Uma mensagem de Snowden para Assange, e dezenas de manifestantes em Berlim

Durante esta quinta-feira, num dos pontos mais icónicos da cidade de Berlim, várias pessoas gritaram contra a extradição de Julian Assange para os EUA. Entre eles, estavam caras bem conhecidas.

Foto de DiEM25 / cortesia de Angela Richter

Durante esta quinta-feira, num dos pontos mais icónicos da cidade de Berlim, as Portas de Brandeburgo, dezenas de manifestantes gritaram contra a extradição de Julian Assange para os EUA. Entre eles, estavam caras bem conhecidas, como o artista chinês Ai Weiwei ou o filósofo e político croata Srecko Horvat.

O protesto organizado pelo DiEM25, o movimento pan-europeu fundado por Yannis Varoufakis e Srecko Horvato, e o partido a concurso nas europeias alemãs em sua representação, o Demokratie in Europa, contou ainda com uma presença especial: as palavras de Edward Snowden.

A demonstração estava marcada há alguns dias, com um plano bem delineado. Na primeira parte houve tempo para discursos de Srecko Horvat e Angela Richter, do DiEM25 e do Demokratie in Europa, respectivamente, de Annegret Falter, responsável da Whistleblowers Network, e Esteban Servat do grupo EcoLeaks. Na segunda, decorreu a leitura da carta de Edward Snowden trazida directamente de Moscovo pelas mãos de Angela, que também se encarregou da leitura.

Foto de DiEM25 / cortesia de Angela Richter

Na curta declaração de Edward Snowden, o conhecido whistleblower norte-americano mostra a sua solidariedade para com Julian Assange, sublinhando o facto de Julian ter desde o primeiro minuto previsto que este seria a consequência da sua saída da Embaixada e de ninguém ter acreditado em si. Snowden prossegue criticando a acusação de que o australiano é alvo, evidenciando o que para si é o interesse público das revelações de Chelsea Manning, o elemento central da acusação do Governo norte-americano a Assange.

Na frase final, Edward Snowden deixa um alerta abstracto: mais do que um caso de um homem, a prisão de Assange é um caso sobre o futuro da imprensa.

Durante o dia de hoje, Julian Assange foi presente a um tribunal britânico pela segunda vez esta semana e numa presença virtual, através de streaming de vídeo. Na primeira audição, Assange foi condenado a cerca de 1 ano de prisão por ter fugido à fiança a que fora condenado em 2012. Na audição do dia de hoje, segundo o jornalista Ben Quinn do The Guardian, o juiz terá perguntado se Assange consentia ser enviado para os Estados Unidos ao que o activista terá respondido: “Eu não desejo render-me à extradição por ter feito jornalismo que ganhou diversos prémios e protegeu diversas pessoas”, rejeitando assim a extradição voluntária que lhe fora sugerida.

Transcrição completa da carta de Edward Snowden (cortesia de Angela Richter):

“For years, Julian Assange has warned that the moment he found himself outside political asylum, the government of the United States would demand his imprisonment, warnings that in each of those years were discounted by his many critics as ridiculous, but today have been shown to be true.

By the government’s own admission, Assange has been charged for his role in bringing to light true information, information that exposed war crimes and wrongdoing perpetrated by the most powerful military in the history of the world.

The full and single charge for which Assange stands accused is trying –and only trying–to aid the source of many of the last decade’s most important stories in preventing her discovery as the only soldier in the United States military at that time brave enought to inform the public about a secret that never should have been hidden in the first place. No one today disputes that the revelations of this source, Chelsea Manning, were news of the highest order: They were immediately carried on the front pages of every newspaper in the world.

It is not just a man who stands in jeopardy, but the future of the free press.”