Um guia de sustentabilidade para moda criado pela Nike

A Nike lançou um guia de sustentabilidade para designers, mas a colaboração entre marcas é essencial para tudo dar certo.

Já não é novidade para ninguém que o planeta está perto de um colapso ambiental e que para evitar as piores consequências, toda a indústria precisa de se tornar sustentável o mais rápido possível… até a da moda. Como diz Matthew Needham, estudante de mestrado em Design na faculdade Central Saint Martins, pertencente à Universidade de Artes de Londres, temos de “tomar decisões conscientes e pensar na vida da roupa além da loja”.

Muitos designers de moda acreditam que a solução para o problema pode estar na circularidade – que se traduz na criação de produtos para serem reciclados indefinidamente –, mas para isso as empresas precisam colaborar para encontrar soluções, como inventar novos materiais e reciclar equipamento.

Recentemente, a Nike em parceria com a Central Saint Martins criou um manual para designers que estabelece os princípios do design circular, juntamente com estudos de caso de empresas que fizeram um trabalho inovador na área. Alguns desses exemplos vêm da própria Nike, mas também de outras marcas, como a Patagonia, Outerknown, For Days e Eileen Fisher.

Formatado como um livro didático, o guia estabelece dez princípios que nos conduzem por todo o ciclo de vida de um produto. Inclui elementos sobre a recolha de materiais de baixo impacto, projetados com a reciclagem em mente, e maneiras de diminuir o desperdício na fabricação e prolongar a vida útil de um produto. “Queríamos reunir todas as melhores práticas para catalisar mais ação”, disse Noel Kinder, diretor de sustentabilidade da Nike.

A Nike lançou este guia durante o Copenhagen Fashion Summit, um encontro anual organizado pela Global Fashion Agenda, uma organização dedicada a tornar a industria da moda mais sustentável. De acordo com a Fast Company, existe um relatório deste evento a argumentar que para a indústria da moda continuar a progredir em termos de sustentabilidade, as empresas precisam colaborar para desenvolver soluções de infraestruturas. Noel Kinder é da mesma opinião, “dada a ameaça existencial, nenhuma marca vai resolvê-lo sozinha”.

Embora o guia da Nike possa ajudar a impulsionar o setor, também mostra como é difícil criar um negocio verdadeiramente sustentável em grande escala. Porém, a Nike já implementou muitas iniciativas de sustentabilidade ao longo dos anos – quase 75% dos calçados e roupas contêm materiais reciclados. A empresa está a caminho de atingir os 100% de energia renovável na Europa e América do Norte até 2020, mas ainda falta um longo caminho para criar um sistema totalmente isento de resíduos e neutro em carbono, segundo a Fast Company.

A Nike Grind é exemplo de uma iniciativa com 25 anos para recolher sapatos usados, triturá-los e separar a borracha, espuma, fibra, couro e tecidos. A fim de cada material ser usado para criar novos produtos. No ano passado, foram recicladas borrachas num valor que ronda os três milhões de euros para voltar a sapatos.

Para ajudar a impulsionar as iniciativas, a Nike conta com funcionários da equipa de sustentabilidade incorporados na empresa, desde a conceção até à fabricação. Mas não é a única marca focada em iniciativas sustentáveis para o ambiente. De acordo com a Fast Company, a Adidas já reuniu esforços para criar uns ténis recicláveis para o programa de reparos da Patagonia, chamado Worn Wear.

(Artigo redigido com o novo AO)