Paraíso Cafajeste, uma utopia à guitarra por Royal Bermuda

Há concertos que num volume moderado nos tocam mais profundamente.

As noites de sábado, mesmo que em pleno inverno, constituem, por hábito, a dificuldade extrema de se escolher um programa que nos deixe o intelecto satisfeito, o estômago quente e a carteira saudável. Os Royal Bermuda ocuparam uma das casas do Cais do Sodré que mais promete nesse âmbito e pudemos confirmar que o Musicbox sempre tem boa escolha para a sua programação.

Não é todas as noites que se tem a oportunidade de escutar duas guitarras acústicas em sintonia acompanhadas de uma garrafa de vinho e do público sentado no chão, embrenhado no Paraíso Cafajeste que Royal Bermuda nos deram a espreitar. O testemunho de melodia versus harmonia era suavemente permutado entre cada guitarra, como que se de um truque de magia se tratasse.

Na condição do limite de orquestração, nasceu a oportunidade de se prover uma experiência reconfortante, quase onírica, numa exploração completa do registo dinâmico da guitarra. Valiam os momentos de maior brio no virtuosismo para nos puxar pela atenção, que de vez em quando faziam soltar algumas exclamações por parte do público.

Se há experiências que roçam o bizarro por boas razões, podemos contar com este concerto como um feliz acaso. Simplesmente pela ocasião de escutarmos um bom concerto a baixos decibéis e com uma aura que permitia que o contributo acústico da sala fosse um aspecto positivo. Deu a sensação de que trouxemos o vinho para casa.

Fotos de Teresa Lopes da Silva/Shifter