A segunda tentativa do “Crazy Bernie”. Será o democrata capaz de vencer em 2020?

Ao contrário daquilo que se possa pensar, Sanders, apesar de não ter o alcance de Trump nas redes sociais, mantinha em 2016 uma rede de conexões mais engajada do que qualquer outro candidato eleitoral.

Tal como já se vem afirmando, 2020 não será um espelho de espectro político norte-americano de 2016. Quem fizer frente a Donald Trump terá, entre muitas outras coisas, que se empenhar em manter uma presença muito forte e destacável nas redes sociais, Twitter principalmente, e ser capaz de ter um diálogo fora do espectro do politicamente normal. Ameaças, ditos e desditos, uma linguagem vulgar marcaram o diálogo de Trump, e foi esta forma de comunicar com a classe politica, a imprensa e os eleitores que o levaram a presidente dos Estados Unidos da América.

Sanders, apesar de não ter o alcance de Trump nas redes sociais, mantinha em 2016 uma rede de conexões mais engajada do que qualquer outro candidato eleitoral. “É a natureza autêntica das publicações e conversações de Sanders”, disse Krishna Subramania, co-fundadora do Captiv8, em 2016. “A fórmula para tornar estas plataformas bem-sucedidas é manter conversações com a audiência, publicando conteúdos que a façam querer engajar-se”, continuou. O anúncio da sua recandidatura foi feito dia 19 e passadas 10 horas, Sanders contava já com mais de quatro milhões de dólares doados, segundo a CNN, por eleitores de todos os estados dos EUA.

Neste seguimento, Subramania acrescenta que para engajar os millennials na cena política é necessário conectar-se com esta faixa pela via das redes sociais. Uma fórmula de campanha que não é nova. Já em 2008, Obama se serviu destes canais para chegar aos eleitores mais afastados dos anúncios na televisão, das entrevistas nos jornais impressos e das campanhas presidenciais presenciais, onde o aperto de mão e os beijos às crianças mostram o afecto de cada candidato. Em 2016 foi o que se sabe com algumas responsabilidades ainda por apurar no que toca à eleição de Trump. Já Sanders desde essa altura que tem alimentado o mediatismo fruto da sua corrida presidencial mantendo um discurso consistente focado sobretudo nos direitos dos trabalhadores, como o salário mínimo, ou os privilégios das grandes corporações como a Amazon — para além da conta em nome próprio com 9 milhões de seguidores, Sanders tem uma enquanto Senador onde conta com 8 milhões.

O duro caminho até lá chegar

Para conseguir chegar ao título de adversário directo de Trump, Sanders ainda tem que ganhar no Colégio Eleitoral, o que não parece difícil se compararmos o que aconteceu em 2016 e estabelecermos um retrato de antevisão para as próximas eleições. Ao confrontar Hillary Clinton, Bernie Sanders conseguiu derrotar a adversária democrata em Michigan e Wisconsin, estados onde Clinton precisava de ganhar nas eleições gerais contra Trump, o que não aconteceu por uma diferença de 33 452 votos. Já Sanders conseguiu, nestes estados, durante as primárias, angariar 152 337 votos. Note-se que, se Michigan e Wisconsin tivessem levantado a bandeira azul a 8 de Novembro de 2016, teriam sido retirados 26 votos eleitorais a Trump. Analistas políticos dizem que as primárias dos Democratas poderão ter condicionado o resultado final e, estima-se que se tivesse sido Bernie Sanders a concorrer contra Trump o resultado poderia ter sido outro.

Para além disso, Sanders continua com o estatuto de candidato mais popular e com ratings mais favoráveis do que Trump. Após seis meses de mandato, e já com um número alargado de escândalos e decisões inéditas, como o despedimento do então director do FBI, James Comey, Donald Trump detinha uma percentagem de aprovação de 38,4%, segundo a FiveThirtyEight. Em janeiro deste ano, este valor encontrava-se nos 37%, segundo dados da Gallup, conotando-o como o presidente mais “impopular” da história daquela nação.

Já Bernie Sanders manteve, tanto na ala democrata como republicana, a imagem de um político “honesto”. Para além disso, foi o candidato que mais votos angariou junto dos eleitores mais jovens em 2016. Mesmo em comparação com a angariação de votos da camada mais jovem que Obama conseguiu em 2008, primeiras eleições presidenciais que ganhou, Bernie Sanders sai a ganhar. Em 2016, obteve mais votos desta faixa etária do que Clinton e Trump juntos mas não é só o eleitorado jovem que segue Sanders. As minorias também. A titulo de curiosidade explicativa, nos anos 60, o político chegou mesmo a acompanhar Martin Luther King Jr. em marcha contra a segregação racial e foi, inclusive, preso.

Resumindo, Sanders mostra mais segurança e estabilidade do que Trump num segundo mandato, tendo também em conta as várias alterações que a sua administração sofreu até ao momento. Se se analisar a quantidade de promessas feitas em tempo de campanha e o seu progresso actualmente, rápido se verifica que o mandato de Trump não foi, até à data, muito eficaz.

Entre as promessas falhadas ou adiadas de Donald Trump encontram-se a construção de um muro de betão na fronteira com o México e a eliminação do sistema de saúde criado por Obama, o Obamacare. Será isso suficiente para o afastar do cargo?