Depois da série, Chernobyl torna-se moda de Instagram

O resultado são as fotografias típicas desta rede social num cenário absolutamente distópico.

 

Os tempos mudam cada vez mais rápido e as novas modas sucedem-se a um ritmo alucinante, contudo, tudo parece estar cada vez mais previsível. Em síntese, parece que tudo tende a tornar-se mais tarde ou mais cedo cenário para uma fotografia de Instagram ou pretexto para a presença de um influencer. Podemos dizê-lo dos festivais de música que vão perdendo a sua essência à medida que se transformam em feiras de vaidades, ou de símbolos históricos como os Memoriais do Holocausto onde se acumulam dezenas de fotografias turísticas sorridentes ou… da última grande moda: Prypiat e Chernobyl.

Depois da estrondosa série da HBO, Chernobyl, ter voltado a colocar o desastre da Central Nuclear na ordem do dia — não do ponto de vista histórico, mas do ponto de vista mediático — no instagram tem sido possível testemunhar uma autêntica corrida à cidade onde decorre toda a acção. O resultado são as fotografias típicas desta rede social num cenário absolutamente distópico, resultado da explosão sobejamente conhecida.

Se por um lado fotografias e reportagens destes locais podem trazer nuances à história que continua por contar ou simplesmente incentivar à reflexão, este tipo de aproveitamento mediático levado a cabo pelos influencers com mais seguidores do mundo é uma espécie de estratégia de crescimento para as suas contas. Ao irem até locais mediáticos, associados a palavras específicas especialmente utilizadas por esta altura nas redes sociais, estes instagrammers procuram que o algoritmo, incapaz de distinguir o teor do conteúdo, beneficie as suas fotografias por serem num sítio da moda.

Chernobyl: uma viagem aos fantasmas da utopia

Contudo, as reações humanas são geralmente mais sensatas e, neste caso, como nos outros mencionados, a onda de críticas a quem pousa para estas fotografias ignorando ou até desrespeitando o peso de cada contexto é uma constante nos comentários. A corrida turística ao local e as selfies impróprias atingiram um nível que até Craig Mazin, escritor da série fez um tweet a pedir a quem visita o local para que o respeite e se lembre do que lá se passou antes de tirar mais uma fotografia banal ou provocadora.

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