As expectativas de “Salto” em altura

Um dos discos do ano, esmiuçado ao vivo no Lux.

Foto de Teresa Lopes da Silva/Shifter

Antes de abrirmos as hostilidades, é necessário algum contexto. Um dos melhores discos nacionais do ano foi apresentado ao vivo na quinta-feira passada em Lisboa. Os Salto superaram as expectativas com a produção do seu terceiro disco de originais, Férias em Família, e alguns melómanos ocuparam o Lux para perceber como o disco soaria sem auscultadores ou aparelhos de som caseiros.

A argumentação por detrás da qualidade do disco defende-se facilmente, com uma mestria cuidada dos seus arranjos, como se denota no single “Rio Seco“ ou até na mais simples canção “Memória de Elefante”; domínio rítmico e melódico em riffs, presentes em “Cantar até Cair“ e “Casa de Campo“; e a presença de refrães orelhudos como se vê exemplo em “Cantar até Cair” ou “Teorias”. Fora a enumeração, a sua audição continua é fluída e de agradável regozijo. Por outras palavras, o disco é bom que dói.

É apenas natural que a composta sala do Lux tivesse expectativas elevadas para a sua apresentação. A setlist começou tal e qual como o disco e a banda entrou forte com as primeiras canções. Notou-se algum nervosismo na pouca interacção com o público, mas a execução das músicas pouco sofreu com esse detalhe. No entanto, os praticamente inexistentes intervalos entre canções deram azo a uma sensação de despacho, quase de desconforto em palco. A existência de alguns problemas técnicos poderá ter dado origem a essa sensação, pois o espectáculo de luzes pareceu descoordenado e o som não ficou atrás, com uma mistura que não permitiu uma apreciação mais fiel ao álbum. Em contraste, devemos, ainda assim, destacar o bom momento que foi a medley de “Deixar Cair” com “Por Ti Demais”, que sublinhou a presença do público.

A banda ainda vai levar o disco ao Porto, na Casa da Música, no dia 2 de Fevereiro de 2019. Já em Lisboa, ficámos com a sensação de falta de justiça feita a um disco tão forte. Fez-se sentir a ausência de palcos da banda, mas os refrões levámo-los para casa.

Fotos de Teresa Lopes da Silva/Shifter