Milhões de Festa é mais um festival que não vai acontecer este ano

Festival é adiado para 2020. Também o Andanças não se realiza este ano, prometendo voltar. E o Mêda+ anunciou a sua última edição em 2018.

Foto de Rafael Farias/Milhões de Festa
 

Depois de uma edição em 2018 que teve quase para não se realizar, este ano o Milhões de Festa não vai mesmo acontecer. Seria a 12ª edição. Mas a organização não fala de fim, diz antes que é um “até já” e que este adiamento permitirá uma reflexão e amadurecimento de novas ideias.

“Acreditamos que este período que se abre à reflexão nos permitirá colocar em prática as ideias que temos em mente e que precisam de ser amadurecidas para que se façam sentir”, partilhou a editora portuense Lovers & Lollypops nas redes sociais do Milhões de Festa, adiantando que tanto esta como a Câmara Municipal de Barcelos, parceira na organização do festival, “acordaram em não realizar o Milhões de Festa em 2019, adiando para 2020 a décima edição desta colaboração”.

Apesar de a próxima edição do Milhões de Festa, agora prevista para 2020, ser a 12ª, só será a 10ª organizada com a autarquia de Barcelos. É que o festival nasceu em 2006 e as primeiras duas edições foram no Porto e em Braga. Em 2018, o Milhões de Festa esteve para não se realizar, fruto de um desentendimento entre a Lovers & Lollypops e a Câmara de Barcelos; o festival acabou por ser adiado de Julho para Setembro.

O Milhões de Festa é um festival de música nova, que permite descobrir novos artistas e bandas que, anos depois de passarem pelos palcos minhotos rodam nas playlists de toda a gente e marcam presença nos grandes festivais. Alt-J é um dos casos mais conhecidos, mas há outros: Electric Wizard, Alt-J Connan Mockasin, Squarepusher, Graveyard, Jacco Gardner, Boougarins, Earthless, Shame, Michael Rother, Sons of Kemet, The Comet is Coming, faUSt & Gnod, Nubya Garcia. O Milhões nunca quis ser um festival de massas, mas já com 11 edições m Portugal e uma levada de ar fresco para quem lhe dá valor.

“O Município de Barcelos e a Lovers & Lollypops mantêm assim o compromisso de fazer de Barcelos e do Milhões de Festa referências obrigatórias para melómanos, curiosos e apreciadores de música, prometendo voltar com força e energia redobrada”, lê-se num comunicado enviado, em paralelo com a comunicação nas redes sociais, às redacções.

A história do Andanças e do Mêda+

Pode dizer-se que 2019 não tem sido um bom ano para os festivais. Em Abril, surgiu a notícia do fim do Mêda+, festival de música portuguesa que não conseguiu apoios públicos ou patrocínios para colmatar os prejuízos da edição de 2018 – a associação que organizava o festival vai, pelo menos este ano, promover alguns concertos em Mêda, em conjunto com a autarquia local. E o Andanças, festival de danças do mundo que desde a calamidade de 2016 tem tido algumas dificuldades, viu-se obrigado a cancelar a edição que já tinha anunciado para este ano.

Em comunicado, a associação PédeXumbo, entidade organizadora do Andanças, informou “com grande tristeza” o cancelamento da 24ª edição do festival, que tinha datas previstas entre 4 e 10 de Agosto e que marcaria o retorno do evento às margens da albufeira da Barragem de Póvoa e Meadas, no Concelho de Castelo de Vide. A organização começou a devolver o dinheiro dos bilhetes a todos os que já tinham comprado.

“Este regresso tinha como primordial objectivo assegurar que todos os participantes voltassem a desfrutar de um Andanças com duração de sete dias, pleno de entretenimento, com segurança e conforto. Contudo, apesar de todas as diligências realizadas, é neste momento impossível garantir os pressupostos necessários à realização do que projetamos para esta edição”, referiu. “Não existindo actualmente alternativas ao espaço onde estava prevista a realização desta edição, torna-se inviável prosseguir com o processo de produção, não restando outra alternativa à PédeXumbo senão o cancelamento do Festival Andanças 2019.”

Tal como o Milhões de Festa, o Andanças vai aproveitar o interregno para reflexão, prometendo “projectar um Andanças num formato adaptado aos desafios emergentes” mas não se comprometendo com datas em 2020.

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