Landing Jobs: de uma pequena sala em Lisboa até Berlim

“Da mesma forma que planeiam os jantares para a semana, o ir ao ginásio, a praia, as pessoas têm de planear a sua carreira. Não é fácil porque assusta e assusta porque é algo a longo prazo e cheio de incertezas.”

O conceito de emprego para a vida morreu. Hoje em dia, com a tecnologia a desenvolver-se e a criar novas estruturas económicas e  uma conexão global, há novos empregos, outros a tornarem-se obsoletos e empregos que podemos fazer deslocados da sede da empresa, a quilómetros de distância. Mais do que num emprego, precisamos de pensar na carreira. E isso é algo que assusta.

“Da mesma forma que planeiam os jantares para a semana, o ir ao ginásio, a praia, as pessoas têm de planear a sua carreira. É isso que defendemos. Não é fácil porque assusta e assusta porque é algo a longo prazo e cheio de incertezas.” Pedro Oliveira é co-fundador com José Paiva da Landing Jobs, uma start-up que nasceu numa pequena sala na Startup Lisboa e que agora organiza um grande ‘festival de carreiras’ em Berlim, Amesterdão e Lisboa – para além, claro, do trabalho habitual. Encontrámo-lo na capital alemã para uma conversa sobre o crescimento da Landing Jobs, desde o lançamento em 2014 até à 2ª edição do Landing Festival em Berlim, passando pelo futuro. “A minha vida é isto. Meto tudo aqui. Toda a minha energia está aqui. E com o [José] Paiva é igual. Estamos a dar tudo aqui. Imagina que isto de repente ia ao ar. Não sei como é que a gente iria… Não quero pensar nisso porque quero é que isto vá para a frente, mas imagina… Como é que uma pessoa se sentiria? Não sei.”

Pedro Oliveira, co-fundador da Landing Jobs

Da salinha na Startup Lisboa

Fazer uma start-up também é fazer uma carreira com futuro incerto, com tudo o que isso de bom e de mau tem, com tudo o que há nisso de incerteza e de certeza, com todas as dificuldades e com todos os prazeres. A história da Landing Jobs não é excepção. Encontrar o nome certo e definir a marca são dos primeiros desafios para quem está a lançar o seu próprio negócio e, sem ninguém especialista em branding na altura, os desafios tornam-se complicados. ‘Mucho Work’ surgiu numa sessão de brainstorming“toda a gente achou incrível. Ficámos malucos e comprámos o domínio na hora. Ainda o temos e redirecciona hoje para o nosso site.” ‘Jobbox’ foi o que se seguiu para um projecto de negócio já mais sério; surgiu “também numa reunião mas mais séria” e com ela o icónico cubo que muitos, se calhar, ainda hoje associam à Landing Jobs e que permanecerá sempre como um ícone. “Era uma marca cheia de problemas a nível de vendas e comunicação. Havia quem se trocasse nos B’s. Visualmente também era super confusa.”

Foi como Jobbox que a agora start-up de Pedro teve o seu primeiro escritório em 2014 – uma pequena salinha na Startup Lisboa, junto à casa-de-banho. “O João [Vasconcelos] quando lá ia fazia o pitch, sempre de forma engraçadíssima e de forma diferente, inventava ali umas umas cenas, mas no final entregava sempre”, recorda. Foi também como Jobbox que lançaram a sua primeira plataforma em Março desse ano com uma ideia muito simples: reunir as ofertas de trabalho de empresas de tecnologia, mas, em vez de ser a pessoa directamente a candidatar-se, tinha de ser referenciada por um amigo, recebendo no caso de o amigo ser aceite na posição uma recompensa monetária. Esta mecânica de referenciação permitiu à Landing Jobs crescer mais rapidamente a sua base de utilizadores, valorizando-se no mercado, e continua disponível no seu mercado de empregos, onde as pessoas já podem concorrer directamente às vagas disponíveis e que hoje são bem mais que há cinco anos. “Tínhamos ofertas da Talkdesk em Lisboa, da Typeform em Barcelona e mais umas quantas, mas tínhamos muito poucos empregos. Todavia, começou logo como uma plataforma internacional”, aponta Pedro.

Os primeiros voos internacionais

A internacionalização fez parte dos planos da Landing Jobs desde o início e avançou em 2015 depois de receberem investimento de 750 mil euros da Portugal Ventures, altura em que o Pedro se mudou para Londres. “Mas saiu-nos o tiro pela culatra por causa do Brexit”, aponta. “Os custos de aquisição de talento aumentaram brutalmente, as pessoas deixaram de ter tanto interesse de ir para lá e o valor da libra também desceu bastante. Então, tomámos a decisão de ir saindo.” No fundo, “uma start-up tem de ser o mais ágil possível. Tivemos de nos adaptar às condições climatéricas, Acho que tem de ser assim. Se não formos nós pequenos a adaptarmo-nos, quer dizer, é uma grande a fazê-lo?”.

A Landing Jobs está agora mais focada em Espanha, Alemanha e mais recentemente na Holanda, “que tem semelhanças com o mercado alemão, mais dinâmico, mais rápido, mas também mais pequeno”. Amesterdão será, por isso, a terceira cidade a receber este ano o Landing Festival, depois de Berlim, onde aterrou em 2018, e de Lisboa, onde se realiza consecutivamente desde 2017. “Tanto eu como o Paiva somos pessoas ambiciosas, apesar de a cultura portuguesa não lidar bem com isso. Mas não quero saber”, comenta Pedro. ”Costumo dizer a brincar que adorava ter vivido em 1480 – sem todo aquele fanatismo religioso e também sem o esclavagismo – só para sentir como é que era a cultura de ir explorar daqueles tempos, quando éramos pequenos à espera de ser maiores, como é que as pessoas viviam isso.”, diz. “Sinto que a malta é hoje um pouco avessa ao risco. Falta mudar essa cultura. Não sei se é possível.”

“Mal levantámos investimento no início de 2015 e mudámos depois de nome de Jobbox para Landing Jobs, que ambição e internacionalização foi uma coisa nossa”, aponta Pedro, fazendo um ‘raio X’ da empresa: “Somos hoje um negócio lucrativo, temos quase 40 pessoas na equipa. São poucas as start-ups que conseguem dizer isso. E a equipa continua a crescer. Mesmo sem mais investimento continuamos a aumentá-la, mantendo-nos lucrativos.” “Se fores minimamente ambicioso, é raro o mercado português ser suficiente para uma tecnológica que nasce em Portugal. Se não fores, pode ser mais que suficiente, há bastante mercado interno. Temos de estar sempre a olhar lá para fora, e além da Europa.”

Pedro Oliveira, José Paiva e a Landing Jobs conhecem muito bem o mercado antes de arriscar. Sabem, por exemplo, que os EUA são um mercado mais difícil e com mais oportunidades em trabalho remoto, e que na América do Sul existem dificuldades de fuso horário. O Reino Unido parecia em 2015 um tiro certeiro, “ao ponto de um dos fundadores ir para lá viver e de contratarmos uma pessoa inglesa para estar connosco em Lisboa, ajudando-nos na tracção de empresas do Reino Unido e na fixação de equipas em Portugal”. A aposta em Londres pode não ter corrido como esperava, mas para Pedro foi uma experiência que lhe deu novas e diferentes perspectivas. “O mercado do Reino Unido, leia-se Londres, é extremamente competitivo e rápido. Ganha-se imenso dinheiro. E há mais pressão. Em Londres trabalhava menos tempo e fazia muito mais. Na Holanda também consigo ser bastante produtivo. Acho que esses povos conseguem ser muito mais produtivos que nós. Já em Portugal as coisas andam mais lentamente, não estamos no centro da Europa, logo por aí…”

José Paiva, co-fundador da Landing Jobs

“Mesmo os concorrentes tradicionais, ou seja, as agência de recrutamento, faziam lá um trabalho incrível. E não só tínhamos muitos mais concorrentes tradicionais como plataformas tecnológicas de todo o lado, Reino Unido, França, Estados Unidos… a competir ali”, comenta. “E às vezes metia medo, quando olhava para a nossa plataforma… Mas prefiro assim do que estar numa piscina pequenina e ser o maior da piscina pequenina.” Já antes de a Landing Jobs ‘invadir’ para Londres, “já tínhamos noção do mercado e do quão atrás nos encontrávamos”, reconhece Pedro.

“No final do dia, temos um produto muito melhor do que teríamos se não tivesse ido para lá [Londres], serviu quase como ponta de lança para abrir o jogo.” Abriram portas, fizeram novos contactos e estabeleceram parcerias, como, por exemplo, com a Recruiting Brainfood, “uma das maiores newsletters do mundo de recrutamento, só para profissionais de recrutamento”. “Somos patrocinadores deles” e participam na Tech Hiring Conference, um encontro que a Landing Jobs organiza em Lisboa exclusivamente para profissionais de recrutamento, um dia antes do Landing Festival (apesar de contar também com empresas, este é mais para quem quer ser recrutado).

Apesar de ter um pé ou os dois noutras cidades europeias, é a Lisboa que a Landing Jobs chama de casa, concretamente ao nº 2 da Rua Alexandre Herculano. “A equipa de gestão é portuguesa, os dois fundadores são ‘tugas’. É difícil perder isso.” Manter o Landing Festival em Lisboa – a próxima edição realiza-se dias 28 e 29 de Junho – é uma forma também de retribuir à comunidade que a apoiou no lançamento internacional, apesar de Pedro sentir que a Landing Jobs já deu muito a Lisboa. “Não ao nível do Web Summit”, claro, mas não só trouxeram pessoas para serem contratadas em Portugal como pagaram bolsas de estudo e promoveram outras diversas campanhas e iniciativas locais. “Tudo somado vai dar uma grande acção. Vamos continuar a retribuir, porque somos de Portugal. Não temos de estar agarrados a nisso, mas é lá que estão os nossos escritórios e temos uma cultura muito portuguesa na nossa abordagem.”

Até Berlim

O Landing Festival na capital portuguesa é diferente do que se realiza na homóloga alemã, porque são cidades, espaços e contextos diferentes. O evento em Berlim é brutal. O espaço era gigante e amplo. Parecia que o relógio andava com a velocidade certa – nem muito devagar, nem muito depressa; havia tempo para estar, ouvir, conversar. A calmaria interior seguia o sossego das ruas e avenidas em redor, apesar de nos encontramos no centro de Berlim – não havia trânsito, barulho ou confusões; só um rodopio constante de bicicletas, poucos carros, pessoas a andar a pé e a atravessar sem receio de atropelamentos. O barco à beira da venue, esse, continua a ser uma imagem exclusiva do evento em Lisboa.

Existiam dois palcos onde aconteceram talks em simultâneo – havia especialistas do Reddit ou da Google para ouvir, mas também nomes menos sonantes para descobrir. Além desse conhecimento mais técnico que se podia absorver nesses dois pontos, havia um terceiro palco mais focado na construção de carreiras, com sessões mais longas e de trabalho de grupo. Num pátio, onde também se achava um elegante bar, algumas empresas procuravam contactos com futuros possíveis colaboradores, e vice-versa. O networking fazia-se por todo o lado, pelos corredores, nas mesas onde se podia calmamente sentar e trabalhar um bocadinho…

Também existiam salas reservadas onde quem se inscrevesse através da app do Landing Festival podia ter a oportunidade de falar num ambiente mais intimista com um expert, alguém  com experiência profissional, que podia dar dicas e insights para melhorar as suas carreiras. “O Landing Festival tem um encaixe total com a nossa visão, que passa por as pessoas terem de ter o controlo das suas carreiras”, comenta Pedro. “Podem ir aos workhops dedicados à carreira e aquilo é a nossa visão, é a pessoas começarem a esboçar o seu mapa de carreira, perceberem o que têm de aprender, que tipos de trabalhos têm de fazer, que pessoas têm de conhecer…”

Seja em Berlim, Lisboa ou Amesterdão, o Festival pretende ser a concretização dessa visão da Landing Jobs. O evento, que começou em 2015 como lançamento da marca ‘Landing Jobs’ e que por ter corrido bem teve continuação, procurou afastar-se do formato de feira de recrutamento para o qual caminhava. “Sentimos que somos muito muito bons online e que no offline não fazia sentido. Por isso, começámos a desviar.” O cruzamento horizontal entre programadores acabados de sair da faculdade, especialistas já com algum terreno percorrido e empresas tecnológicas que o evento procura propiciar é a receita escolhida para que, mais que vender empregos, o Landing Festival impulsione carreiras. “Esta foi a primeira edição em que não houve bilhetes grátis. O mínimo para entrar era 50 euros, o máximo era 250, aqui em Berlim.”

Landing Festival – Learn. Boost. Build.

Uma parede de tijolo servia de fundo ao palco principal e nela estavam penduradas três palavras que sintetizam o que se pretende que aconteça no festival: ‘Learn’, ‘Boost’, ‘Build’. Por outras palavras, no horizonte da Landing Jobs, para sermos donos das nossas carreiras, para as impulsionarmos nós mesmos, precisamos de aprender com os melhores e de construir a nossa rede. “É um desafio difícil. Há muita dependência de empresas ou do Estado. A empresa é que tem de tratar da carreira. Ou sou vou a um evento porque a empresa me paga. Isto mudou mais ou menos quando surgiu a internet. Uma pessoa já não nasce, tem uma profissão e depois morre. É preciso fazer a mudança de mentalidades para a constante aprendizagem, se não ficam para trás.”

“Eventualmente vamos ter de digitalizar este processo porque é extremamente importante. Compreendo que assuste mas talvez se consiga transformar isto num produto não tão assustador.” Pedro deixa no ar a ideia de um evento estilo Landing Festival online – ou com uma componente online e outra offline – e que, por essa componente digital, possa ser replicável como qualquer produto tecnológico. “Vamos ser sinceros. Não ficamos ricos a fazer eventos”, confessa Pedro. “Aqui em Berlim este festival foi patrocinado por um ramo que é dedicado ao talento da Câmara Municipal. Em Lisboa também tivemos a Câmara a dar-nos apoio, mas só na 4ª edição.”

A ambição de Pedro – e por consequente da Landing Jobs – sente-se também aqui e, apesar da linha de interpretação entre desejo e arrogância ser ténue (e também por isso a ambição ser muitas vezes mal interpretada), não há que ter medo de afirmá-la, nem receio em ser crítico. Pedro Oliveira, 32 anos, não é aquele empreendedor com o discurso imaculado de que os políticos tanto gostam, e esse descomprometimento – que fomos sentido ao longo desta entrevista – é bom. É assim que podemos gerar uma cultura que dê espaço a políticos também eles mais descomprometidos.

Competir por talento

Pedro diz que já tiveram abordagens do Porto e, se a ideia de um Landing Festival na cidade Invicta parece interessante, esta é mais que uma questão de rivalidades bacocas entre cidades. “Da mesma forma que é importante as empresas portuguesas, nomeadamente as tecnológicas, irem la para fora para competir mais seriamente, também as nossas entidades municipais e governamentais têm de fazer esse processo. Os países estão a competir entre eles, as cidades estão a competir entre elas.”

A ideia é que Lisboa e Porto têm de competir entre eles. Lisboa tem de competir com Barcelona. Portugal com a Holanda. Amesterdão compete com Roterdão. Pedro concretiza-a no recrutamento de talento, que é a área da Landing Jobs e o tema desta conversa. “Quando uma empresa do Norte da Europa decide estabelecer um segundo centro de desenvolvimento, tem duas opções: Ibéria [Península Ibérica] ou [Europa de] Leste. Quando decidem pela Ibéria, é normalmente por questões de proximidade cultural, de fuso horário semelhante (caso de Portugal e Reino Unido) e/ou de mentalidade, porque no Leste há aquele ‘mindset’ não tão criativo. E quando decidem pela Ibéria, normalmente é Lisboa ou Barcelona. Um dos dois. Às vezes também Lisboa e Porto. Isso é competição entre cidades, exemplifica. “Muitas das empresas que estão a estabelecer-se agora em Portugal com equipas tecnológicas estão a ir pela marca Portugal, que é hoje muito forte por causa do turismo e em parte graças também ao Web Summit. Não vou lá porque não me acrescenta valor a nível de aprendizagem – prefiro um Landing Festival, por exemplo –, mas há que reconhecer isso.”

“As Câmaras já começam a olhar para o talento, nomeadamente o talento tecnológico, como uma área que têm de trabalhar. É algo de que as cidades e as empresas das cidades precisam. Têm de ter olhos nisso e também competir. Pagar mesmo a equipas para trabalhar profissionalmente nisso. Lisboa começou a trabalhar talento, pelo que sei, no ano passado mais seriamente. Em Amesterdão e Berlim já trabalham isso há mais tempo. Se calhar a Landing Jobs ajudou a fazer alguma pressão em Lisboa.”

O Landing Festival em Lisboa tem datas marcadas nos dias 28 e 29 de Junho, e vai decorrer no Centro de Congressos, junto ao rio Tejo e por isso com a festa no icónico barco de volta. Para estudantes, o evento é gratuito; para os restantes, os preços variam entre os 10 e os 150 euros, consoante pretendam só uma tarde no Festival ou tudo incluído (incluindo quatro refeições e quatro bebidas); até dia 30 de Abril existem descontos de 50%.

A experiência de quem foi

Não sabemos se o André e o Malik, que encontrámos em Berlim, a dar una ajuda à equipa do Landing Festival, irão à edição lisboeta. Até porque ambos se mudaram para o coração da Alemanha.“Vim para Berlim no ano passado, tive uma proposta de trabalho”, conta André Albuquerque, que ainda não tinha saído da faculdade e já se tinha metido por dentro do ecossistema empreendedor lisboeta. “Tirando o clima às vezes – não é sempre Lisboa –, apaixonei-me pela cidade e decidi ficar, pelo menos até me fartar.” O sentimento de André foi semelhante ao que Malik Piara que também encontrou em Berlim; a motivação para trocar de cidade, essa, foi outra: “Desde pequeno que gostei de tecnologia e me imaginei a criar a minha start-up. Sempre me disseram para ir para onde as redes estão; e senti que o conhecimento que havia nesta cidade e as redes que cá existiam me iam ajudar a crescer a um nível que não iria conseguir em Lisboa.”

André Albuquerque esteve a ser host num dos palcos

O que cada um procurou neste Landing Festival também diferia. “Tens gente suficiente para conseguires ter networking e ao mesmo tempo tens gente suficiente para não sentires que isto é um caos. Ainda há pouco estive a conversar com um orador durante 30 minutos. Eu não tenho 30 minutos no Web Summit. É muita gente, tanta coisa que perdes qualidade e não tens sumo”, atira André. Mas, diz também, “há palestras aqui que estão cheias, a abarrotar. Há bocado fui ser host de uma das talks e tínhamos 80 ou 90 pessoas sentadas mais umas 30 em pé”. Já para Malik a mais valia que absorve do Landing Festival é a oportunidade de conseguir ter acesso a recrutadores aos quais de outras formas não teria acesso tão facilitado. “Por exemplo, poder falar com o SoundCloud e perceber o que é que procuram enquanto recrutadores, o que é importante para eles, como é que me consigo posicionar no mercado. Ou poder falar com a Contentful, que já é um unicórnio e que está a crescer de forma acelerada. Perceber como é que estas start-ups funcionam e o que é que procuram nas pessoas.”

“Venho ao Landing Festival desde o primeiro, em que ainda era um puto do secundário super confuso em relação ao que queria fazer, se queria continuar a programar ou fazer design de interfaces”, acrescenta Malik. “Houve uma grande evolução, de que gostei bastante e que foi ter ter passado de uma feira de recrutamento para se focar mais na tua carreira. É isso que mais valor tem trazido para mim.”

Malik em Lisboa criou a Upframe, start-up à qual continua associado à distância porque ingressou no ano passado na Code University, em Berlim, uma universidade cuja mais valia destaca ser a colaboração que potencia entre alunos de programação, design e gestão de produto em projectos reais para clientes reais como a Porsche ou o Facebook. “Sinto que estou aqui por uma questão de conhecimento. O sítio onde cresço neste momento é aqui, mas nada me daria mais gosto do que poder voltar a Portugal e poder construir a minha empresa em Portugal.”

(Notas: as fotos gentilmente cedidas pela Landing Jobs. O Shifter viajou a convite da Landing Jobs para ser possível a concretização desta reportagem em Berlim.)