Queriam criar reality-show em Marte mas arriscam falência antes de descolar

Desde o início que alguns apontaram a Mars One com um esquema fraudulento ou fantasioso.

Por muito rápido que a tecnologia evolua e que os planos para a conquista do espaço se tornem cada vez mais realistas, a ideia de viajar até tarde ainda não passa de uma miragem ao acesso apenas das estruturas mais oleadas neste tipo de missão. A ideia de qualquer um pode ir até ao planeta vermelha é catchy mas ainda não há provas de que seja possível.

Em resultado dessa incerteza, temos assistido a uma série de adiamentos anunciados pelas principais empresas a concorrer neste sector, como a Space X ou a Mars One que propõe uma viagem sem retorno. Agora o caso muda de figura com a promessa a dar sinais de que se começa a tornar insustentável e a falência anunciada de um dos braços da segunda companhia.

A notícia foi anunciada por meios institucionais, num site da cidade de Basileia onde são publicados os registos públicos das empresas com sede naquela cidade, e rapidamente ganhou tracção no Reddit. De resto, a informação acabou por chegar sem surpresa para alguns que apontam desde o princípio que a Mars One seja um esquema fraudulento ou fantasioso, sem que a empresa tenha um plano real para concretizar aquilo a que se propõe.

A promessa da empresa Mars One passava por enviar alguém para Marte onde viveria o resto da sua vida e daria início à primeira colónia humana no planeta vermelha, sem possibilidade de retorno. O concurso pelas vagas foi anunciado, surgiram várias candidaturas e 100 pessoas terão sido seleccionados num processo questionado pela imprensa. Contudo, as dúvidas não se ficaram por aí. A empresa nunca tencionou produzir os aparelhos necessários à viagem, prometendo alugar tudo com o dinheiro que obteria de um reality-show passado na missão, uma ideia que nunca convenceu totalmente atendendo aos elevados custos de uma viagem deste género, que podem chegar aos milhares de milhão.

Mesmo depois de todas as questões e da anunciada falência de um dos braços da empresa, o seu criador Bas Landrop confirmou ao Engadget que os seus planos não se ficam por aqui e que estão a tentar “encontrar uma solução”, garantindo que a Mars One Foundation continua activa apesar de necessitar de mais financiamento para continuar a sua operação. Em causa está essencialmente uma divida aos credores de 1,1 milhões de euros que, segundo as notícias mais recentes, podem vir a ser pagas com dinheiro de um novo investidor que deverá ser anunciado no dia 6 de Março.