Numa manif contra o Artigo 13 em Berlim

No último sábado, no centro de Berlim, cerca de duas centenas de pessoas juntaram-se para protestar pelos direitos digitais e contra o Artigo 13. Nós estivemos lá.

Berlim é criativa, desembaraçada, proactiva. Estivemos recentemente na capital alemã para o Landing Festival e não pudemos deixar de espreitar, este sábado, uma manifestação contra a nova directiva que irá redefinir a questão dos direitos de autor em toda União Europeia (UE). Ao longo dos últimos meses, aqui vos escrevemos sobre a controversa directiva, em particular sobre os Artigos 11 e 13, acompanhando, todavia, à distância as múltiplas demonstrações públicas que iam decorrendo em inúmeras cidades europeias. A curiosidade por ver um desses protestos e senti-lo ao vivo e a cores era inegável.

Berlim em particular e a Alemanha em geral foram, desde o início do longo processo de redacção, discussão e aprovação da nova directiva de direitos de autor um ponto central em toda a contestação que surgiu. Percebe-se que este seja um assunto próximo aos alemães: foi o eurodeputado alemão Günther Oettinger que redigiu a primeira proposta da directiva na Comissão Europeia, o eurodeputado alemão Axel Voss que conduziu as negociações nos corredores da UE e a eurodeputada alemã Julia Reda que mais oposição fez a toda a iniciativa.

No último fim-de-semana de Março, antecedendo a votação final do Parlamento Europeu marcada para a terça-feira seguinte, perto de uma centena de cidades organizaram manifestações contra a directiva, em particular contra o Artigo 13. Estima-se que, no total, mais de 200 mil pessoas tenham participado nos protestos. Em Berlim, por exemplo, encheram-se avenidas e praças junto ao Parlamento alemão.

Decorrida a votação final, os números de pessoas nas ruas e de manifestações são menores. No último sábado, em vez de uma centena de cidades só cerca de duas dezenas contaram com demonstrações públicas de desagrado em relação à directiva. Foram sobretudo cidades alemãs ou cidades onde se fala alemão, uma vez que as manifestações foram promovidas pelo grupo SaveTheInternet.info, um movimento cívico mais focado na região falante de alemão. Em Berlim, mais concretamente no Lustgarten, encontraram-se umas duas centenas de pessoas.

Gritavam bem alto – conseguíamos entender expressões como “save the internet”, “artikel 13” ou “zensur” (em português, “censura”) –, ao ponto de se fazerem ouvir em todo o Lustgarten, uma praça ainda ampla no centro de Berlim, em zona turística, e onde várias pessoas aproveitavam a relva e o sol. À vez, um dos manifestantes pegava no microfone e discursava; os restantes ouviam ordeiramente. A polícia, numa postura descontraída, garantia não haver desacatos. Alguns distribuíam panfletos, espalhando a mensagem.