E o vídeo mais odiado na história do YouTube é o ‘rewind’ deste ano

Ultrapassou o “Baby” de Justin Bieber.

Quando um dia depois de o “YouTube Rewind 2018” ter saído escrevemos sobre ele, abordámos a sua limitação geográfica – youtubers portugueses, por exemplo, são deixados de fora destes vídeos – e outras críticas que globalmente estavam a surgir em relação ao mais recente ‘rewind’. Na altura, o vídeo era já um dos mais disliked no YouTube e, dias depois, tornou-se o segundo com mais ‘dislikes’ em toda a plataforma.

Quando por fim ultrapassou o videoclipe de Justin Bieber para “Baby”, o “YouTube Rewind 2018” bateu no fundo do poço. Somam-se mais de 11 milhões de ‘dislikes’, com “Baby” abaixo dos 9,9 milhões. Se calhar as múltiplas notícias, vídeos e tweets sobre o recepção negativa deste ‘rewind’ ajudaram a impulsionar o número de ‘dislikes’, mas o que é certo é que a comunidade do YouTube não aprovou de todo o mais recente vídeo.

Como os ‘rewinds’ anteriores, o YouTube Rewind 2018 era suposto ser uma celebração do ano que agora chega ao fim, resumindo os principais momentos e reunindo alguns dos criadores da plataforma. O YouTube faz ‘rewinds’ desde 2011, com os vídeos a terem tido um declínio na aceitação da comunidade nos anos mais recentes. O YouTube e a Portal A, a agência que produz estes vídeos, ter-se-ão apercebido desse crescente feedback negativo e terão tentado mudar o rumo este ano, produzindo um vídeo que, por um lado, agradasse aos criadores de conteúdo que alimentam a plataforma mas que, por outro, fosse apelativo a anunciantes

Percebe-se o porquê da preocupação do YouTube em fazer dos ‘rewinds’ resumos do ano que agradem às marcas que investem na plataforma. São elas que mantém o YouTube enquanto empresa, subsidiária da Google, sustentável financeiramente e permitem também que os youtubers possam sustentar o seu trabalho; o ‘pitch’ do YouTube para os criadores é muito simples: publicam aqui o vosso trabalho sem pagarem por isso e sem vos pagarmos, nós distribuímo-lo para uma rede de mais de mil milhões de utilizadores, e parte das receitas que fazemos com a publicidade que aparece antes, no meio e ao lado dos vossos vídeos convosco.

Este modelo tem resultado e permitido que criadores que consigam um milhão de visualizações por dia façam no YouTube cerca de 60 mil dólares por mês, enquanto que outros youtubers, mais pequenos, conseguem fazer uns 4 mil dólares por mês. Os números são díspares entre si mas mostram a ordem de grandeza do que se pode ganhar no YouTube. Os anunciantes são importantes para o YouTube e nem sempre a empresa tem conseguido captar a sua confiança.

O que diz a comunidade?

“Acho que o problema com o YouTube Rewind, pelo menos da forma como o vejo, é muito simples na verdade. Youtubers e criadores e audiências veem-no de uma forma e o YouTube, que está encarregue de o fazer, vê-o de uma forma completamente diferente”, disse Marques Brownlee (aka MKBHD) num vídeo em que aborda a polémica. Marques foi um dos criadores convidados a fazer parte do ‘rewind’, e argumenta que o YouTube está a tentar agradar a todos e a tentar colocar tudo o que se destacou no ano num único vídeo, o que é uma tarefa complicada de cumprir.

Também Casey Neistat, que apareceu no ‘rewind’, decidiu atacar a polémica; tal como Philip DeFranco, apesar de, ao contrário de MKBHD e Casey não ter aparecido no vídeo deste ano. Os três vídeos dão uma boa ideia do que está a passar e do que está em causa: