Que pistas nos dá a Samsung sobre os smartphones de 2019

Ecrãs com buracos, leitor de impressões digitais debaixo do ecrã e câmaras triplas.

Apesar da quebra nas vendas de smartphones, estes continuam a captar a atenção de muitos. Apresentada esta quarta-feira, a linha Galaxy S10, da Samsung, era – como outros lançamentos da sul-coreana, líder de mercado – relativamente aguardada. A expectativa foi aumentando à medida que os leaks de imagens e detalhes sobre o produto iam surgindo.

Globalmente não foram só as vendas a baixar de ritmo, a inovação no mercado de smartphones também estagnou. Ano após ano, os avanços dignos de um “wow, quero ter isto” parecem ser cada vez menos. Hoje, os telemóveis de gama média de marcas como a OnePlus ou a Xiaomi, que se estabeleceram globalmente, apresentam boas especificações, satisfazendo as necessidades e exigências de muitos utilizadores; e os topo-de-gama foram-se tornando equipamentos de luxo, cada vez mais caros e menos diferenciados entre si.

Apesar do seu sucesso comercial ser menor, continuam a ser os topos-de-gama – e falamos sobretudo dos da Samsung, Huawei e Apple, as três principais fabricantes do mundo – a marcar o calendário anual, influenciando o mercado e dando pistas sobre como a tecnologia comercial em geral irá evoluir. Ficámos agora a conhecer a linha Galaxy S10 da Samsung, seguir-se-á dentro de muito pouco tempo a série P30 da Huawei e, lá para Setembro/Outubro, teremos a oportunidade de ver os novos iPhones.

Por ser a primeira neste calendário (nem sempre o é), a Samsung tinha a oportunidade de se antecipar, mostrando inovação primeiro que as suas concorrentes, e parece tê-la aproveitado. Os novos S10 podem ser vistos como uma espécie de prognóstico para o que esperar no resto do ano. Falamos no plural porque são três modelos diferentes dentro da mesma linha: o S10 “normal”, o S10+ e um novo “low-cost” chamado S10e. Quanto aos dois “big guys”, têm melhor processador, melhor ecrã, melhor bateria… em suma, são melhores que os modelos da geração anterior; e como é habitual, estão disponíveis com diferentes configurações de cor, RAM e armazenamento. Já o modelo Galaxy S10E, uma reposta ao iPhone XR, é mais económico ao nível do preço e de funcionalidades que os S10 e S10+.

Pondo o S10e de lado, afinal o que é que o S10 e o S10+ dizem sobre os smartphones de 2019?

  • em vez de uma notch, os S10 têm um buraco no canto superior direito do ecrã para a câmara frontal (ou câmaras frontais, no caso do S10+). Os S10 não são os primeiros telemóveis com um buraco no ecrã para as câmaras e esta poderá ser uma ideia que iremos ver em mais equipamentos ao longo do ano. A notch foi sempre vista como uma solução transitória entre a ideia conformada de smartphone com moldura e o conceito “à Black Mirror” de podermos ter apenas um ecrã na palma da mão. Em 2018, habituámos-nos a ver notches em praticamente qualquer smartphone – ainda que com desenhos diferentes; será 2019 o ano destes buracos?

  • o leitor de impressões digitais encontra-se debaixo do ecrã e, em vez de emitir luz para fazer a leitura como acontece no Huawei Mate 20 Pro, recorre a ultra-sons. A vantagem é que a leitura das impressões digitais é mais rápida e, além disso, como não há emissão de uma luz branca forte é um sistema mais confortável em situações de pouca luz.

  • os S10 têm um conjunto de três câmaras traseiras, uma ideia que a Samsung já tinha explorado noutros equipamentos de gama mais baixa e que a Huawei colocou no seu Mate 20 Pro. O conjunto triplo é composto por uma lente principal, uma teleobjectiva (boa para retratos ou fundos desfocados) e, por fim, uma grande angular (para apanhar mais elementos na imagem). Através do software, é possível combinar as diferentes lentes, ter diferentes zooms ópticos e usar uma variedade de modos fotográficos. Depois da padronização das câmaras duplas, poderemos ver mais telemóveis com câmaras triplas este ano, incluindo o iPhone.
  • há um modelo do S10 com 12 GB de memória RAM e 1 TB de armazenamento. Ao longo do tempo, os smartphones têm vindo a ter mais RAM e armazenamento, à medida que as aplicações e os ficheiros que delas resultam se têm tornado mais exigentes; poderemos ver – quem sabe – alguns números grandes neste campo este ano.

A Samsung apresentou também uma versão do S10 com 5G, que, ao contrário dos outros três modelos, não vai chegar tão cedo às lojas. Além dos S10, a Samsung apresentou uns auscultadores sem fios (ao estilo dos AirPods), uma nova pulseira e novo relógio inteligentes, e um novo tablet – quatro produtos que, tal como os novos smartphones, poderás conhecer melhor no site da marca.

Há ainda o Galaxy Fold, um smartphone que se dobra e que vai custar 2 mil euros em território europeu. A Huawei também deverá entrar nesta tendência dos dobráveis em breve; e a Apple parece estar atenta a esta tendência. Enquanto se discute se telemóveis dobráveis fazem ou não sentido, o certo é que o Galaxy Fold não é, em boa verdade, o primeiro smartphone dobrável; já vimos um na CES, onde a LG também mostrou uma televisão cujo ecrã se enrola automaticamente, ficando arrumado num móvel.