse dar mais credibilidade, mas mesmo assim deixou o auditório da Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas na Polónia sem palavras.

Greta Thunberg tem 15 anos e desde o início da semana que está nas bocas do mundo. Depois de discursar em plena Cimeira do Clima da Organização das Nações Unidas (COP24), na Polónia, a jovem sueca tornou-se num autêntico fenómeno de popularidade, com a simplicidade e acutilância das suas palavras a servirem como o seu cartão de visita. Uma pesquisa sobre a sua história mostra-nos que esta não foi a primeira proeza da activista que tem conduzido protestos de estudantes no seu país Natal, a Suécia, ao ponto de inspirar réplicas na Austrália e de ser protagonista de notícias de imprensa internacional.

Num dos mais importantes eventos do mundo sobre o tema, marcado pelos resultados alarmantes do incumprimento por parte de alguns países do Acordo de Paris, Thunberg não entrou em discursos complexos nem se fez valer de qualquer tipo de jargão técnico para que lhe pudessem dar mais credibilidade, mas mesmo assim deixou o auditório sem palavras. Foi simples e fez críticas incisivas à forma imatura como os líderes mundiais abordam uma questão tão importante, num discurso naif, no melhor sentido da palavra, mas iluminado.

Greta começou por fazer alusão aos headlines que os protestos na Suécia que desencadeou suscitaram durante este ano, numa espécie de afirmação de que querer é poder: “Se um grupo de crianças é notícia simplesmente por não ir à escola, já imaginaram o que podem fazer vocês se se juntarem?”

“Vocês não são maduros o suficiente”, acusou entretanto a estudante, referindo que as consequências do ambiente são “um fardo” que será colocado nas mãos das crianças: “Dizem que amam os vossos filhos mais do que tudo, mas estão a arruinar o seu futuro perante os seus olhos”. Greta afirma mesmo que os líderes presentes só se preocupam em falar do crescimento económico verde porque têm medo de ficarem mal vistos e perderem popularidade.

“Não me importo se sou famosa. Importo-me sim com a justiça climática e com o planeta”, disse com a convicção ingénua de quem quer ver mudanças, perante a plateia do COP24.

A Cimeira do Clima terminou este Sábado na Polónia, e após duas semanas de intensas negociações foram finalmente definidas as regras para implementar o Acordo de Paris. Em declarações ao jornal Público, a associação ambientalista Zero refere que a conferência “conseguiu finalizar o livro de regras do Acordo de Paris” mas “infelizmente não se conseguiu mobilizar suficiente vontade política” para promessas climáticas mais ambiciosas nem para “garantir o apoio financeiro adequado para os países em desenvolvimento lidarem com impactos climáticos devastadores”.

A história de Greta é sem dúvida um exemplo inspirador que pode ser conhecido na imprensa internacional, por exemplo no perfil elaborado pela conceituada revista New Yorker. A jovem é filha de um actor e de uma conhecida cantora de ópera sueca e sofre, tal como a sua irmão, de distúrbios de atenção e de um tipo de autismo moderado. Conforme confessa à New Yorker é essa sua condição que a torna tão interessada e reinvindicativa no tema das alterações climáticas.

“Eu tenho um interesse especial. É muito comum que as pessoas no espectro do autismo tenham um interesse especial.”