A primeira música ‘Eurovisão’ criada por inteligência artificial

Pela internet fora são dezenas os exemplos de amadores que treinam os seus sistemas de IA para escrever guiões de filmes ou outros tipos de texto. Agora, a divisão israelita da Oracle Corp. resolveu criar uma canção à lá Eurovisão.

A inteligência artificial (IA), no seu estádio actual, é especialmente pródiga a repetir padrões de criação de seja do que for. Se ‘alimentarmos’ um sistema de AI com uma boa quantidade de informação de determinado género, esse sistema tornar-se-à exímio a replicá-lo. Este esquema vale para praticamente tudo o que seja produção artística. Depois de o algoritmo decompor as criações originais e perceber quais os seus padrões mais relevantes, torna-se capaz de criar uma peça original que, embora não seja especialmente criativa, acaba por ser bastante semelhante ao que faria um humano.

Pela internet fora são dezenas os exemplos de amadores que treinam os seus sistema de IA para escrever guiões de filmes, espectáculos de stand-up ou até para escrever com o mesmo tom que alguns humanos reconhecidos. Agora, a divisão israelita da Oracle Corp. resolveu trazer uma destas experiências para o mainstream, pegando num dos temas mais populares do momento, a Eurovisão.

Para o efeito criaram um sistema de inteligência artificial que alimentaram com 200 músicas candidatas à Eurovisão, e que posteriormente compôs e escreveu “Blue Jeans and Bloody Tears”, a primeira música escrita em contexto de festival exclusivamente por computadores que, surpreendentemente, não difere assim tanto da média das restantes entradas a concurso.

Apesar de ser um projecto não oficial, o dueto do robô cor-de-rosa com Izhar Cohen, o anterior vencedor da Eurovisão por Israel, em 1978, tem atraído as atenções e feito especial sucesso na internet. Pelas redes sociais há quem diga que esta música facilmente configuraria nas finalistas caso estivesse a concurso – ao basear-se numa grande quantidade de músicas anteriores, o sistema conseguiu criar uma música que replica algumas das melodias e ritmos mais comuns nos temas que fizeram sucesso.

Criações como esta não passam de provas de conceito e exercícios criativos que nos devem deixar alerta para a forma como as máquinas são competentes na replicação de formatos de sucesso no universo pop, um aviso para os humanos que, em breve, podem ver os seus lugares nos tops ameaçados por criações deste género.

De resto, Israel tem tido um papel muito activo na exploração das tecnologias de ponta quer neste campo da inteligência quer noutros. Ainda esta semana, a propósito da vulnerabilidade detectada no WhatsApp, uma empresa israelita, a NSO, foi fortemente questionada por desenvolver spyware de última geração, capaz de activar remotamente a câmara ou o microfone de um aparelho móvel.

Vulnerabilidade no WhatsApp corrigida mas questões sobre empresa israelita por responder