Será que conheces o mundo onde vives? Um livro capaz de mudar a tua perspectiva

Será que sabemos como está verdadeiramente o mundo hoje em dia? Estamos melhor, piores ou iguais do que há 20 anos? Existem mais pessoas a passar fome? Morrem menos ou mais crianças até aos 5 anos de idade no mundo inteiro do que no passado?

Será que sabemos como está verdadeiramente o mundo hoje em dia? Estamos iguais, melhor, pior do que há 20 anos? Existem mais pessoas a passar fome? Morrem menos ou mais crianças até aos 5 anos de idade no mundo inteiro do que no passado? Estas foram algumas das questões que levaram Hans Rosling, médico, professor de Saúde Internacional, conselheiro da Organização Mundial de Saúde e da UNICEF a escrever o livro Factfulness sobre o qual hoje reflectimos neste artigo, em jeito de recomendação de leitura.

Para já e antes de procurarmos a resposta a estas questões, sugiro que testes o teu conhecimento acerca do mundo em que vives. Pega num papel e caneta e anota as tuas respostas às seguintes questões retiradas do livro de Hans Rosling, Factfulness.

As respostas corretas encontram-se no final do artigo mas se queres mesmo entrar no desafio consulta-as apenas depois de responderes a tudo.

1) Em todos os países de baixo rendimento, actualmente que percentagem de rapariga termina o ensino primário?

A: 20 por cento

B: 40 por cento

C: 60 por cento

2) Onde vive a maioria da população mundial?

A: Países de baixos rendimentos

B: Países de médios rendimentos

C: Países de altos rendimentos

3) Nos últimos vinte anos, a proporção da população mundial a viver na pobreza extrema…

A: quase duplicou

B: manteve-se idêntica

C: diminuiu quase metade

4) Qual é atualmente a esperança média de vida global?

A: 50 anos

B: 60 anos

C: 70 anos

5) Existem hoje no mundo 2 mil milhões de crianças, dos 0 aos 15 anos. Quantas existirão em 2100, segundo as Nações Unidas?

A: 4 mil milhões

B: 3 mil milhões

C: 2 mil milhões

6) As Nações Unidas preveem que em 2100 a população mundial tenha aumentado mais de 4 mil milhões de pessoas. Qual a principal razão?

A: Haverá mais crianças (menos de 15 anos)

B: Haverá mais adultos (dos 15 aos 74 anos)

C: Haverá mais idosos (75 anos ou mais)

7) Como mudou o número de morte anuais devido a desastres naturais durante os últimos cem anos?

A: Mais que duplicou

B: Manteve-se idêntico

C: Diminuiu para mais de metade

8) Existem hoje cerca de 7 mil milhões de pessoas no mundo. Qual dos mapas representa melhor onde vivem? (cada boneco representa mil milhões de pessoas.)

9) Quantas crianças até 1 ano de idade foram vacinadas no mundo contra uma doença qualquer?

A: 20 por cento

B: 50 por cento

C: 80 por cento

10) No mundo inteiro, os homens com 30 anos passaram em média 10 anos na escola. Quantos anos passaram em média as mulheres com a mesma idade?

A: Nove anos

B: Seis anos

C: Três anos

11) Em 1996, os tigres, os pandas-gigantes e os rinocerontes negros foram listados como espécies em risco. Quantas delas estão em risco critico ainda hoje?

A: Duas

B: Uma

C: Nenhuma

12) Quantas pessoas no mundo têm algum acesso a eletricidade?

A: 20 por cento

B: 50 por cento

C: 80 por cento

13) Os especialistas em clima global pensam que, durante os próximos cem anos, a temperatura média…

A: aumentará

B: manter-se-á

C: diminuirá

Como foram os resultados? Surpreendido? Antes de mais, se falhaste a grande maioria das respostas não desesperes porque na realidade foi exatamente isso que aconteceu a grande parte dos milhares de entrevistados em todo o mundo. O mais alarmante é que nesse caso alguns dos inquiridos foram líderes mundias, economistas, professores em prestigiadas faculdades, políticos, sindicalistas, entre outros – na sua maioria com uma impressionante taxa de acerto inferior a 33%.

Não querendo esmiuçar cada uma das perguntas (esse trabalho foi feito no livro Factfulness), convém refletir sobre o tipo de consequências que estas ideias erradas podem ter.

Se dissesse que te ia dar um conjunto de dados que tanto podiam estar errados como corretos e que, de seguida, tinhas de tomar uma decisão com base nessas informações, achavas justo? Possivelmente não. Mas o tipo de juízos de valor (errados) sobre o mundo que estão presentes na nossa sociedade levam a que diariamente sejam tomadas decisões (algumas com grande impacto) no mínimo precipitadas.

Por exemplo: a generalização sobre o continente africano viver na miséria quando existem diferenças enormes na qualidade de vida entre países como Argélia ou Tunísia comparados com a Somália ou Guiné ou, a ideia de que a hegemonia ocidental será uma constante permanente numa altura em que o oriente caminha a passos largos para reverter esta tendência leva a que existam empresas e instituições que passam completamente ao lado de grandes oportunidades de negócio ou inovação e assim sejam também elas ultrapassadas. Ou até que países percam milhões de turistas apenas porque se encontram perto de uma zona com má fama, sofrendo assim de um problema tão básico como a generalização ignorante por parte de pessoas que até têm bastantes anos de escolaridade.

Afinal o mundo é um lugar bom e ninguém nos avisou…

Mas nesse caso, como é que ainda podemos ter ideias tão distantes da realidade acerca do mundo em que vivemos? A respostas está nas generalizações, conhecimento ultrapassado, falta de confronto de ideias com factos e pouca iniciativa em querer saber mais.

Como resultado acabamos por pensar no planeta terra em 2019 com uma ideia muito parecida àquela que nos foi apresentada há 20 anos, ou seja, 1999. Ou pensamos que o mundo está cada vez um lugar pior – julgando pelos noticias diárias – e que, a qualquer momento, poderá surgir um novo ataque terrorista que vitimará milhares de pessoas (isto apesar do número de mortos por ano em ataques terroristas corresponder apenas a 0,05% das mortes em todo o mundo).

A questão é que muitas destas ideias estão simplesmente erradas e, na realidade, o mundo é um lugar bem melhor para se viver do que foi no passado – até parece utópico, mas é um facto.

Obviamente que ainda existem coisas erradas e que estamos muito longe de atingir o pico da evolução da humanidade, mas ultrapassámos muitas dificuldades e melhorámos de forma significativa as condições de vida em praticamente toda a população mundial.

Explora, compara e atualiza-te

Mais do que te trazer o último update sobre o estado do planeta Terra o objetivo deste artigo é, sobretudo,  lembrar-te que o que ontem era verdade amanhã deixa de o ser e que te cabe a ti ter esta ideia em mente da próxima vez que te disserem que “está tudo cada vez pior”.

Se quiseres explorar mais sobre este assunto dá uma vista de olhos no gráfico em baixo. Em constante atualização, este gráfico regista a evolução ocorrida entre a esperança média de vida e os rendimentos per capita nos últimos 200 anos em todo o mundo. Torna-se desta forma mais fácil de perceber que: estar na pobreza é muito diferente de estar na pobreza extrema; existe uma forte correlação entre rendimento e esperança média de vida; a evolução da qualidade de vida segue uma tendência linear de subida, ou seja, de forma geral a qualidade de vida dos países é melhor do que a vivida pelos mesmo em anos anteriores – e isto é evolução.

Podes encontrar mais informações interessantes como esta no site www.gapminder.org ou no livro Factfulness de Hans Rosling.

Cada bolha representa um país; as cores representam o continente; e o tamanho das bolhas a população desse país

Respostas: 1: C, 2: B, 3: C, 4:C, 5: C, 6: B, 7: C, 8: A, 9: C, 10: A, 11: C, 12: C, 13: A