Festival A Porta: quando a cidade de Leiria se torna de um festival

A 5ª edição está marcada para a semana de 14 a 23 de Junho. Pelas ruas da cidade, existirá música – muita música – mas também outras formas de arte com o propósito de agregar jovens, menos jovens, famílias e, claro, comerciantes.

Foto de Vera Marmelo/DR

De norte a sul, é possível cruzarmo-nos com um festival disto, um festival daquilo e um festival daquilo e o outro. O termo banalizou-se nas grandes cidades em torno de grandes eventos de música, geralmente de vários dias e capazes de atrair multidões. Mas hoje em dia serve para nomear também qualquer grande festa que ocorra numa aldeia, vila ou cidade rural. A música é o ADN de um festival e muitas vezes um elo de ligação entre uma programação cultural mais vasta e abrangente. O desígnio ‘festival’ serve também como selo que se cola a qualquer evento que não é a típica ‘festa da terra’, procurando atrair um público mais jovem.

É difícil contar pelos dedos das mãos os festivais que, através do e-mail do Shifter, nos pedem divulgação ou cobertura. Sob risco de nos tornarmos numa agenda festivaleira, não podemos atender a todos esses pedidos, mas cada vez mais procuramos destacar eventos que se realizem foram dos principais centros urbanos, mostrando a cultura descentralizada que parece existir cada vez mais em Portugal. Nesse jornada, descobrimos o Festival Rádio Faneca, em Ílhavo, o Festim, também a Norte, ou o Bons Sons – esse “festival da aldeia” criado em 2016 por um grupo de jovens que não queria mais uma festa pimba e popularucha no interior do país.

Os festivais são pretextos para visitarmos um lugar que não conhecemos, como aconteceu com a aldeia de Cem Soldos, hoje um epicentro da música portuguesa e um ponto importante no mapa dos festivais de Verão. Ou com Ílhavo, um concelho na sombra de Aveiro cujas histórias, paisagens, gastronomia e tradições pudemos vivenciar no Faneca. Como estes festivais e lugares que já mencionámos, existem outros que merecem ser explorados também. O Andanças, em Castelo de Vide, o BOOM, em Idanha-a-Nova, o FMM, em Sines, o Tremor, em São Miguel, o Impulso, nas Caldas da Rainha, ou o Barreiro Rocks, no Barreiro, são apenas seis exemplos com um bom reconhecimento entre os pares, apesar de o burburinho nos mass e social media não conseguir superar o hype dos ‘grandes’.

Foto de Vera Marmelo/DR

Em Leiria, cidade próxima de Lisboa mas com uma péssima ligação ferroviária, realiza-se há quatro anos consecutivos o Festival A Porta. A 5ª edição está marcada para a semana de 14 a 23 de Junho. Pelas ruas da cidade, existirá música – muita música – mas também outras formas de arte com o propósito de agregar jovens, menos jovens, famílias e, claro, comerciantes. Haverá performances a surgir como que surpresas, exposições nas rua e workshops para entreter as crianças.

Esta Porta pertence à cidade de Leiria e ao contrário de todas as outras esta só abre. Por ela tem-se acesso directo às mais diversas formas de arte, à cultura, ao entretenimento, ao lazer, ao comércio e à gastronomia. O Festival A Porta é um facilitador de encontros, um agregador de sinergias, um evento para todos, em especial para os leirienses.

Foto de Vera Marmelo/DR
Foto de Vera Marmelo/DR

O Festival A Porta é um convite para sairmos à rua, descobrirmos Leiria, em especial o seu centro histórico por vezes esquecido, mas também é um convite para entrarmos em casa particulares para um jantar temático com direito a concerto privado e intimista. Já na chamada ‘Casa Plástica’, o nome que o edifício da EDP recebe temporariamente durante o festival, haverá uma exposição com curadoria da ZONA – Residências Artísticas de Lamego, dirigida pelo artista João Pedro Fonseca.

No fundo, o Festival A Porta revela Leiria nos seus espaços públicos, privados, interiores e exteriores, propondo vários roteiros culturais na cidade, tendo na música um elo unificador que percorre todo o programa. Manel Cruz, Mdou Moctar, The Mauskovic Dance Band, K-X-P, Julinho da Concertina, April Marmara e Ayamonte Cidade Rodrigo foram os primeiros a integrar o cartaz musical da edição de 2019 d’A Porta. Seguiram-se First Breath After Coma, Bruno Pernadas, JP Simões, Captain Casablanca, Fado Bicha, La Jungle, Venga Venga e Bruxas/ Cobras.

Foto de Vera Marmelo/DR
Foto de Vera Marmelo/DR
Foto de Vera Marmelo/DR
Foto de Vera Marmelo/DR

O festival é quase todo ele gratuito e é organizado pela Meia Dúzia e Meia de Gatos Pingados, um grupo informal de leirienses de várias áreas artísticas e profissionais com vontade de mostrar as grandes potencialidades da sua cidade e dos habitantes. A Porta anunciará ainda mais nomes de músicos, artistas e outros detalhes sobre a programação final nos próximos tempos.

O Festival A Porta pareceu-nos interessante de conhecer, independentemente do cartaz musical que venha a ter. Pouco importa nestes festivais mais pequenos. A dinamização do espaço público e a sua reinterpretação com actividades culturais é das melhores formas de dar vida a uma cidade e de criarmos nelas boas histórias para guardar e contar mais tarde. Até Junho, Leiria… esperemos!