Porque é que em Portugal temos o hábito de legendar em vez de dobrar?

J. B. Martins, apaixonado por cinema e autor do blogue CINEBLOG, decidiu ir procurar o motivo pelo qual em Portugal se legendam filmes e séries em vez de os dobrar.

J. B. Martins, apaixonado por cinema e autor do blogue CINEBLOG, decidiu ir procurar o motivo pelo qual em Portugal se legendam filmes e séries em vez de os dobrar, como acontece lá fora, como no Brasil ou Espanha. A explicação é dada através de um vídeo animado.

Inspirado no estilo dos explicadores da Vox, o vídeo explica que a legendagem de conteúdos em Portugal tornou-se um hábito depois de, durante o Estado Novo, a dobragem ter sido proibida, uma medida com o intuito oficial de “garantir a genuinidade do espectáculo cinematográfico nacional”, protegendo-o da indústria norte-americana. Dado 50% da população nacional ser analfabeta, para Salazar esta terá sido uma medida eficaz para afastar uma vasta maioria de pessoas de conteúdos estrangeiros, potencialmente perigosos para o Antigo Regime, e de promover o cinema português, ou seja, o cinema aprovado pelo Estado Novo.

Mais tarde, em 1971, a dobragem foi autorizada mas estava pendente de um regulamento que nunca existiu; só em 1993 é que foi legalizada em Portugal, mas, como velhos hábitos são difíceis de mudar, a legendagem permaneceu bastante popular no cinema e na televisão. A dobragem, essa, só vingou junto dos conteúdos infantis, deixando até hoje analfabetos de fora da possibilidade de consumir conteúdo estrangeiro, mesmo nos canais do serviço público.

J. B. Martins, do CINEBLOG, já tinha feito outro vídeo dedicado à legendagem em Portugal, em especial às diferenças entre tradução e transcrição.