Luxemburgo prepara-se para ser o 1º país com transportes públicos gratuitos

A medida segue a abordagem que já vinha sendo característica do governo de Bettel nos últimos anos apostando na facilitação do acesso aos transportes públicos.

Foto de Mauricehooikammer via Flickr
 
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Numa tentativa de matar dois coelhos com uma cajadada só e de, simultaneamente, reduzir o trânsito na densa cidade do Luxemburgo – enquanto de algo modo se contribui para a redução das taxas de emissão de carbono –, o Grão-Ducado prepara-se para ser o primeiro país da Europa a tornar a sua rede de transportes pública gratuita.

O Luxemburgo, um dos países mais pequenos e mais centrais da Europa tem características muito específicas, o que torna as suas políticas igualmente distintas e os modelos difíceis de replicar, ainda assim não deixa de ser um marco simbólico e uma iniciativa a observar. A capital do grão-ducado, a cidade do Luxemburgo, alberga cerca de 100 mil pessoa mas é diariamente sítio de trabalho para perto de 400 mil sendo que parte delas atravessam as fronteiras de Bélgica, França e Alemanha no seu trajecto habitual até ao trabalho. O resultados destes fluxos é um enorme congestionamento das principais vias que, apesar das infraestruturas criadas – como os parques de estacionamento centrais –, fazem do Luxemburgo uma das cidades onde se perdem mais tempo no trânsito.

A medida segue a abordagem que já vinha sendo característica do Governo de Bettel nos últimos anos apostando na facilitação do acesso aos transportes públicos. Já este Verão o executivo tinha tornado gratuitos os transportes para qualquer pessoa até aos 20 anos, medida que se juntava à existência de shuttles para as escolas, ao mPAss – um passe anual que custa apenas 150 euros e abrange todos os transportes – e ao bilhete que custa apenas 2 euros por cada 2h e que, num país tão pequeno como o Luxemburgo, permite fazer a travessia completa.

Xavier Bettel, do Partido Democrata, viu o seu mandado recentemente renovado num processo eleitoral, que resultou numa nova formação de Governo, onde se juntam os partidos mais à esquerda, nomeadamente os socialistas e os verdes, e num reforçar dos seus poderes gerais uma vez que subiu um posto entre as preferências dos eleitores.

A medida de tornar os transportes públicos gratuitos surge então na ressaca dessas eleições, apresentado-se como uma das primeiras medidas do recém-empossado governo que, segundo o jornal The Guardian, pretende introduzir uma série de outras medidas de índole liberal como a legalização da canábis ou outras como a criação de mais dois feriados nacionais. De resto, e segundo o mesmo jornal, a medida da legalização da Cannabis tem sido aquela que tem gerado mais debate – é preciso ter em conta que o Partido Social Cristão de Jean-Claude Juncker é a maior força política do país, ainda que não faça parte da maioria parlamentar.

A medida de gratuitidade dos transportes públicos deverá ser completamente detalhada durante o ano de 2019, esperando-se que entre em vigor em 2020, ano em que deixará de haver fiscalização de bilhetética nos transportes luxemburgueses.

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