Entre a Coreia do Norte e o resto do mundo: o papel da Coreia do Sul nos últimos 20 anos

Progressismo ou conservadorismo? Desnuclearização ou abertura económica? Fracasso ou insucesso? O percurso desde a Sunshine Policy à Moonshine Policy.

Uma discussão sobre a relação entre os EUA e Coreia do Norte não pode deixar de fora o outro elemento central: a Coreia do Sul. Progressismo ou conservadorismo? Desnuclearização ou abertura económica? Fracasso ou insucesso? O percurso desde a Sunshine Policy à Moonshine Policy.

Kim Dae-jung (1998-2003)

Kim Dae-jung foi o pai da famosa Sunshine Policy. Esta estratégia tinha quatro pilares fundamentais: ameaças armadas da Coreia do Norte não seriam toleradas; a Coreia do Sul não tentaria atingir uma reunificação por absorção; a Coreia do Sul tentaria apenas a reconciliação das Coreias através de mecanismos diplomáticos; e a Coreia do Sul contribuiria para incluir a Coreia do Norte na comunidade mundial através da implementação gradual de uma economia de mercado.

No dia 15 de Junho de 2000, Kim tornou-se no primeiro presidente sul-coreano a visitar a Coreia do Norte. A visita teve o propósito de ratificar a Declaração Conjunta entre os líderes das duas Coreias, a fim de permitir a reunião de famílias separadas após a Guerra da Coreia e estreitar a cooperação entre os dois países. Entre 1998 e 2002, mais de 39 mil coreanos passaram a fronteira para visitarem familiares. Pela primeira vez, Kim Jong-il, líder da Coreia do Norte, mostrava sinais de rejeição da política de profundo isolamento que vinha marcando o seu país.

Foi Kim Dae-jung que selou com Kim Jong-il um acordo que pôs fim à disseminação de propaganda na Zona Desmilitarizada. Cada dia que passava, as duas Coreias pareciam estar mais próximas. Internamente, cada vez mais sul-coreanos pareciam acreditar numa nacionalidade, etnia, língua e cultura comuns. Este sentimento geral terá sido materializado em 2000, nos Jogos Olímpicos de Sydney, quando as duas Coreias entraram juntas na cerimónia de abertura.

Contudo, um assunto não foi discutido na Cimeira Conjunta de 2000: a desnuclearização da Coreia do Norte. Foi precisamente aí que se centrou a oposição na Coreia do Sul. Houve uma clara divergência política em redor do conceito de “envolvimento”. Os progressistas acreditavam na cooperação entre as Coreias, especialmente na ajuda humanitária e liberalização do Norte; os conservadores pretendiam ver o Norte desnuclearizado e pôr fim à ameaça nuclear.

As eleições gerais de 2000 trouxeram problemas acrescidos para a governação de Kim Dae-jung. Com o país a recuperar da Grande Crise Asiática de 1997, a população puniu Kim oferecendo a maioria dos votos ao Grande Partido Nacional (oposição, conservador). Por essa razão, teve de estabelecer uma coligação com o Partido Liberal Democrata de Kim Jong-pil (conservador), que significou uma governação instável e prenunciou um fim indesejado.

Em 2001, a oposição avançou com uma moção de censura contra Lim Dong-won, Ministro da Unificação, principal conselheiro de Kim Dae-jung e grande idealista da Sunshine Policy. Lim acabou por se demitir. Um ano depois, em 2002, Kim Jong-pil abandonou a coligação para se juntar à bancada conservadora, deixando Kim Dae-jung numa posição frágil. Perante a situação política no país vizinho e o aparente fortalecimento da ala conservadora, a Coreia do Norte começou a recolher-se e a fechar-se.

Kim Dae-jung tinha prioridades internas, sobretudo a de reerguer a economia sul-coreana devastada pela crise. Para atingir esse objetivo, seguiu as ideias da escola conservadora e, ironicamente, fechou-se num conselho elitizado e restrito, composto por familiares e amigos.

O seu mandato ficou manchado pelo escândalo Furgate, que resultou na prisão dos seus dois filhos e de outros oficiais, e pelo escândalo cash-for-summit, que envolveu o pagamento de 500 milhões de dólares à Coreia do Norte entre 1999 e 2003, exactamente no rescaldo da crise.

Roh Moo-hyun (2003-2008)

Roh Moo-hyun fez campanha com base na política avançada durante os primeiros anos de Kim Dae-jung, mas tentou ao máximo distanciar-se das suas políticas económicas. Apregoou o fim do government-business e a limitação do poder das chaebol, grandes multinacionais (como a Samsung ou a Hyundai) que estão infiltradas na política desde 1970.

Roh deu seguimento à Sunshine Policy (de ora em diante chamada Peace and Prosperity Policy), mas estendeu o seu foco a todo o Nordeste Asiático. Não obstante, acrescentou a desnuclearização do Norte à sua lista de propostas.

Já no poder, deparou-se com duas situações preocupantes: a escalada nuclear da Coreia do Norte e a impaciência de George W. Bush, profundamente assimétrico a Roh e hostil ao regime de Pyongyang. O 11 de Setembro estava fresco na memória dos americanos e a administração Bush não pretendia dar margem de manobra a Kim Jong-il, líder de um dos países do “eixo do mal”.

Para implementar políticas dirigidas ao Norte, Roh cooperou com a China e com a Rússia. Por exemplo, criou uma rede de oleodutos e gasodutos da Rússia até à Coreia do Norte, que custou 20 mil milhões de dólares à Coreia do Sul. Entretanto, Washington exigia a Roh que continuasse a pressionar Pyongyang para que o regime comunista abandonasse o armamento nuclear.

Naturalmente, a administração sul-coreana viu-se numa situação conturbada. Tinha tentado dar um passo maior do que a perna quando implementou medidas para tornar o Norte dependente. Aproximou-se demasiado de Pyongyang e relaxou o problema nuclear. Parecia impossível agradar tanto aos EUA como à Coreia do Norte. A Peace and Prosperity Policy dava sinais de cansaço.

Imagens da chegada de Roh Moh-hyun a Pyongyan (InSapphoWeTrust/Flickr)

Domesticamente, a maioria dos jovens sul-coreanos viam os EUA como a maior ameaça à Coreia do Sul. No entanto, as assimetrias entre as duas Coreias eram mais do que evidentes: o Sul priorizava a paz; o Norte a segurança. Roh viu-se isolado entre a Coreia do Norte e os EUA, dois países incapazes de cooperar ou dialogar, demasiado diferentes e conflitantes.

Roh tentou exaustivamente alavancar a economia norte-coreana através de apoios, tais como o desenvolvimento do Complexo Industrial de Kaeseong. O tempo passava e a Coreia do Norte mantinha-se petrificada, sem mostrar sinais de abertura. Em 2005, Pyongyang anunciou publicamente que possuía armas e ameaçou directamente os EUA. Um ano depois, já com a sua taxa de aprovação baixíssima (11%), Roh viu a Coreia do Norte conduzir o seu primeiro teste nuclear. Estava sentenciado o fim da era Roh.

Muitos analistas consideraram a relação Bush-Roh como a pior de qualquer período EUA-ROK nos últimos 50 anos. Por exemplo, em 2005, pouco tempo depois de Bush ter anunciado o estacionamento de 12 mil tropas americanas na Coreia do Sul, Roh disse explicitamente que o seu país não serviria de “campo de batalha para disputas regionais”. O seu anti-americanismo minou, à partida, o sucesso da parceria EUA-ROK.

Lee Myung-bak (2008-2013)

Em 2008, depois de dois governos progressistas, Lee Myung-bak fez regressar o forte conservadorismo que caraterizou os primeiros anos da Sexta República sul-coreana. Kim e Roh tinham falhado: a Coreia do Norte continuava a desenvolver o seu armamento nuclear; a melhoria da relação Norte-Sul não se tinha materializado em instituições; a ajuda económica do Sul ao Norte não se tinha refletido na ambicionada abertura do regime; e a relação com os EUA tinha atingido níveis historicamente baixos.

Lee mudou radicalmente a política dirigida à Coreia do Norte. Desde logo, anunciou que antes de ajudar economicamente o Norte – estava disposto a emprestar 40 milhões de dólares –, mas para isso teria de ver claros sinais de desnuclearização. Depois, juntou os EUA às negociações. Do ponto de vista económico, Lee não divergiu dos seus antecessores progressistas: o objetivo era fazer o Norte caminhar gradualmente em direcção a uma economia de mercado.

A sua estratégia ficou conhecida como Policy of Mutual Benefits and Common Prosperity, no sentido em que pretendia estabelecer uma política cujos resultados favorecessem as duas partes de igual forma a médio-longo prazo. A longo prazo, se tudo corresse como planeado, a convergência das duas economias propiciaria a reunificação das Coreias.

(Republic of Korea/Flickr)

Mas a Coreia do Norte não ficou satisfeita com a mudança de governo. Entretanto, Kim Jong-il adoecera e o poder transitara informalmente para os seus militares. Estes entenderam a nova política sul-coreana como intransigente, demasiado paternalista e distante da dos governos anteriores. Acima de tudo, foi a urgência posta na mudança de regime que preocupou Pyongyang. Cedo, em 2008, o Rodong Sinmun (jornal oficial do regime) acusou a nova administração de ter criado uma aliança com os EUA e com o Japão, com o fim último de derrubar o regime comunista.

Pyongyang não só rejeitou prontamente todos as propostas de Lee, como também lhes fez frente. Acusou a Coreia do Sul de não estar a cumprir a Declaração Conjunta de 2000 e iniciou um processo de demonização propagandeada do Sul. Em 2009, numa clara colisão com Lee, os hardliners do exército norte-coreano conduziram o segundo teste nuclear – ironicamente, poucos meses depois de Bush ter removido a Coreia do Norte da lista de potenciais ameaças nucleares aos EUA. Era o fim da Policy of Mutual Benefits and Common Prosperity, que nunca teve um verdadeiro início.

Os testes nucleares norte-coreanos continuavam, mas o país estava pobre e a sua população passava por uma profunda crise humanitária, sobretudo por falta de alimentos. Foi nesse período conturbado que os EUA propuseram à Coreia do Norte uma reunião dos membros da Six-Party Talks, para negociarem a desnuclearização da Coreia do Norte. Kim Jong-il fez saber que apenas aceitaria a reunião se antes fosse assinado um tratado de paz que pusesse fim ao armistício; Washington e Seul responderam que a negociação devia anteceder o tratado.

Num momento crítico que parecia favorável à reunião dos seis chefes de estado, a Coreia do Norte anuncia a existência de instalações de urânio enriquecido, que teriam sido criadas para desenvolver o seu armamento nuclear. Finalmente, em novembro de 2010, a Coreia do Norte bombardeia a ilha de Yeonpyeong, controlada por tropas sul-coreanas. A Coreia do Sul voltou a colocar a Coreia do Norte na sua lista de inimigos, de onde tinha saído em 2004, quando Roh Moo-hyun era presidente.

No final do seu mandato, Lee não pôde sorrir. Ao prioritizar a desnuclearização da Coreia do Norte usando ajuda económica como incentivo, criou no Norte uma sensação de isolamento. Naturalmente, por as forças radicais do exército norte-coreano terem ganhado protagonismo quando Kim Jong-il adoeceu, o diálogo entre as Coreias ficou limitado à vontade do Norte.

Park Geun-hye (2013-2017)

A presidente Park Geun-hye foi o primeiro chefe de estado sul-coreano a iniciar o seu mandato com Kim Jong-un a governar a Coreia do Norte. Previsivelmente, não teve a vida facilitada. Herdou duas Coreias distantes devido à austeridade de Lee e à permissividade de Kim e Roh, e viu-se numa posição inédita: as duas frentes – os progressistas e os conservadores – tinham falhado. E agora?

A sua proposta política para a Coreia do Norte não pôde divergir muito das anteriores. Baseou-se na diplomacia e na cooperação entre as Coreias. “Trustpolitik” foi a designação que a então presidente atribuiu à estratégia, em referência à sua aposta numa política de confiança, como descrita no artigo que escreveu para a revista Foreign Affairs.

Excerto do artigo de Park para a revista Foreign Affairs

Park preferiu uma abordagem intermédia que incluísse o melhor dos dois mundos: “alinhar segurança da Coreia do Sul, cooperação com o Norte e diálogo entre Coreias.” No entanto, a linha conservadora da proposta (“a Coreia do Sul responderá imediatamente a novos exercícios militares do Norte”) minou o apoio de Pyongyang.

Em Dezembro de 2012 – uma semana antes das eleições presidenciais na Coreia do Sul –, a Coreia do Norte pôs em órbita o satélite Kwangmyeongseong-3. No dia 12 de Fevereiro de 2013 – duas semanas antes de Park assumir funções – Pyongyang fez o seu terceiro teste nuclear.

A tensão na Península continuava a crescer: Park respondeu às provocações de Kim; Kim não gostou e mandou encerrar o Complexo Industrial de Kaeseong, o último vestígio da Sunshine Policy. Meses depois, no entanto, viria a ser reaberto, após a normalização do diálogo entre os dois países.

O discurso de Park continuava ambíguo, sem qualquer referência ao rumo que queria tomar. Por um lado, utilizava o cartaz da cooperação entre as Coreias; por outro, ameaçava o Norte ao mesmo tempo que ensaiava exercícios militares, em Seoul, com tropas americanas.

No verão de 2015, a situação piorou drasticamente. Dois soldados sul-coreanos ficaram feridos depois de pisarem uma mina norte-coreana plantada perto de um posto militar sul-coreano, e Park ordenou imediatamente que se retomasse a propaganda na Zona Desmilitarizada, 11 anos depois de Kim Dae-jung ter acordado a sua interrupção.

Já em 2016, a Coreia do Norte fez mais dois testes nucleares e pôs fim a qualquer possibilidade de negociação da administração Park. O fim simbólico foi o “encerramento total” do Complexo Industrial de Kaesong em Fevereiro desse ano.

Em Abril, o partido de Park (Saenuri, agora Coreia Liberdade) teve uma derrota pesada nas eleições gerais, devido ao fracasso da política para a Coreia do Norte, à desaceleração da economia e à elevada taxa de desemprego jovem (12,5%). Mais tarde, viria a ser descoberto o seu envolvimento num escândalo de corrupção, que a tiraria antecipadamente do poder.

Antes de sofrer o impeachment, Park pôs em marcha as negociações com os EUA para a instalação do sistema THAAD, na sequência de mais um exercício militar norte-coreano. A concretização do acordo viria mesmo a acontecer com o presidente interino, Hwang Kyo-ahn. A China opôs-se à decisão da Coreia do Sul, alegando que o radar do sistema constituía uma invasão do seu território, e iniciou um processo de aplicação de sanções económicas.

(Republic of Korea/Flickr)

Moon Jae-in (2017-)

Na sua campanha para as eleições de 2017, Moon mostrou a intenção de fazer regressar a Sunshine Policy. Quando foi eleito, a imprensa internacional apelidou a sua estratégia de Moonshine Policy, por seguir a linha dos seus antecessores progressistas e liberais, ao mesmo tempo que se distanciava do passado e agia autonomamente.

Mas Moon não teve direito a estado de graça. Poucos dias depois de ter sido eleito, no dia 14 de maio de 2017, viu a Coreia do Norte disparar o IRBM Hwaseong-12. Em Julho, Pyongyang desafiou o Sul, ao testar o ICBM Hwaseong-14, capaz de atingir os EUA. A cereja no topo do bolo foi o teste nuclear de Setembro.

A nova administração estava cada vez mais isolada. Trump e Kim entraram numa intensa “guerra de palavras” que começava a assumir contornos de descontrolo; Xi Jinping mantinha as sanções económicas à Coreia do Sul – que só viriam a ser negociadas em 2018; a questão das comfort women e dos trabalhadores forçados ia deteriorando a relação com o Japão. A Coreia do Sul via-se cada vez mais sozinha.

Naturalmente, perante a agressividade que marcou as ameaças nucleares de Kim e as respostas de Trump em 2017, qualquer sinal de abertura ou diálogo seria visto com bons olhos por Moon Jae-in.

A grande surpresa surgiu no início de 2018, quando Kim Jong-un propôs a Moon Jaein enviar uma delegação para os Jogos Olímpicos de Inverno. Kim viu aí uma oportunidade para estabelecer a détente na Península e ficar no “comando das operações”. Foi então estabelecido que as duas Coreias entrariam juntas na cerimónia de abertura e que a equipa feminina de hóquei no gelo seria composta por elementos dos dois países.

No discurso inaugural, Moon falou “numa única Coreia”, “a única nação dividida do mundo”, e desejou que o espírito olímpico se espelhasse nos coreanos. Por outras palavras, deixou no ar a possibilidade de uma reaproximação dos dois chefes de estado.

Em Abril de 2018, a cimeira histórica entre Kim e Moon confirmou a entrada num ciclo de paz. Pela primeira vez desde o final da Guerra da Coreia, um chefe de estado norte-coreano pisou solo sul-coreano. Kim utilizou a exposição mediática para lavar a sua imagem, apresentando-se como um líder jovem e carismático pronto a cooperar com forças outrora “opressoras”.

Mas o ponto alto do encontro entre os dois líderes foi a assinatura da Declaração de Paz, Prosperidade e Unificação da Península Coreana de Panmunjeom. Nela ficou estipulada a desnuclearização total da península e um reforço da cooperação entre os dois países – apesar de o significado de “cooperação” estar ainda muito diluído.

A cimeira augurou ainda a possibilidade de Kim e Trump se reunirem para discutirem as condições da desnuclearização. Em junho de 2018, os dois líderes reuniram-se em Singapura. Apesar de ter tido um impacto global do ponto de vista mediático, os resultados políticos deixaram muito a desejar. Trump disse que a Coreia do Norte já não era uma ameaça nuclear, mas isso não ficou, de todo, encerrado na cimeira. O processo de desnuclearização foi assumido por Kim Jong-un, mas sem um prazo definido.

O último grande evento do ano ocorreu em Setembro, e foi uma segunda cimeira entre Kim e Moon. Os benefícios ou malefícios deste segundo momento diplomático não são fáceis de apurar. Por um lado, houve vários desenvolvimentos a respeito da cooperação entre as Coreias: o desarmamento dos guardas da Área de Segurança Conjunta, o restauro de estradas que tinham sido destruídas ou cortadas durante a Guerra da Coreia, a visita de Kim a Seoul e o desmantelamento de postos de vigia.

Área de Segurança Conjunta (Daniel Oberhaus, 2014)

Contudo, ainda não se viam resultados concretos que provassem o compromisso de Kim Jong-un. O entusiasmo à volta da segunda cimeira e a consequente estagnação das negociações influenciou a queda de popularidade de Moon entre a população sul-coreana. Se em maio de 2018, depois da primeira cimeira, a sua taxa de aprovação tinha tocado os 80% – o valor mais alto entre todos os presidentes sul-coreanos no primeiro ano do seu mandato –, no final do ano estava abaixo dos 50%, variando semanalmente entre os 49% e os 48%.

O terceiro ano de mandato dos presidentes sul-coreanos é conhecido como “o ano do pesadelo”. 2019 será o terceiro ano de Moon à frente da Coreia do Sul. Internamente, tem tido problemas por causa do crescente número de desempregados, da desaceleração económica e da crise de natalidade que afecta não só a Coreia do Sul, mas também o Japão.

A resolução pacífica da questão norte-coreana poderá ser o seu trunfo, para terminar o mandato com uma conquista que os chefes de estado sul-coreanos ambicionam há mais de 20 anos.

Texto de Nuno Martins