Boris Johnson ganha no seu partido e fica com o país a braços com o Brexit

Boris Johnson vai suceder a Theresa May como líder do Partido Conservador e, consequentemente, como primeiro-ministro do Reino Unido.

boris johnson
CC BY-NC-ND 2.0

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson foi eleito com cerca de 92 mil votos (66%), enquanto Jeremy Hunt, atual ministro dos Negócios Estrangeiros e seu principal adversário, obteve quase 47 mil votos. A taxa de participação foi de 87% num universo de 160 mil militantes do Partido Conservador britânico.

Depois de fracassar as negociações com o parlamento britânico três vezes em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Theresa May renunciou ao cargo de primeira-ministra em maio. Agora, com 55 anos, Boris Johnson toma as rédeas de um Reino Unido em  processo de negociação do Brexit e defende uma saída rápida, com ou sem acordo.

Johnson foi eleito com quase o dobro dos votos do seu adversário e deverá tomar posse como primeiro-ministro ainda esta semana. Theresa May ainda irá apresentar-se na última sessão da Câmara dos Comuns de Westminster, esta quarta-feira, enquanto Boris Johnson tem visita marcada à  rainha. No dia seguinte, o país conhecerá, ao que tudo indica, os novos ministros do Governo.
Johnson dirigiu-se ao eleitorado no discurso da vitória afirmando que os objetivos enquanto líder do Partido Conservador são “concluir o Brexit, unir o país e derrotar Jeremy Corbyn”, atual líder do Partido Trabalhista.

Mas quem é o novo primeiro-ministro e quais são as prioridades da governação?

Boris Johnson nasceu em 1964, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Filho de pais britânicos, formou-se no ramo das Artes, mais precisamente em Estudos Clássicos. Começou a trabalhar como jornalista e chegou a ser editor de uma revista.

Em 2001, conheceu a política de perto. Começou por representar a cidade de Henley no parlamento britânico e, em 2004, começou a ganhar peso no Partido Conservador, quando foi convidado para ser vice-presidente do partido. Em 2008 foi eleito presidente da cidade de Londres e, quatro anos depois, foi reeleito, deixando o cargo em 2016, depois de dois mandatos. Nesse ano, Johnson foi convidado a gerir a pasta de Secretário de Estado para Assuntos Externos e da Commonwealth e, mais tarde, tornou-se ministro dos Negócios Estrangeiros.

Em julho de 2018, face ao descontentamento da governação de Theresa May em relação ao Brexit, Johnson apresentou a sua demissão de secretário de Estado e acicatou a defesa da sua posição para uma saída rápida da União Europeia. Recorde-se que Johnson foi uma das figuras de proa da campanha pelo Leave.

B®£x!t: marcas de um sentimento

Pelo caminho da vida política, Johnson protagonizou alguns momentos polémicos e outros simplesmente trapalhões. Assim, a sua eleição causou algum desconforto tanto no parlamento como no Governo. Alan Duncan, secretário de Estado para a Europa e as Américas, foi uma das principais vozes deste descontentanto e apresentou mesmo a sua demissão esta segunda-feira.Na carta de demissão publicada no Twitter, o político lamenta que tenham de “passar a todos os dias a trabalhar sob a nuvem negra do Brexit”.

Ontem, terça-feira, foi a vez do ministro da Justiça, David Gouke, sair do Governo. Juntamente com o ministro das Finanças, Philip Hammond, Gouke já havia afirmado no Domingo que renunciaria aos cargo caso Johnson sucedesse a May. O motivo seria a forma como Johnson quer lidar com o processo da saída do país da UE.

Além do Brexit, o novo primeiro-ministro carrega agora outras prioridades no campo internacional. A oeste, tem os EUA e a instabilidade da relação entre ambos os países, afetada recentemente pela demissão do embaixador britânico nos EUA, após a publicação de documentos contra Trump. Do outro lado, Johnson tem de tomar partido em relação à escalada que está a acontecer entre o Irão e EUA.

No Twitter, já vários chefes de Estado, como Donald Trump e Theresa May, congratularam publicamente a eleição de Johnson. Depois das várias tentativas de May para a desintegração do país da UE, o Reino Unido tem saída marcada da para 31 de outubro de 2019. Pela imprensa são vários os artigos de opinião que o comparam a Donald Trump e antecipam conturbados tempos políticos para o Reino Unido em resultado do estilo político extravagante e pouco comum de Boris Johnson.