‘Coaches’ para ajudar crianças a viver longe do telemóvel são uma nova profissão

Como educar os filhos na era dos ecrãs? O New York Times conta que há pais a pedir ajuda profissional.

Foto de Gaelle Marcel via Unsplash

A história é contada pelo New York Times (NYT) e tem como referência o contexto norte-americano. O jornal diz que há pais que, alarmados com o tempo que as suas crianças passam ao telemóvel ou podem vir a passar, estão a tentar educá-los segundo os padrões do “pré-smartphones”. E estão a contratar profissionais para os ajudar nessa tarefa.

O NYT chama-lhes ‘consultores de ecrã’ que se deslocam a casa, escolas, igrejas e sinagogas para “lembrar os pais como era ser pai antes”. As abordagens destes ‘coaches’ passam por colocar as crianças a mexerem-se, a jogar à bola ou a criar um imaginário a partir de um objecto antigo que esteja lá por casa. “Não podemos ser máquinas. Estamos a pensar como máquinas porque estamos a viver nesse ambiente mecanizado. Não podemos educar crianças com uma mentalidade mecanizada”, diz Gloria DeGaetano, uma coach de Seattle com quem o NYT falou.

A reportagem do NYT (screenshot Shifter)

Também em Seattle uma professora percebeu a necessidade educativa no campo da adição aos ecrãs por parte das novas gerações e decidiu apostar nesse campo, com um negócio próprio e especializado nessa temática. Além do aconselhamento parental, Emily Cherkin, a ex-professora, criou um espaço de co-working com uma zona onde as crianças podem ficar entretidas com actividades longe de ecrãs.

Cara Pollard, uma coach parental de Chicago, diz que os pais se habituaram tanto a passarem o tempo com ecrãs à frente que se esqueceram de como cresceram sem eles. “Eu digo apenas para tentarem lembrar-se do que faziam enquanto crianças”, conta ao NYT. “E é tão difícil, e eles ficam muito desconfortáveis, mas só precisam de se lembrar.”

Outra ideia que o NYT apresenta para os pais é arranjarem um cão ou um gato aos filhos. “Digo a muitos pais para arranjarem um cão”, refere Richard Halpern, que trabalha como coach em Portland. “Ou digo para mostrarem um ecrã ao seu gato. Eles não vão ligar. Eles estão totalmente presentes. Estão a viver. É um grande ‘role model’.”

Na mesma peça, o New York Times assinala também um movimento semelhante à promessa de virgindade até aos 18 ou ao casamento do século passado. Só que desta vez a “virgindade” é com os dispositivos electrónicos ou redes sociais – abstinência até ao 8º ano ou depois. Podes ler o artigo completo aqui (pode ter paywall).

Destacamos só esta frase do jornal:

“Ninguém sabe o que é que os ecrãs farão da sociedade, se boa ou ruim. Esta experiência mundial de dar a todos uma empolgante tecnologia portátil é ainda nova.”