1500 jactos privados em Davos apesar das preocupações com o aquecimento global

Os principais líderes políticos estão reunidos em mais uma edição do Fórum Económico Mundial. À porta do certame, são esperados 1500 jactos privados. Mais, maiores e mais caros que em anos anteriores.

Foto de Valeriano Di Domenico via World Economic Forum/Flickr

Todos os anos na região suíça de Davos, os principais líderes políticos de todo o mundo encontram-se naquele que é o Fórum Económico Mundial. Em cima da mesa estão as relações económicas entre os países e tudo o que isso implica em consequências. Nos últimos anos um dos temas que tem ganho especial destaque é o aquecimento global.

Ainda assim, de Davos chegam-nos agora, que decorre mais uma edição do Fórum Económico Mundial, notícias de um simbolismo inegável no que concerne a postura dos grandes líderes face a esta problemática mundial. A posição, por exemplo, de Donald Trump sobre o aquecimento global é bem conhecida de todos mas para além do que se diz é interessante perceber o que todos estes políticos fazem.

Não sabemos se se recicla no Fórum Económico Mundial ou se a água é servida em garrafas de plástico ou em vidro reutilizável, mas um outro dado está a revelar toda uma caricatura do certame; apesar das preocupações com o clima e a poluição que se traduzem em medidas como os impostos sobre a emissão de carbono aplicados ao preço dos combustíveis, espera-se que o número de jactos privados a aterrar na Suíça para o Fórum Económico Mundial aumente em 11% relativamente ao último ano, conforme reporta o The Guardian.

Assim, em Davos, especialistas esperam que esta semana aterrem 1500 jactos privados transportando os principais líderes mundiais. Para além de serem em maior número, são também, segundo refere também o The Guardian, jactos maiores e mais caros do que o normal há anos atrás.

Esta realidade prática contrasta claramente com a agenda do certame. Num dos primeiros dias, David Attenborough foi distinguido pelo seu trabalho de protecção ambiental. Será que o conhecido naturalista e apresentador também se deslocou até Davos num jacto privado? Parece mais um exemplo de: faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

De notar que noutros eventos de maior ou menor escala o transporte privado é muitas vezes privilegiado por líderes políticos e empresariais, que, além de se deslocarem de carro em detrimento de transporte público, contam geralmente com estacionamento garantido à porta – o Web Summit é apenas um deles. Podem não se tratar de eventos com o aquecimento global na agenda, mas importam para o sentido colectivo da mensagem ambiental que tantas vezes é apregoada por essas mesmas individualidades.