#OpSudan e #OpZimbabwe: os Anonymous não se esquecem de África

O colectivo não organizado Anonymous decidiu dar atenção às revoltas sociais no Sudão e no Zimbábue, podendo ajudar a despertar a comunicação social e o mundo para estas problemáticas.

Imagem via Anonymous/Twitter

A estabilidade política em alguns países do continente africano ainda é uma miragem. Por culpa dos colonizadores e de todos os conflitos que lhes sucederam e que condenaram o território um défice de desenvolvimento democrático, países como o Zimbábue ou o Sudão são tudo menos democracias desenvolvidas ou sequer liberais.

Neste contexto, qualquer expressão da sociedade civil rapidamente resvala para cenários de violência com o aparelho do Estado a usar toda a sua força opressora para controlar os mais descontentes com medidas governamentais. É isso que está acontecer neste momento nos dois países acima referidos, com diversas situações de abuso da força a valerem headlines nos media internacionais e avisos de ONG de protecção dos direitos humanos e da própria ONU. No Sudão já morreram pelo menos 24 pessoas e no Zimbábue.

No Zimbábue o principal motivo da revolta é o preço dos combustíveis e o consequente aumento do custo de vida que isso provocará. Depois de o Presidente do país ter anunciado o aumento do valor por litro de gasolina de 1,38 para 3,31 dólares – mais do dobro –, protestos têm tomado as ruas das cidades e dado aso a conflitos com soldados e polícia responsáveis por os reprimir. No Sudão é o a perda de confiança política no Presidente há mais de duas décadas que revolta a população.

Em qualquer um dos casos as manifestações populares expressam-se nas ruas mas alimentam-se, bastante, online, o que leva os Governos a procurar novas formas de repressão. Em ambos os casos, a medida escolhida foi desligar a internet, restringindo ao máximo o acesso dos cidadãos às redes sociais. Foi em resposta a esta atitude que os Anonymous se juntaram à causa de zimbabweanos e sudaneses lançado a #OpZimbabwe e #OpSudan, um ataque concertados aos sites governamentais como forma de protesto.

Desde o principio de Janeiro, no caso do Sudão, e desde 19 de Janeiro, no caso do Zimbábue, que o colectivo não organizado Anonymous tem perpetuado ataques DDoS, causando a inacessibilidade ou intermitência de importantes sites destes países. A estratégia pode não surtir efeitos práticos de um modo directo mas chama à atenção para as debilidades democráticas de ambos os países, causando também algumas dificuldades operacionais em redes informáticas estruturais como a dos bancos centrais.

O internatura Lorian Synaro tem sido um dos hacktivistas mais pro-activos desta operação (daí o prefixo Op) e a revista iAfrikan foi entrevistá-lo para saber mais sobre o que os motiva e como se organizam. Na entrevista, Lorian reforça a ideia de que os Anonymous, mais do que um grupo, são um movimento em torno de uma ideia e revela que apesar da escala mediática da operação são apenas cerca de quatro pessoas as responsáveis pela operacionalização dos ataques – mostrando a eficiência deste tipo de acção.

Lorian nega ligações a grupos políticos e que esta seja uma estratégia a prazo com objectivos bem delineados. Pelo contrário, diz que tanto uma como a outra #Op servem de apoio às populações em revolta e que continuarão até que a sua ajuda seja dispensável. Recorde-se que o Zimbábue foi presidido durante os últimos 30 anos por Robert Mugabe, posteriormente substituído por Emmerson Mnangagwa, um aliado seu de longa data. No caso do Sudão, conforme referido, Omar al-Bashir, está no poder há 25 anos.

Lorian acrescenta ainda que qualquer organização corrupta no continente africano é um potencial alvo de próximas operações do mesmo género mas que, para já, os esforços estão concentrados nestes dois países, dando suporte ao que se passa nas ruas. Sobre o modus operandi, o hacktivista sublinha que não tem como objectivo magoar quem quer que seja, daí que escolham um ataque a servidores e websites, mas apenas lutar pela liberdade das populações.