O vídeo que te mostra as referências visuais de Euphoria

Como qualquer série que se prepara para ser uma referência futura, Euphoria está carregada também ela de referências e inspira-se em ícones idolatrados por muitos para também ela se tornar objecto de culto.

Foto via HBO

Por esta altura é difícil que ainda não te tenhas cruzado com Euphoria. A série criada por Sam Levinson, co-produzida por Drake e protagonizada por Zendaya para a HBO, é um drama cru e sem medo de arriscar sobre a adolescência. E o seu sucesso pode ser explicado precisamente por isso, é que séries sobre adolescentes há muitas, mas poucas retratam a angustiante experiência de crescer numa era dominada pela cultura da internet e das redes sociais com a beleza, honestidade e profundidade com que Euphoria o faz.

Ao mesmo tempo, é intensa e chocante, para alguns até demais e sem propósito. Euphoria não é propriamente um retrato abrangente de uma geração, mas sim um trabalho baseado nas experiências específicas de dependência, ansiedade e reabilitação do escritor Sam Levinson. Nos seus melhores momentos, é uma história pensativa e desanimada sobre adolescentes que tentam navegar na vida como a primeira geração totalmente online, numa paisagem de nudes, predadores adultos e alucinógenos sintéticos.

Nem todos temos ou tivemos amigos que traficam droga, passámos um Verão numa clínica de reabilitação, somos ou nos apaixonamos por alguém transgénero, ou criamos um negócio de sexo via webcam, mas é fácil deixarmo-nos cativar pela realidade de tudo isto ser uma possibilidade hoje em dia, principalmente se for possível arrojado com tanto estilo.

Euphoria é um combo irresistível, entre uma banda sonora atenta, um argumento bem escrito e uma direcção criativa e fotografia estonteante. Como qualquer série que se prepara para ser uma referência futura, está carregada também ela de referências. Tem-nas na tão aclamada maquilhagem, na abordagem niilista e descontente de retratar as gerações de adolescentes de Kids, de Harmony Korine nos anos 1990, ou da britânica Skins nos anos 2000, e em muitos outros ícones visuais ou temáticos, contemporâneos ou consagrados que são os ingredientes certos para, juntos, serem a receita perfeita para uma série de culto que há de ficar para a história.

Candice Drouet, a francesa que já se tornou presença assídua no Shifter e que nos maravilha com os seus trabalhos de edição e remistura de filmes, voltou a fazê-lo usando Euphoria como objecto de estudo. Mostra a inspiração de Levinson em Scorsese, Tarantino, Wes Anderson, Nolan, Gaspar Noe, Paul Thomas Anderson. Se és fã da série, vais gostar de perceber todas estas relações, se não és ou não conheces, vais ficar com uma amostra do que estás a perder, e com a certeza de que não há nada de vazio nesta que não é definitivamente só-mais-uma-série-sobre-a-adolescência.