Ganhar dinheiro a fazer os trabalhos que os estudantes não querem fazer

Estudantes a pagar para terem os trabalhos feitos... até que ponto chegámos?

Foto de Ben Mullins via Unsplash

Trabalhava como gerente de restaurantes em Columbus, Ohio, nos EUA. Até que viu um anúncio da Craigslist para um site de pessoas que publicavam vários projetos como artigos, textos para admissão e outros trabalhos relacionados. Aceitou o desafio e começou a ganhar quase 900 euros por semana a escrever textos para estudantes preguiçosos.

Trabalha neste registo há seis meses, por volta de 20 a 25 horas semanais, transformando-se num emprego a tempo inteiro quando percebeu que conseguia ganhar dinheiro suficiente para o mês. Revelou na VICE, anonimamente, que as pessoas perguntavam se não havia problema com a legalidade do trabalho, mas não está a fazer nada ilegal, apenas é “moralmente duvidoso”.

Os clientes confiam na boa vontade de um estranho para que faça o seu trabalho pagando antecipadamente.“Eu estou surpreso que estas crianças estão dispostas a dar os seus dados de PayPal e pagar integralmente antes de começarmos a trabalhar”, diz.

Já fez à volta de 30 a 40 trabalhos a ganhar entre os 50 e os 70 euros por cada, que só levavam meia hora para escrever. O primeiro trabalho foi escrever poesia para uma rapariga sobre o seu gato. Também já escreveu textos para admissão na faculdade em que não era necessário citações ou grandes pesquisas. Outros trabalhos foram de assuntos pessoais como escrever acerca de um momento da vida em que enfrentou algum desafio. “As pessoas preferiam pagar cerca de 90 euros a alguém do que escrever algumas páginas sobre elas próprias”, segundo conta na VICE.

Na maior parte não escreve nada do seu interesse e revela que aceitou escrever sobre o livro Neumancer, de William Gibson, porque era um dos seus preferidos, mesmo sendo preciso escrever seis páginas. Os clientes que usam os seus serviços variam muito, sendo que a maioria são estudantes internacionais ricos e teve clientes satisfeitos que chegaram a fazer mais pedidos de trabalhos.

Aproximadamente 95% das vezes entrega os trabalhos aos alunos e não tem qualquer feedback, mas já teve trabalhos em que o professor percebeu que não foi o aluno a escrever o texto. Até chegou a fazer aulas inteiras para clientes, com um valor que rondava os 550 euros por um semestre.“Há pessoas que pagam quase 18 mil euros por ano e saem com nada que se pareça com educação”, diz.

Há mais projetos do que escritores no site, o que é uma mais valia para ele. Ganha, em média, 20 euros por página e o administrador do site diz para não cobrar menos que 10 cêntimos por palavra. Confessa que “trabalhar nesta indústria abriu-me os olhos ainda mais pelo facto de que as pessoas não querem saber do seu curso”.

(Artigo redigido com o novo AO)