Os melhores discos deste 2019 para levares contigo nas férias

Desde o novo do Tyler que se calhar nem experimentaste porque só de ouvir tanta gente falar perdeste a vontade, o da Little Simz porque achas que não curtes rap no feminino até o da Solange porque c'mon é a irmã da Beyoncé, seleccionámos 17 discos deste ano que consideramos absolutamente imperdíveis.

Todas as semanas se renovam as playlists com a melhor música da semana, os novos lançamentos ou os destaques escolhidos pelas plataformas de streaming, contudo, no meio da imensidão que se acumular torna-se extraordinariamente difícil acompanhar tudo. Se nos dedicamos a apreciar um disco numa audição mais demorada é provável que deixemos passar outros três que devíamos ter escutado. Nesse sentido, aproveitar as férias e o tempo extra para ouvir discos em maratona é uma óptima forma de recuperar o que foi escapando e nos pode vir a interessar.

Desde o novo do Tyler que se calhar nem experimentaste porque só de ouvir tanta gente falar perdeste a vontade, o da Little Simz porque achas que não curtes rap no feminino até o da Solange porque c’mon é a irmã da Beyoncé, seleccionámos 17 discos deste ano que consideramos absolutamente imperdíveis. A lista procura ser variada e reúne recomendações de vários redactores do Shifter, assim aqui podes encontrar desde o som mais delicodoce de Mayra Andrade até às barras mais pesadas dos Orteum.

As escolhas da Rita Pinto

Tyler, The Creator – IGOR

Nunca saber bem o que esperar é a melhor parte de se ser fã de Tyler, The Creator. É saber que, mesmo depois de um álbum tão bom como Flower Boy, há a possibilidade de vir aí um melhor ainda. Ainda não me consegui distanciar de IGOR o suficiente para os comparar dessa forma, mas a verdade é mesmo essa, ainda não me consegui afastar do seu último álbum desde que saiu. IGOR é aquele passo natural no ciclo evolutivo de Tyler, que parece ter tirado todas as lições possíveis dos seus trabalhos anteriores para as aplicar nesta sua missiva confessional.

“Não oiçam isto à espera de um álbum de rap”, avisou-nos na véspera do seu lançamento. Então o que é que podemos esperar? Uma espécie de obra prima orgulhosamente produzida, escrita e organizada por um músico que se descolou do seu género original para se elevar a autor. Em IGOR , Tyler farta-se de cantar sem se preocupar se as músicas têm a estrutura tradicional de uma canção. Sem se preocupar com nada, na verdade. O álbum faz absoluto sentido como um todo. É aconchegante apesar de também ser muitas vezes agressivo. Chega a ser mesmo bonito Tyler escreve sobre tentar perceber o amor. Tem 12 faixas muito próprias mas 100% interligadas. Tudo porque ouvir IGOR é como assistir a um espírito conflituoso a fazer as pazes consigo mesmo, a um perfeccionista a dar forma às suas ideias mais radicais, em paz. Além de tudo isto, tem letras e melodias que vão ficar-te na cabeça como um vício. Soa indubitavelmente bem, e há-de soar melhor ainda na praia. Destaque para “Earfquake”, “New Magic Wand”, “I Think” e “Igor’s Theme”. E “What’s Good” e “Running Out Of Time”. Todas, basicamente.

Solange – When I Get Home

Em When I Get Home, Solange convida-nos a visitar a sua cidade natal, Houston, no Texas. Mas não vamos lá sozinhos, ela leva-nos e conta-nos os seus maiores segredos no caminho, faz-nos rir e chorar. No decorrer das 19 faixas vamos percebendo que também convidou nomes como Pharrell Williams, Sampha, Playboy Carti, Tyler, The Creator, Metro Boomin, Dev Hynes ou Earl Sweatshirt e, de repente, o que era um álbum passa a ser uma festa. E apesar das inúmeras colaborações de alto gabarito, todas as letras e melodias foram escritas pela própria, que continua assim a distanciar-se das fábricas de pop que trabalham com nomes tão próximos como o da sua irmã mais velha, Beyoncé. Não que Solange precisasse de continuar a provar que é indie enough e que faz o que quer, mas When I Get Home não deixa de ser uma prova desse lugar que já garantiu, da sua entidade artística, estranha até para alguns, de quem prefere assinar peças de arte performativa em museus e galerias a apresentá-las em grandes digressões mundiais.

O disco não é fácil. É muito pessoal, como entrar na cabeça linda e despenteada de Solange. É uma mistura de moods que não estamos à espera que venham uns a seguir aos outros mas passam a correr. Um mix entre harmonias flutuantes e beats out of tempo. Funciona muito bem como música ambiente, para ouvir com tempo e calma. Recorrendo a espectros tão distantes como o do jazz espiritual a Gucci Mane, tem no geral música e produção excepcionais. É bom para ouvires enquanto cozinhas, por exemplo, de janelas abertas a deixar passar aquela brisa que quase não existe em Agosto, mas é melhor para ouvires de phones e de olhos fechados. Destaque para “Almeda”, “Binz” e “Way To The Show”.

As escolhas do Vasco Vilhena

Capitão Fausto – A Invenção do Dia Claro

Vamos começar pela instalação do clichê que é desgostar de qualquer trabalho desta banda. Começa a perder alguma fundação, porque a verdade é que desde que Têm os Dias Contados, os Capitão Fausto têm uma assinatura sonora bem forjada e conquistaram merecidamente um lugar de respeito na música portuguesa. Um bom Pop assumido, com arranjos preenchidos e uma produção que lhes dá vazão. Os refrães de “Lentamente” ou “Boa Memória” são extremamente orelhudos e as linhas melódicas da “Faço as Vontades” e as guitarras de “Sempre Bem” são motivos para voltar a este disco.

Thom Yorke – Anima

Confesso que falo de um artista pelo qual tenho uma enorme estima e a minha apreciação pode parecer algo suspeita. Antes de escrever seja o que for, procurei opiniões de amigos e de outros meios para comprovar que era legítimo gostar tanto deste disco como estava a gostar. É, no entanto, uma experiência reservada para um bom sistema de escuta e perde quando não se escuta num bom par de headphones, pela imersão que consegue ter (também graças à fluída transição de faixas). Embora tenha uma construção musical bastante minimal, qualquer elemento presente ocupa e preenche o seu espaço. Especial foco nas faixas “Twist”, pelas 2 tão distintas partes que a compõem; “Dawn Chorus” que é um convite para a introspecção e tem a capacidade de evocar alguma lágrima ou outra; e “I am Very Rude Person”. Não é um disco cujo maior brilho se encontra na lírica ou na melodia vocal, mas funciona muito bem como um todo.

Crumb – Jinx

Jinx era o disco que mais esperava ouvir, já desde que um amigo me mostrou o primeiro EP desta banda. A sua sonoridade é de um indie rock jazzy, com laivos psicadélicos. Constroem mantras de fazer abanar o corpo até ao silêncio, quando estas findam, cedo demais ao gosto do corpo. E é a única sensação negativa com que fico com este primeiro disco da banda. Têm um alinhamento impecável (com um b-side em vinil que faz questionar porque é que não ficou no disco), composto por uma lírica introspectiva acompanhada pela voz cristalina quase sinusoidal da vocalista Lila Ramani que nos deixa a flutuar. É como que uma cama que nos envolve em sonhos lúcidos, cheio de groove, e que deixa o tal gosto amargo por acordarmos mais cedo do que gostaríamos. É sem dúvida o disco que mais me tem acompanhado este ano e é a baixa mais sentida no Vodafone Paredes de Coura.

Manel Cruz – Vida Nova

É sempre um bom ano quando o Manel Cruz lança um disco novo. Ou um livro-disco, neste caso. Esta sua Vida Nova é quase um upgrade ao seu projecto anterior Foge Foge Bandido, com mais seriedade e muito mais coerência, obviamente. A calma, segurança e proximidade com que o músico canta “Beija-flôr” é tão despida e crua que se torna intimidante. Tal e qual como adoramos ouvir Manel Cruz, a segredar-nos coisas verdadeiras ao ouvido. Não é um disco tão imediato como o resto do seu portefólio, mas concebe uma profundidade que se vai desvendando a cada nova audição.

As escolhas do Bernardo Pereira

Little Simz – Grey Area

Grey Area é exactamente como o nome diz, um álbum que não é claro e onde não se explicitam as regras. Não há limites no que Little Simz fez ao juntar elementos tanto de grime como de jazz que se unem a um liricismo e flows incríveis (“I’m Jay-Z on a bad day, Shakespeare on my worst days”). A rapper de 25 anos quebras regras e mostra o progresso como compositora e como storyteller. Grey Area é uma viagem pelos seus “mid-20s”, um “lugar estranho”, como a própria define, que nos convida a conhecer ao longo de 35 minutos. Desta vez conta com mais instrumentos ao vivo do que com samples, todos eles “arranjados” e produzidos pelo seu amigo de infância, Inflo.

Este trabalho é mais um passo no caminho consistente e determinado de Little Simz no mundo da música, uma prodígio que quem a acompanha desde o início percebe que passo a passo conseguimos atingir o pináculo da perfeição, a chamada “cereja no topo do bolo” que para os mais pouco preparados para o que vou dizer a seguir, serve de mote para afirmar que este álbum está possivelmente no pódio de melhores álbuns de 2019.

Injury Reserve – Injury Reserve

O trio mais quente de Arizona está de volta para mais um projeto. O grupo que até agora vinha lançando mixtapes consistentes mas experimentais dentro da cena hip-hop, a denotar certo dom para fabricar “bangers”, lançou finalmente o seu primeiro álbum de estreia homónimo. Injury Reserve chega depois a entrada do trio na editora Loma Vista Recordings em Setembro do ano passado. Lançado em Maio deste ano, o álbum conta com uma produção futurista e conceptual, a participação de grandes nomes como Rico Nasty, Aminé e Freddie Gibbs e versos que variam entre o mais “raw” e o mais calmo e demonstra o quão único é este trio. A química entre Stepa J. Groggs e Ritchie é vísivel e contagiante na grande maioria das músicas, o que aliado à “potente” produção de Parker Corey nos fazem dançar ao mesmo tempo que cresce em nós uma vontade de hackar um Tesla, cortar nas opções capitalistas ou  aprender a fazer uma música de rap. Para quem acompanha a evolução do trio percebe-se que o estilo se mantém e que esta é a trademark do grupo: música de rap que se distancia das temáticas do hip-hop atual, demonstra o pouco que o grupo consome do género e o mistura com referências do mundo contemporâneo que lhe dão especial sentido.

Kevin Abstract – Arizona Baby

Kevin Abstract, um dos nomes mais sonantes do coletivo norte-americano Brockhampton tem tido um crescimento significativo ao longo da carreira e isso é especialmente notório a cada projeto a solo. Em Arizona Baby, o seu terceiro álbum, Kevin optou por lançar as músicas por partes, para uma fanbase que sempre esteve lá mesmo antes dos Brockhampton como forma de reconhecimento, mas o seu alcance viria a revelar-se muito maior.

Arizona Baby marca o sofrimento e a libertação de Kevin do seu passado doloroso e sofrido marcado por passagens como a sua fuga de casa quando ainda era adolescente.

“Big Wheels”, a faixa inicial é um bom cartão de visita; começa num tom um pouco acelerado com Kevin a falar sobre as suas vivências tanto a nível financeiro como social, e da difícil aceitação por parte dos seus amigos e família do facto de ser homossexual “I didn’t even finish college, nigga Got a lot of guilt inside of me My niggas back home ain’t proud of me They think I’m a bitch, just queerbaitin’.  Este é álbum para todos aqueles que procuram uma solução ou resposta, seja ela qual for, e se deixam sentir inspirados ao ouvir uma boa melodia carregada de genuinidade e emoção. Georgia é facilmente uma das melhores músicas do disco, tendo um cheirinho a R&B, hip-hop e até country numa música que se nota ser bastante pessoal para Kevin – mais uma arma na sua já mencionada luta por uma vida melhor longe de preconceitos.

Arizona Baby, produto de um jovem de apenas 22 anos, é também uma belíssima síntese de várias influências. Entre elas a produção na música “Joyride” a lembrar o álbum Love Below dos Outkast, o coro a fazer lembrar uma música de Kanye West na faixa “Use Me” ou a enorme presença de sonoridades similares ao disco de Lana Del Rey Venice Bitch. Entre altos e baixos, Arizona Baby é um álbum que merece destaque, um álbum que não passa despercebido e uma boa escolha para este verão, facilmente bem posicionado no que já foi produzido em 2019.

As escolhas do João Ribeiro

Mayra Andrade – Manga

Como a própria Mayra já referiu em algumas entrevistas, coube à sua música a particularidade de ser rotulada como world music, e nunca encaixar num estilo particular que permita uma relação mais fácil com o público, habituado a ver essa categoria preenchida por sons mais instrumentais ou simples experimentais. Se por um lado essa definição pode ser injusta por manter algum público distante, por outro parece ser adequada para marcar a diferença audível no que Mayra Andrade vai lançando. Manga é o seu mais recente trabalho, 5 anos depois do Lovely Difficult, e é um registo mais, como o nome sugere, mais doce e suculento.

A sonoridade é própria e bastante trabalhada, misturando influências jazz com a referência da música de Cabo Verde, como melhor revelam os espetáculos ao vivo, e a voz de Mayra o elemento perfeito para conduzir a narrativa. Manga oscila entre um registo mais emocional, pessoal, íntimo e frágil em temas como “Plena” e músicas mais animadas, de fácil audição e apelo pop, como “Afeto” ou “Pull Up”. Mayra oscila entre o português e o crioulo, o canto afinado, a voz de choro e as frases catchy, naquele que, como refere, é o registo mais livre do seu percurso. Uma liberdade que se sente, contagia e faz a música cantada em crioulo voar mais alto.

ProfJam – #FFFFFF

Se parece que ProfJam teve nos últimos 2 ou 3 anos mais activo que nunca, a verdade é que em matéria de registos longos não lançava um trabalho de 2016, altura em que lançou Mixtakes. Assim, o disco que anunciava para 2019, tornava-se alvo de especial expectativa. O percurso marcado pela conversa da mudança, a criação da Think Music, a aproximação a rappers como Sippin Purp ou Loner Johny geravam questões sobre qual a sonoridade e mensagem que o auto-intitulado professor da nova geração traria e #FFFFFF não desiludiu. Não é um álbum clássico, e pode até dizer-se que é um disco da moda mas, neste caso, é isso que torna especialmente relacionável. ProfJam aplica uma estética contemporânea às velhas questões, como nos explica em entrevista, e com isso consegue um registo capaz de emocionar muita gente – o momento com transmissão televisiva no Super Bock Super Rock é disso um exemplo.

As escolhas do Daniel Hoesen

slowthai – Nothing Great About Britain

Tyrone “slowthai” Frampton, desde que apareceu em cena tem se definido como a voz daquele UK fora de Londres e das grandes cidades de que falámos nos ensaios sobre a Brexit. Aliás, auto-intitulado de “Brexit Bandit”, ele fez a sua tour toda na ilha, exclusivamente em pubs e working man clubs, com bilhetes a venda por 99p.

Manifestamente zangado, frustrado e revoltado com a sua realidade, com o classicismo, com a Maybot, com a monarquia, com a Rainha, o álbum Nothing Great About Britain serve quase de auditoria ao rustbelt britânico. É um álbum que se ouve como um comentário social aos paradoxos da realidade britânica que não aparecem nas notícias, mas que se vivem nos subúrbios — slowthai tenta fazer sentido disso tudo, explica e explica-se com aquela energia característica do peeps da ilha, aquela inquietude. Ele tem faixas com vibes punk, de grime, de boom bap e mais não sei o que, tudo com o selo hiperlocal de Northampton. A actuação em Glastonbury e as participações nos álbuns do Skepta ou de Tyler, The Creator são prova do excelente ano que o The New Kid on the Block está a ter. Vale a pena ouvir (mesmo que não curtam de hip-hop e cenas do género), nem que seja pelo valor do confronto que a sua música aporta.

Skepta – Ignorance Is Bliss

Rimas sempre urbanas e beats sempre sem sono, este álbum lançado pela sua própria editora Boy Better Know, aborda-nos quase como que com uma espécie de estética Londrina Tarantino(esque) – checkem “Greaze Mode” – em retrospectiva de um grime antes da internet e da sua evolução a símbolo identitário britânico.

Semáforos, corner shops, motas, ruas, toda a paisagem urbana está presente, tudo em movimento, 24/7 – aquele chain smoking de imagens, ideias e referências. E é isto que faz deste, um dos meus álbuns prediletos deste verão, proporciona aquele balanço (leia-se 🤮swag) para os dias em que temos de puxar pela cabecinha e entrar a pés juntos – perfeito para a commute antes do trabalho, aquele exercício para entrar na zona. Casa 🚶‍♂️estação 🚞 Londres 🚲 trabalho. Live Fast, Die Young. Certo?

As escolhas do Joaquim Ribeiro

BW Jack e Sam The Kid – Classe Crua

Classe crua é um projeto que liga duas gerações do hip-hop português, Sam the Kid e Beware Jack. Pela primeira vez a trabalhar juntos, mas com vontade de iniciarem esta colaboração há alguns anos Beware constrói o argumento de todo um disco com letras que transportam para um mundo cinematográfico da cabeça do mesmo. Tantas e tantas linhas escritas que são mais imagens do que escrita aliadas a uma banda sonora montada de forma perfeita por uma das maiores referências de produção de Hip Hop a nível nacional, Sam the Kid. Este disco conta com participações de Amaura, Chullage, SILAB, Phoenix RDC, Rapadura e do produtor Here’s Johnny, dos músicos Francisco Rebelo e João Gomes de Orelha Negra e ainda Carlos Afonso e José Mariño, figuras incontornáveis da cultura urbana portuguesa. O que foi lançado foi uma obra prima de Hip Hop, com samples divinos e mensagem forte, Sam e Beware estão realmente na sua praia, fabricando o melhor álbum de 2019 até ao momento, na minha opinião. Um disco complexo, cheio de magia e genuinidade que tanta falta faz a muitos artistas de uma nova geração escrava pela necessidade de ter a sua arte consumida e reproduzida.

ORTEUM – A Última Gota

Falar de ORTEUM é falar de revolta. Revolta da cena “underground” do Hip Hop português que convida qualquer um a entrar no meio com “Anda”, mas com um aviso pois “Ninguém Disse” que ia ser fácil. Entre beats crus de Boom Bap produzidos por Metamorfiko, Tilt, Pilha, Groove Synthdrome, Richard Beats, Romeu, Poison Mind, John Miller e El Tiego, os MC’s TIlt, Nero e Mass destroem o movimento mainstream do Hip Hop, pois têm sangue para derramar por esta cultura. Sempre atentos contam com a presença de Beware Jack em “Complexo de Atlas”, TOM no tema homónimo ao nome do álbum, Johny Gumble em “Jurássico”. O duo 69 M&M, vilões ou heróis honestos, depende da perspectiva, entram em “Vilão”, som com várias críticas à nova geração de rappers. Albúm de 2019 com toda uma vibe de Hip Hop clássico em que não podia deixar de faltar o “scratch”, com Dj RM e DJ Ketzal nos pratos. Um projeto a ter em conta, principalmente se for o caso de ser um “Hip Hop Head”.

As escolhas do Mário Rui André

NU
Os First Breath After Coma apresentaram logo no início do ano um disco que de imediato iria figurar entre os melhores do ano. Desculpem, desculpem, não era isto que queria dizer – não se pode falar em “melhores do ano” em Março e pessoalmente detesto essa cena, mas queria ter a vossa atenção. Os First Breath After Coma andaram a fazer uma residência artística numa casa que arranjaram lá em Leiria, de onde são; e quando se está a criar continuamente no mesmo espaço, todos juntos, a probabilidade de sair algo com bastante qualidade é, julgo eu, mais elevada. Pois bem, os First Breath apresentaram NU, um disco sem preconceitos, rflexo de como os elementos do grupo se entregaram durante meses uns aos outros – despidos de m*rdas e partilhando momentos mais íntimos. É uma intimidade bonita. O disco abre em altas, acalma depois da “Change”, que foi single, e tem alguns apontamentos bonitos, como a “I don’t want nobody” – uma canção, segundo contam, feita às 6 da manhã a solo e trabalhada depois em equipa. NU é um trabalho bonito para ouvir em casa, do início ao fim, ou ao vivo.

The Comet Is Coming – Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery

Sabem aqueles momentos em que estamos a precisar de música nova? Festivais como o Milhões de Festa podem ser bons para renovar playlists, mas também os amigos quando decidem meter música a tocar porque sim. The Comet Is Coming chegou desta segunda forma, mas podia ter chegado da primeira em 2014. “Olha, grande som, o que é?”, perguntei, antes de ir ao Apple Music a correr guardar o álbum. Este ano, digo-vos, tem sido um ano de descobertas; descobri que o jazz é maravilhoso e cada vez mais dos estilos musicais que mais oiço. Na maioria das vezes são aqueles nomes que lançaram discos há carradas de anos e, por isso, não podia falar deles aqui. Agora, The Comet Is Coming é novo e mostra outra descoberta pessoal de 2019: que o jazz pode ser tudo aquilo que o homem quiser. E pode ter rap ou spoken-word por cima como na faixa com Kate Tempest, pode ter electrónica, pode ter tudo o que a imaginação permitir. The Comet is Coming é mais uma das afirmações da cena jazz londrina de que vão saindo à vez maravilhosos discos. De resto, um dos elementos deste trio é Shabaka Hutchings, destacado saxofonista tanto a solo como parte dos Sons of Kemet. Ide ouvir este Trust In The Lifeforce Of The Deep Mistery, acho que vão curtir.

De fora desta lista ficam alguns títulos que mereceriam igualmente a presença mas que por um motivo ou outro — respondendo ao motivo geral de manter o artigo sussinto — acabaram por ficar de fora. O caso mais marcante é o de James Blake que decidimos deixar de fora por ter tido direito a todo um artigo sobre o seu Assume Form mas outros haveria para referir, como o álbum de Billie Ellish que a catapultou para um estatuto fenomenal, o de Flying Lotus, ou em território nacional, o disco de Luís Severo, Stereossauro ou Salvador Sobral.

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