Ecosia é o motor de busca que planta árvores. Mas… como?!

O Ecosia já plantou mais de 56 milhões de árvores através das receitas que faz com a publicidade que os seus utilizadores vêem nos resultados.

Estima-se que a cada segundo sejam feitas mais de 70 mil pesquisas através do Google. Agora imagina se, em vez de essas pesquisas darem simples mais receitas (e dados) para a Google, se resultassem na plantação de árvores. Essa é a promessa do Ecosia, um motor de busca que alega plantar árvores e que, aliás, diz já ter plantado mais de 57 milhões. Mas como é que o Ecosia consegue isso?

Essa foi a dúvida de Charlie Kilman, autor do excepcional canal de YouTube Our Climate Change. “Para mim, parece ser demasiado bom para ser verdade que sempre que pesquiso qualquer coisa na web alguém do outro lado do mundo plante uma árvore”, diz num vídeo-ensaio sobre o Ecosia. Nesse trabalho, Charlie diz que o modelo do Ecosia é simples: a empresa alemã fundada por Christian Kroll transforma as receitas publicitárias dos resultados de pesquisa em árvores. Mas não é o Ecosia que planta as árvores directamente; em vez disso, financia parceiros locais e entidades não governamentais que têm projectos de plantação de árvores.

Actualmente, o Ecosia financia 21 iniciativas diferentes de plantação de árvores em zonas de risco. O motor de busca apoia organizações como a WeForest, no Burkina Faso, a Copaiba, no Brasil, ou o Eden Reforestation Project, no Madagáscar. “Não é tão simples quanto um clique no teu computador se traduzir num rebento no solo. Existe uma cadeia de organizações, pessoas, dinheiro e trabalho árduo que ajuda a transformar as pesquisas no Ecosia em árvores plantadas.”

As receitas que o Ecosia faz com os anúncios que as pessoas podem ver nos resultados de pesquisa não são destinadas a 100% a projectos de plantação de árvores: há custos operacionais, marketing e uma fatia das receitas convertida em reinvestimento. De acordo com o plano financeiro do Ecosia, as árvores representam 47% das receitas mensais da empresa, ou seja, 80% dos lucros se excluirmos da equação os custos operacionais.

Plano financeiro do Ecosia (imagem via Ecosia/DR)

No seu ensaio, Charlie questiona-se também se é ecologicamente preferível usar o Ecosia ao Google, por exemplo; conclui que sim mas levanta alguns pontos interessantes. O primeiro é que o Ecosia usa o sistema de pesquisa da Microsoft, o Bing, e que, ao contrário da Google que funciona a 100% a energia renovável, o Bing vai buscar apenas 44% da sua energia a fontes limpas. Todavia, a Microsoft comprometeu-se com uma redução em 75% nas emissões totais de carbono resultantes da sua actividade até 2030.

“De acordo com o Ecosia, cada pesquisa que fazes com o motor de busca tira 1 kg de dióxido de carbono da atmosfera. Portanto, à medida que o Bing fica mais verde e o Ecosia cresce em tamanho, o impacto dos motores de busca em carbono vai só encolher”, conclui.

Um dos projectos de plantação financiados pelo Ecosia em acção (foto via Ecosia/DR)

O vídeo de Charlie Kilman e o todo o seu trabalho no canal Our Climate Change é algo que vale a pena espreitar e, se quiseres, apoiar via Patreon. Outro canal também muito ligado às questões ambientais é o de Levi Hildebrand, que também fez um vídeo sobre o Ecosia: