O mundo em mudança: seremos quase 11 mil milhões em 2100

Em Portugal estima-se que a população diminua no mesmo período.

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Um novo relatório apresentado ontem pela ONU dá conta da evolução populacional no mundo até ao início do próximo século. O estudo “World Population Prospects 2019” afirma que o número de pessoas continua a aumentar no mundo, embora com uma maior taxa de desaceleração, e deve estabilizar depois do ano 2100.

“O tamanho da população está a diminuir em alguns países devido à baixa fertilidade ou à emigração”, revela o estudo que no entanto refere que “de uma estimativa de 7,7 mil milhões de pessoas em todo o mundo em 2019, a projeção de variação média indica que a população mundial pode crescer para cerca de 8,5 mil milhões em 2030, 9,7 mil milhões em 2050 e 10,9 mil milhões em 2100”.

O número de pessoas idosas também vai continuar a crescer nos próximos anos, frisando um “envelhecimento sem precedentes da população mundial”. No ano passado, pela primeira vez na história, o número de pessoas com 65 ou mais anos ultrapassou o número de crianças com menos de cinco anos. Em 2050, calcula-se que o número de idosos deva ser o dobro do número de crianças dessa mesma idade. A estimativa revela ainda que, até à primeira metade do século XXI, o número de pessoas com 65 ou mais anos deverá superar o número de jovens dos 15 aos 24 anos. O aumento da longevidade e as baixas taxas de fertilidade são algumas das razões.

Em relação à disposição geográfica da população, “mais de metade do aumento previsto da população mundial até 2050 estará concentrada em apenas nove países: República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão, República Unida da Tanzânia e Estados Unidos da América”. Além disto, o top 10 de países mais populosos irá sofrer alterações entre 2019 e 2100: o relatório prevê que em 2100 os dez países mais populosos sejam, de forma crescente, o Egito, República Unida da Tanzânia, Etiópia, Indonésia, República Democrática do Congo, Paquistão, EUA, Nigéria, China e, no topo, a Índia. Em relação a 2019, saem do top 10 o México, Rússia, Bangladesh e o Brasil. Será por volta de 2027 que a Índia tomará o primeiro lugar que agora ainda pertence à China.

“Prevê-se que 55 países ou áreas vejam as suas populações diminuir em pelo menos um por cento entre 2019 e 2050”, sendo Portugal um desses casos. Enquanto um grande número de áreas vê a população diminuir, a África Subsariana será responsável pela maior parte do crescimento da população mundial nos próximos tempos. “Os 47 países menos desenvolvidos estão entre os que mais crescem no mundo – muitos devem dobrar de população entre 2019 e 2050 – pressionando os recursos já sobrecarregados”.

Além do aumento da longevidade, o relatório confirma um “contínuo aumento global da longevidade e o estreitamento do fosso entre ricos e pobres países, apontando também disparidades significativas na sobrevivência que persistem entre países e regiões”. A migração internacional tem tido também um papel de peso nas mudanças populacionais.

O crescimento sustentável da população é um dos objetivos da ONU. Nesse sentido, “as Nações Unidas recomendam que os governos nacionais se comprometam a realizar um censo pelo menos uma vez por década “, tal como acontece em Portugal. A sobrepopulação é umas das preocupações da Europa para os próximos anos.