A Humanidade continua a bater recordes na corrida para o colapso ecológico

O CO₂ na atmosfera excedeu as 415 partes por milhão. Parece algo pouco importante, mas é mais uma indicação de que estamos a chegar a uma catástrofe ambiental.

Foto de Alexander Popov via Unsplash

A quantidade de CO₂ na atmosfera excedeu as 415 partes por milhão pela primeira vez na história da humanidade, de acordo com sensores no Observatório Manua Loa e uma pesquisa da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Este marco assustador foi divulgado através do Twitter de Eric Holthaus, um repórter que costuma seguir questões meteorológicas, com recurso aos dados apresentados pelo Scripps Institution of Oceanography da Universidade de San Diego, na California.

As medições de dióxido de carbono foram apoiadas pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE) e recentemente complementadas pela Earth Networks, uma empresa de tecnologia que está a colaborar com a Scripps para expandir a rede global de monitorização dos gases de efeito de estufa (GEE).

O gráfico em questão retrata as medições de CO₂ na atmosfera desde 1700 até aos dias de hoje e nele pode ver-se que desde 1800 os níveis de dióxido de carbono têm vindo a aumentar sem parar. Os primeiros carros movidos por motor de combustão interna a gás surgiram em 1807 e a Revolução Industrial começou entre 1780 e 1840. Estes fatores que contribuíram para o aumento drástico de dióxido de carbono, que se agravou ainda mais com a comercialização industrial de automóveis e o crescimento de fábricas em todo o mundo que se seguiu a estes dois períodos históricos.

Já na semana passada, um outro relatório relevava que pelo menos um milhão de espécies estão em risco de extinção graças à atividade humana e às emissões de carbono. Se se considerar que a mudança climática está ligada às emissões de carbono, a sua redução custará só aos EUA 500 mil milhões de dólares por ano até 2090, segundo o site TechCrunch. Donald Trump já escrevera sobre isso no seu Twitter, mostrando a sua preocupação com… o dinheiro que se vai gastar a tentar diminui o aquecimento global.

A proporção crescente de dióxido de carbono na atmosfera é preocupante devido às suas propriedades de absorção de calor – efeito de estufa. A terra e os mares absorvem e emitem calor que fica preso em moléculas de CO₂. É verdade que os gases de efeito de estufa contribuem para que o planeta mantenha uma temperatura que possa sustentar a vida, mas em demasia pode ter um resultado contrário ao desejado… e é o que está a acontecer agora!

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA, “os aumentos nos gases de efeito de estufa desequilibraram o orçamento de energia da Terra, capturando calor adicional e elevando a temperatura média da Terra”. De acordo com a mesma fonte, dois terços do desequilibro energético total foi provocado ao aumento de dióxido de carbono na atmosfera.

Em síntese e como nota o trabalho do TechCrunch, há agora um milhão de espécies em vias de extinção; mais de um terço da superfície terrestre e 75% dos recursos de água são dedicados à produção agrícola e pecuária; 60 mil milhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos globalmente a cada ano; a degradação da terra reduziu a produtividade da área de superfície terrestre global em 23%; cerca de 577 mil milhões de dólares em culturas estão em risco de perda anual de polinizadores; e cerca de 300 milhões de pessoas correm risco de inundações e furacões devido à perda de habitats costeiros.

A solução para estes acontecimentos, sugerida por Watson, é “uma reorganização fundamental em todo o sistema entre fatores tecnológicos, económicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores”. Em vários países sucedem-se as demonstrações populares contra o aquecimento global e, no Reino Unido, o Parlamento já decretou simbolicamente Emergência Climática num assumir de responsabilidades políticas sobre este flagelo de dimensões globais.

(Artigo redigido com o novo AO)