Em França há um clube que deixa os treinadores de bancada decidir em tempo real

Contudo, o futuro desta equipa neste sistema táctico pode estar comprometido.

“Sou eu o treinador e portanto sou eu que tomo as decisões”. É recorrente ouvirmos esta expressão da boca de um treinador de futebol quando pretende justificar uma opção técnica perante os jornalistas. Há uma equipa francesa que inverteu de forma radical esta hierarquia vertical e neste momento são os adeptos que tomam as decisões quanto ao onze inicial, substituições e tácticas de jogo.

A história trazida pela BBC Sport soa a bizarra mas é a realidade existente no Avant Garde Caennaise, formação que milita na 6ª divisão do futebol francês (Normandy Football League). Depois de uma semana de trabalho e antes de escalar a equipa, Julien Le Pen consulta os seus adjuntos e com a colaboração de milhares de pessoas coloca em campo a equipa mais votada pelos adeptos através da aplicação United Managers.

Através da aplicação, os adeptos da equipa podem decidir os jogadores que vão entrar em campo, as tácticas e até as substituições. Este canal digital consegue transmitir o jogo e os “Umans”, nomes dados aos apoiantes do AGC, acompanham em tempo real as incidências do jogo e podendo expressar as decisões que pensam ser as melhores.

Le Pen afirma à BBC que ele continua a ser o treinador da equipa e que durante a semana é ele quem treina aqueles jogadores, todavia parece claro que a função do treinador estará diminuída nas decisões que tem a tomar. Da perspectiva dos jogadores, parece existir um sentimento de competitividade de modo a que os “Umans” os escolham quando chegar o fim-de-semana. Todo o clube está crente na relação entre mérito e a escolha dos adeptos e, com este método, já conseguiu uma subida de divisão, encontrando-se actualmente em primeiro neste humilde escalão.

Contudo, o futuro desta equipa neste sistema táctico pode estar comprometido. Primeiro foram os seus adversários que se sentiram lesados relativamente aos direitos de transmissão e exigiram uma recompensa financeira, agora, foi a Federação Francesa de Futebol a intervir após o caso se ter tornado mais mediático. Em Dezembro, a FFF estabeleceu novas regras que impactam directamente no modus operandis do clube.

Os clubes passam a estar impedidos em estabelecer parcerias com empresas exteriores que influenciem o desempenho das equipas; uma terceira entidade está proibida de colocar em causa a responsabilidade do treinador na escolha das decisões técnicas e a transmissão de jogos estará proibida sem autorização prévia da liga que regula a competição.

A regulamentação não foi acolhida de forma pacifica pela AGC e pela empresa United Managers, responsável pela aplicação que e prometem reagir através das vias legais. Os responsáveis do clube defendem o modelo afirmando que a parceria permitiu atrair melhores jogadores para o clube amador; quanto aos criadores da app, esperam expandir a ideia a uma escala internacional e replicar o modelo noutras equipas.