A primeira notícia escrita por um robô de código aberto saiu no The Guardian

Apesar de tal não ser propriamente inédito bots no mundo jornalístico, é a primeira vez que a edição australiana do The Guardian publica um texto redigido por um sistema automatizado.

ReporterMate, é assim que se chama o robô do The Guardian (imagem via The Guardian/Shifter)

A notícia que podes ler neste link não foi escrita por um humano, mas por um robô. Apesar de tal não ser propriamente inédito que bots coexistamno mundo jornalístico, é a primeira vez que a edição australiana do The Guardian publica um texto redigido na sua totalidade por um sistema automatizado.

O programa automático – ou robô, como lhe queiramos chamar – usa para criar o seu artigo um template e uma base de dados, previamente preparados por mão humana. Já o robô – que em primeira instância também teve de ser criado por um humano, claro – foi programado por Nick Evershed, editor de dados do Guardian Australia, que contou com o apoio de uma bolsa atribuída pela Walkley Foundation.

Nick Evershed entende que há espaço para robôs nas redacções dos jornais, permitindo optimizar os recursos da redacção e deixar os “jornalistas-humanos” fazer aquilo que melhor sabem fazer: trabalhos com maior profundidade e criatividade, e não análises matemáticas sobre um novo recorde climático ou que políticos fazem mais despesas. Nick chama a este tipo de informação “notícias-fórmula”, uma vez que partem de análises matemáticas que podem ser automatizadas. Um jornalista pode focar-se, assim, em perceber porque é que o clima está a mudar e como isso afecta as pessoas, ou porque é que que políticos estão a abusar do sistema.

A notícia escrita pelo ReporterMate (screenshot via The Guardian)
A notícia escrita pelo ReporterMate (screenshot via The Guardian)

O robô que Nick Evershed montou chama-se ReporterMate e está disponível em código aberto no GitHub. Para o editor e programador, é importante as organizações de media controlarem como os bots podem ser usados nas redacções, e uma forma de fazer isso é através de tecnológica de código aberto que qualquer publicação pode consultar e usar.

Nick diz que podem ser criados robôs mais sofisticados que o seu ReporterMate, que (por agora) só consegue escrever sobre determinados topos de histórias e é limitado nessa actividade, estando dependente de um template. Por exemplo, com a ajuda de aprendizagem automática um bot pode determinar que dados são mais interessantes e construir uma peça editorial do zero tendo em conta isso.

O ReporterMate, apesar de não ser inédito no mundo do jornalismo, é o primeiro robô em código aberto – o Quakebok do jornal Los Angeles Times é um bom exemplo de um bot baseado em código proprietário/comercial.