Helvetica Now é a primeira versão da fonte para o século XXI

A Helvetica não foi preparada para os dias de hoje, em que predominam os ecrãs com as suas altas resoluções e a necessidade de adaptação dos desenhos.

Mesmo sem te aperceberes de certeza absoluta que conheces a família tipográfica Helvetica. Desde que foi desenhada, em 1957, pelo suíço Max Miedinger, com inputs de Eduard Hoffman, este tipo de letra tornou-se num ícone dos seus tempos e marcou de forma indelével mais do que uma geração de designers. A sua utilização é ubíqua e, nas suas diversas mais diversas versões, serve de base para inúmeros logótipos ou outras peças de design marcantes como… os sinais de STOP. Como diz o The Guardian num artigo dedicado aos 50 anos da fonte, só nas lápides dos cemitérios a Helvetica não se impôs.

Contudo, a Helvetica não foi preparada para os dias de hoje; foi especialmente pensada para as técnicas de reprodução mais antigas, em que os caracteres eram cravados em blocos e utilizados sobretudo para impressão. Mas actualmente predominam os ecrãs com as suas altas resoluções e a necessidade de adaptação dos desenhos. Em 1983, foi desenhada uma versão digital da fonte, registada pela Monotype, mas ainda assim a optimização não satisfez todos. Foi a partir daí que o director de tipografia da Monotype, Charles Nix, se propôs a criar a Helvetica Now, uma sucessão à Helvetica e à Helvetica Neue – a primeira versão da fonte lançada no século XXI.

A Helvetica Now pretende ser mais do que uma adaptação da fonte clássica aos tempos modernos, procurando manter o espírito da inicial mas preenchê-lo com melhores formas, espaçamentos e funções (ligaduras, caracteres alternativos, etc). Assim, a família Helvetica Now é composta por um conjunto de 48 fontes em três tamanhos – micro, texto e display – e em vários pesos onde se incluem os novíssimos hairline e ExtraBlack (extra-fino e extra-grosso).

O processo de desenho desta família tipográfica pode parecer simples mas a necessidade de atenção ao detalhe e o peso da responsabilidade de redesenhar um clássico fez dele uma prova hercúlea. Em entrevista ao Creative Review, Charles Nix, confessou que o trabalho completo demorou 4 anos a concluir, desde os primeiros esboços até ao resultado final.