“Tinder” do Parlamento vence Prémio Arquivo.pt 2019

O Meu Parlamento é uma aplicação móvel que simula o Parlamento português, convidando todos os cidadãos e cidadãs a desempenharem o papel de deputado.

Uma aplicação que permite votar virtualmente em propostas que foram ao Parlamento, através de um swipe right ou left, e descobrir os partidos que votaram igual a nós é a proposta do Meu Parlamento, que venceu o Prémio Arquivo.pt 2019.

Desenvolvida por Arian Pasquali, Nuno Moniz e Tomás Amaro, a aplicação Meu Parlamento (iOS e Android) simula o plenário da Assembleia da República. Com apenas três gestos, o utilizador é convidado a pronunciar-se sobre como votaria propostas legislativas que no passado estiveram em apreciação parlamentar: deslize para a direita para votar a favor; deslize para a esquerda para votar contra; e deslize para cima ou para baixo para abster-se. No final de 10 questões, ficas a saber quais os partidos que votaram de maneira mais semelhante à tua, podes ler sobre cada proposta e explorar as notícias que saíram sobre o assunto – informação que é fornecida através do repositório do Arquivo.pt.

Arian, Nuno e Tomás receberam o Prémio Arquivo.pt 2019 numa cerimónia que decorreu no dia 8 de Julho no Centro de Congressos de Lisboa e que teve a presença do Primeiro-Ministro, António Costa. O Meu Parlamento foi o primeiro classificado, mas existiram mais três premiados.

Meu Parlamento a receber o Prémio Arquivo.pt 2019 (foto de Valter Gouveia via FCT)

Revisionista.pt

Em segundo lugar ficou o Revisionista.pt, uma ferramenta online desenvolvida por Flávio Martins e André Mourão para revelar alterações pós-publicação nas notícias portuguesas. No site, é possível folhear os artigos online que foram editados, verificando o texto adicionado e o texto removido. Há ainda uma extensão para Chrome e Firefox que permite ao utilizador saber se o artigo que está a ler sofreu alterações.

Homepage do Revisionista.pt (screenshot via Shifter)

Desde o arranque, o Revisionista.pt já examinou 139 561 artigos noticiosos de 12 publicações; e descobriu que 4,9% deles foram alterados depois de publicados. O projecto está desenvolvido em código aberto.

Violência doméstica

O terceiro classificado não é um trabalho público. Passou pela análise de 217 notícias dos três principais jornais diários, recolhidas no Arquivo.pt, sobre violência doméstica, e é um trabalho mais de investigação que pode ser conhecido em detalhe aqui. A investigadora Zélia de Macedo Teixeira encontrou títulos sensacionalistas, bizarros e perigosos; alguns títulos reflectem estereótipos aplicados à vítima, outros são potencialmente legíveis como justificações da atitude do agressor.

Os premiados (foto de Valter Gouveia via FCT)

O Prémio Arquivo.pt tem como objectivo galardoar anualmente trabalhos inovadores realizados com base na informação histórica preservada pelo Arquivo.pt. O concurso terminou a 3 de Maio e recebeu propostas de trabalhos em áreas como: comunicação social, educação, design, informática, saúde ou património cultural e histórico. O Arquivo.pt é uma infraestrutura de investigação gerida pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) que permite pesquisar e aceder a páginas da web arquivadas desde 1996.