Transferências por MB Way vão ser pagas? Afinal, o que está em causa

BPI quer começar a cobrar 1,20 euros por transferência. Outros bancos podem seguir a mesma estratégia.

A notícia do BPI de começar a cobrar pelas transferências bancárias feitas através do MB Way acendeu a discussão esta segunda-feira na internet. Mas afinal não será apenas o BPI a querer taxar a utilização do serviço da SIBS, a intenção é transversal a todos os bancos.

Lançado em 2015 pela SIBS, entidade que gere as caixas Multibanco, o MB Way é um serviço que traz algumas funcionalidades do Multibanco para a palma da mão. Disponível através de uma app para iOS e Android, o MB Way tem mais de um milhão de utilizadores e permite desde levantar dinheiro numa caixa de Multibanco sem cartão a pagar compras em lojas com o telemóvel; uma das suas funcionalidades mais populares é, todavia, a transferência de dinheiro. Se dois amigos tiverem MB Way activado, só precisam de saber o número de telemóvel um do outro para poderem emprestar dinheiro ou pagar aquela dívida que ficou do jantar.

BPI diz que vai começar a cobrar

Actualmente as transferências por MB Way – independentemente de serem para o mesmo banco ou bancos diferentes – não eram cobradas, ao contrário das transferências realizadas através de uma caixa de Multibanco ou das plataformas de homebanking dos próprios bancos, onde podem existir comissões. Em boa verdade, alguns bancos também já tinham estabelecido comissões para as transferências por MB Way mas nenhum as cobrava, conforme apurou o Observador. É o caso do BPI, que fixou um custo de 0,20 euros por transferência via MB Way, independentemente de serem entre contas no mesmo banco ou entre contas em bancos distintos.

Todavia, o BPI anunciou que vai aumentar a comissão associada o MB Way no dia 1 de Maio para 1,20 euros, e segundo indicou fonte do banco ao Observador, passará a cobrar efectivamente esse valor. Já no Twitter, o BPI explica que as transferências MB Way realizadas através da app do próprio banco e não da do serviço vão continuar isentas de qualquer custo para todo os clientes. Ao mesmo jornal, os outros bancos não explicaram porque é que não estão a cobrar os custos que definiram para as transferências por MB Way, nem até quando se prolongará a isenção, mas segundo apurou a SIC Notícias as ‘borlas’ poderão terminar também nos próximos meses.

Bancos já tinham taxas definidas mas não as aplicavam

De acordo com as páginas dos bancos, estes são os custos definidos para as transferências bancárias por MB Way:

  • BPI: 0,20 euros por transferência (entre o mesmo banco ou bancos diferentes); 1,20 euros a partir de 1 de Maio
  • Millennium BCP: 1,30 euros por transferência entre bancos diferentes; gratuito se para o mesmo banco
  • Caixa: 0,20 euros por transferência (entre o mesmo banco ou bancos diferentes)
  • Novo Banco: 0,15 euros por transferência (entre o mesmo banco ou bancos diferentes)

Apenas o Santander, ActivoBank, o Bankinter e o Banco CTT não têm qualquer comissão estipulada para o MB Way, mas à SIC Notícias o Santander avançou a intenção de definir um valor e de começar a cobrá-lo aos seus clientes. Já ao Shifter, o Banco CTT garantiu que continuará a não cobrar qualquer taxa de MB Way. Num comunicado citado pelo Observador, a SIBS explica que, apesar de “todas as entidades aderentes ao MB Way” manterem “a isenção de cobrança de valores aplicados às transferências MB Way”, “as condições comerciais de prestação dos serviços aos clientes são definidas pelos bancos emissores”.

Em resumo: por agora, transferir dinheiro através do MB Way é gratuito, mas a situação poderá mudar mudar no início de Maio. Vários bancos já têm comissões para as transferência por MB Way estabelecidas, mas não as estão a cobrar.

Revolut, um escape?

No Twitter, vários internautas não deixaram de mostrar o seu desagrado quanto às novidades que se avizinham no MB Way. Alguns deles destacaram outras soluções do estilo do MB Way, como o Revolut, uma empresa britânica que diz ter em Portugal um dos melhores mercados, com mais de 30 mil clientes, segundo dados anunciados em Março do ano passado.

(Notícia actualizada às 12h10 de 7/02/2019 com referência ao ActivoBank e ao Banco CTT.)