Um Tremor, 11 histórias

Quando decido ir fotografar um festival vou sempre com a esperança de fazer alguma coisa especial. Mas, presa às "necessidades" de mostrar tudo aquilo que se passa, de forma demasiado intensa (leia-se muitas fotografias), acabo sempre por me perder, por me desconcentrar.

 

Quando decido ir fotografar um festival vou sempre com a esperança de fazer alguma coisa especial. Mas, presa às “necessidades” de mostrar tudo aquilo que se passa, de forma demasiado intensa (leia-se muitas fotografias), acabo sempre por me perder, por me desconcentrar. Os dias avançam e eu fotografo mais sem pensar do que com um objectivo claro.

Este Tremor correu assim. Outra vez! Mal dei pelo tempo a passar. Voou. Estive lá os cinco dias do festival, vi tudo quanto me foi possível! Partilhei, todas as manhãs, mais ou menos uma centena de fotos que para mim contavam a história do dia.

E depois fico sempre expectante na possibilidade de haver quem as veja todas, de alguém se encontrar naquelas fotografias ou ver alguma coisa bonita, que lhe desperte alguma coisa. Mas é todo um silêncio, para além de números de estatísticas de visitas no blogue ou de gostos no Instagram.

Por isso, na segunda noite, pós festival, decidi dar alguma voz a onze fotos, uma por cada uma das entradas no blogue. Coleccionei 11 histórias, fiz questão de escolher só uma por entrada, o que não é uma por dia! Isso não era capaz! Quem sabe não desperta em vocês a paciência para verem todas.

História #1, dia 1 ⏳

Tinha visto o Colin Stetson tocar na noite anterior, queria ir ver o ensaio para perceber como aquilo acontecia! Colei-me ao Branquinho, o stage manager do auditório para esse dia. Andávamos perdidos, a tentar encontrar a porta de entrada do conservatório e, ao subirmos a rua, encontrámos a equipa de limpeza da cidade a voltar à base.

A luz naquela hora, a bater nos coletes amarelos, era demasiado bonita!

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História #2, dia 2 🐛

Uma das minhas aventuras favoritas do tremor são os Tremores-Todo-o-Terreno!

Passei a viagem de carro até à Ribeira Quente super positiva! No carro, eu, o Carlos e o Nuno, tentávamos arquitectar qual a melhor forma de nos abrigarmos… enquanto decidíamos onde o Nuno podia comer outro pão com qualquer tipo de carne no meio. Foi no café Adelino! Também o sítio onde bebi a melhor bica da semana toda – café TOFA para sempre!

O autocarro dos aventureiros chegou, o meu guarda-chuvinha da lotaria clássica vermelho foi aberto! E lá fomos, sem medo, ao encontro da Natalie e da Tida.

Este aqui é o André, feliz e aliviado, no fim de tudo, molhado até ao ossito mais escondido do seu corpo! Mas com o sorriso mais imbatível de toda esta edição do Tremor.

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História #3, dia 2 🔥

Esta é a Odete que começou o seu DJ set com a “Bitch Better Have My Money”, enough said, acho!

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História #4, dia 3 ⛲️

Outro meu favorito do festival são os Tremores na Estufa! Basicamente concertos em sítios surpresa, com músicos que também são surpresa. Este ano fomos até a Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões na Achada! Chegas e a primeira coisa que vês é uma cascata incrível (muitas fotos do verde e da natureza linda no link ali de cima, óbvio), ou uma cachoeira, como disse o Wandson!

O músico convidado era o dB! Este é o tipo de retrato que se faz quando há cascatas e classe, tudo ao mesmo tempo.

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História #5, dia 3 📯

Este é o Samuel, lá ao fundo é o Ricardo dos Onda Amarela. Estavam a tocar com os Pop Dell’Arte! E isto aconteceu por um daqueles acasos muito bonitos.

Os Onda Amarela abriram o festival e o João Peste estava lá a ver a actuação deles, com a Escola de Música de Rabo de Peixe e a Asism Açores. Apanhou do teatro uma boleia do Tiago! Conheci o Tiago no Tremor deste ano, temos em comum muita coisa mas a mais importante é o domínio do Excel!

Voltando ao Peste. O Peste perguntou ao Tiago como se chamava o maestro dos onda. E o Tiago perguntou-me a mim! Desbocada como sou fui dizer ao Ricardo “olha! vai falar ao João Peste que ele perguntou por ti!”. Dois dias depois! Pop Dell’Arte feat. Onda Amarela! Cenas à Tremor!

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História #6, dia 4 🕺

O Tremor tem um caso de namoro profundo com os Za!! Que sempre que vejo renovam o seu lugar no topo das minhas bandas/pessoas preferidas.

Este ano, inspirados no trabalho de fotografia do Rúben Monfort com as Despensas de Rabo de Peixe, fizeram a residência artística com os tocadores de castanholas. E garanto-vos, não há palavras que descrevam o quão bonito foi ver isto, homens de castanholas na mão, vestidos a rigor, de acordo com as suas “profissões”, a subir rua acima, dançando e cantando, até chegar à casa onde se iriam juntar aos Za! para o concerto surpresa deste Tremor na Estufa!

Fica aqui o retrato selfie com os sorrisos!

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História #7, dia 4 ✊

O Brasil está a exportar muita liberdade, muita força de vencer e combater esta viragem política assustadora.

E se já havia sublinhado a coragem e a importância da Linn da Quebrada em tempos como este… assisti novamente essa coragem, liberdade e vontade de nos agarrar com as garras e o corpo todo dos Teto Preto!
Nada, nada me preparou para isto. E ainda ecoam na minha cabeça os gritos da Laura!

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História #8, dia 5 👶

Esta é do Mini-Tremor! É o Kitas e o pequeno Gael! Conheci o Kitas com o Gael, muito bebé, nos braços, há cinco anos atrás. Este puto teve mini-tremor em todos os anos da sua vida! Um mini-tremor inspirado em si, concretizado pelo seu pai! Um pai para o Gael e para o nosso Tremor.

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História #9, dia 5 😎

O Diogo é um dos meus açorianos favoritos. Dono de um humor impecável! E de um coração grande. Há dois anos fez um documentário sobre o RAP açoriano que lhe saiu da pele. Foi aí que possivelmente se aproximou do LBC (verdade, Diogo?).

Este ano concretizou o sonho de o levar ao festival! De virar produtor, de arranjar um baterista, o super Tiago e fazer um dos momentos mais especiais, inspiradores e felizes do dia grande do Tremor.

Este beijo foi um remake, pedido por mim! Que perdi o primeiro e gritei “outro! que eu não fotografei!”. Tivéssemos todos mais oportunidades de repetir primeiros beijos, só para memória futura!

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História #10, dia 5 🙋‍♀️

Vi os Sunflowers pela primeira vez em 2015. Fiquei de imediato super fã da Carolina Brandão e do Carlos de Jesus. Da força, da garra, do quão destemidos são. E do quão profissionais e a sério levam tudo isto!

Uma das melhores respostas que ouvi numa entrevista foi dada pelo Carlos no No Ar, da Antena 3, ao Henrique Amaro: “fazias isto (tocar) para sempre?”, “sim, se fosse contigo (olhando para a Carolina)”. Acho que é este trabalho de equipa, e de amor, do casal que se conheceu no MySpace e se completou musicalmente, que me faz gostar ainda mais de estar presente. Mesmo que isso espante a Carolina!

Não, nem pensar em falhar! Nada me tirou o prazer de dançar muito ao lado do Bruno. Nada me tirou a felicidade de ver a primeira, segunda e mais filas cheias de miúdas que curtiram tanto quanto eu, tomando a fila da frente como delas. Muito devido à chamada que a bateria da Carolina lhes fazia! Se ela está em palco, isto é nosso.

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História #11, dia 5 ⭐️

Conheci os Za!, no mesmo dia em que conheci o Luis Senra! Os três que partilham o abraço na fotografia, quando furei um workshop, no dia em que aterrei em São Miguel pela segunda vez na vida. O Luís é (foi) um dos alunos da Escola de Música de Rabo de Peixe. É saxofonista. O saxofone que hoje o Luís toca foi comprado com um crowdfunding no qual tive o maior prazer em participar! Aquele saxofone é o avançar de um sonho!

O workshop que fez com os Za! foi o avançar de um sonho em 2015, voltar a pisar o palco do Tremor com eles em 2016 e agora em 2019… são mais passinhos no sonho do Luís. O sonho do Luís é partilhado com o do Tremor, de fazer histórias bonitas acontecer e de fazer uma trabalho continuado com e nos Açores.

Porque mais do que o festival que nós, que temos gigs para ver numa base diária, vamos curtir, para aproveitar e passar umas férias no verde… o Tremor é uma oportunidade de miúdos, como o Luís, de ver muito mundo, à porta de casa, de se sentirem próximos das possibilidades todas e de participarem!

Obrigada por isso, Tremor, Luis, Antonio, Joaquim, Márcio, Gui, André, Kin… e todos os que continuam a perder anos de vida, nestes cinco dias, para fazer os outros ganhar mundo.

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