Honor: os smartphones chineses que já fazem furor fora do online

Enquanto que fabricantes como a Apple, a Samsung e a Huawei têm aumentado os preços dos seus smartphones – topos-de-gama de alto a baixo –, há um conjunto de marcas chinesas que tem vindo a conquistar cada vez mais consumidores, especialmente os mais jovens.

Foto de Shifter/DR

Comprar online é um hábito que tem vindo a crescer significativamente em Portugal desde o início da década. Se em 2010 estimava-se que apenas 15% dos portugueses o fazia, em 2018 essa percentagem já tinha subido para 37%, segundo números do INE. Ainda assim, olhando para o panorama europeu, Portugal está abaixo da média dos 28 Estados-membro, que se situa nos 60%. Os bens de electrónica representam, comparativamente com outras categorias de produto, das compras online menos frequentes, sendo que, numa análise por faixa etária, são os mais novos quem mais compra tecnologia através da internet.

Talvez por isso marcas de smartphones como a Honor se centrem num target jovem. Tal como outras chinesas (OnePlus, Xiaomi, Vivo, Oppo…), a Honor aposta sobretudo em venda online – o facto de não gastar com a abertura de lojas próprias ou com acções de promoção em retalhistas como uma Worten permite, em conjugação com outros factores, disponibilizar hardware bastante competitivo em termos de preço.

É por esse “value-for-money” ou “relação qualidade-preço” que as fabricantes chinesas de smartphones têm vindo a conseguir um bom hype. Quão bom? Na lista das cinco marcas mais vendidas a nível global, três delas são chinesas: a Huawei (que, apesar de actuar também no segmento de média gama, compete cada vez mais com os topo-de-gama da Samsung e Apple), a Xiaomi e a Oppo.

A Huawei é um caso particular nesse top: tanto compete no mercado de topos-de-gama com a Samsung e a Apple, como apresenta um vasto portefólio de smartphones da gama média. E neste capítulo é preciso incluir a sua sub-marca Honor. Distinguir a Huawei e a Honor não é fácil, apesar de as duas dizerem que são independentes apesar de partilharem alguns recursos, como os de engenharia. A consultora IDC, responsável pelo top 5 supra referido, “arruma” a Honor debaixo da Huawei e a própria Huawei o faz quando anuncia ter vendido 200 milhões de smartphones em 2018 (mais 50 milhões que no ano anterior), sucesso que se deve às séries P20 e Mate 20 da Huawei mas também ao Honor 10. Para o público, a principal diferença entre a Huawei e a sub-marca Honor é esta não ter presença “oficial” em loja física.

Isso não quer dizer que não se possa comprar Honor numa Worten ou numa Phone House – a marca tem vindo a criar parcerias com alguns retalhistas para distribuírem os seus produtos. É uma estratégia que complementa a estratégia de venda online, com a qual o seu público-alvo está bastante familiarizado. Do mesmo modo que a Honor, encontrar produtos da OnePlus ou da Xiaomi em lojas físicas também não é algo garantido pelas marcas, apesar de ser possível, devido ao interesse das lojas, que, todavia, não conseguem igualar os preços ao online.

A Honor não se tem saído nada mal, de acordo com dados divulgados numa conferência de imprensa em Lisboa. Apesar de já vender para e em Portugal há alguns anos, a Honor diz querer agora apostar em força no território nacional, tendo começado a criar uma equipa local. Lá fora, e em particular na vizinha Espanha, a Honor tem tido um crescimento brutal; não só em Espanha, mas também em França, no Reino Unido, na Índia e na Rússia. Na China, o seu país-Natal, assume o estatuto de marca online de smartphones número 1. Em Portugal, a Honor é vendida pela Phone House em loja online e física desde Novembro, por altura do Black Friday, tendo-se tornado em dois meses a 5ª marca mais vendida daquele retalhista.

Foto de Shifter/DR

Na Phone House e noutras lojas como a Worten ou o El Corte Inglés, é possível adquirir os modelos Honor 10 e Honor 9 Lite, que a nível europeu obtiveram vendas de 1,5 milhões de unidades e de 2 milhões de unidades, respectivamente. A marca está agora a lançar o Honor 10 Lite, um equipamento de 250 euros que oferece boas especificações para o preço de venda: um ecrã LCD 18:9 que ocupa praticamente toda a parte frontal do equipamento, processador de oito núcleos (HiSilicon Kirin 710), 3 GB de memória RAM, 64 GB de armazenamento interno, suporte para cartão microSD, o mais recente Android 9/EMUI 9, câmara traseira dupla de 13 MP e 2 MP, câmara frontal de 24 MP, bateria de 3400 mAh que se carrega por microUSB (yup, nada de USB-C).

O Honor 10 Lite é, como a designação “lite” sugere, um modelo abaixo do Honor 10, comercializado por 400 euros na Phone House. Para este ano, a Honor conta obter uma quota de mercado de 5%. A presença física – ainda que sem o mesmo “aparato” de uma Huawei – pode ajudar a fazer crescer a notoriedade em torno da Honor e, quiçá, apresentá-la a um target que não é necessariamente o jovem. Dúvidas permanecem, contudo, sobre como é que Honor e Huawei se vão relacionar, mas uma coisa é certa: as vendas dos dois vão para o mesmo bolso e, sejam independentes ou não entre si, esse crescimento é tudo o que importa para ambas as marcas. De notar que a Huawei não é a única a criar sub-marcas; também a Xiaomi o fez no ano passado lançando a Pocophone e este ano parece estar a repetir a estratégia com a aposta no nome Redmi.